Curso Solo São, Planta Sã, Comida Saudável, Noosfera com o Prof. Sebastião Pinheiro

O curso Solo Sadio, Planta Sã, Comida Saudável, Noosfera vem semear e nutrir uma agricultura, um comer e um viver que curam o território, o coletivo e o planeta.

Ao longo das últimas décadas, Sebastião Pinheiro, ou ‘Tião’ como gosta de ser chamado, tem dedicado sua vida a estudar as relações entre agricultura, saúde e meio ambiente. Professor e pesquisador, é uma das principais referências em agricultura ecológica e pioneiro em temas ligados à sustentabilidade.

Nota: Lembramos ainda que o curso ficará disponível para todos no canal do podcast Impacto Positivo no YouTube até o dia 25 de Junho, mas que só as pessoas que fizeram inscrição antecipada receberão o certificado de participação.

Em suas aulas e em todos os espaços de ativismo, Sebastião alerta para os riscos da agricultura industrial e alerta para as graves consequências de um modelo baseado no uso intensivo de agrotóxicos, transgênicos e outros insumos químicos. Também questiona sempre a hegemonia do agronegócio e sua concentração de terras, renda e poder entre pouquíssimas corporações globais, que não produzem alimentos, mas na verdade produzem commodities para o mercado de especulação financeira.

Com as lavouras reduzidas a soja, milho, trigo e outras poucas culturas, Sebastião vê a necessidade de ensinar sobre o que é solo e o que é agricultura por uma perspectiva camponesa e indígena. Este é, na visão dele, o caminho para a agroecologia, para a Soberania Alimentar e para o empoderamento dos Agricultores, que ele chama  de seres ultra-sociais.

Tião costuma falar que quem trabalha por outras formas de viver e agir no campo, pelo tempo da natureza e não o tempo industrial, precisa atuar como bombeiro AGROecológico – ou seja, alguém que remedia situações e simultaneamente constrói uma nova realidade.

Sebastião Pinheiro se formou técnico agrícola pela Unesp de Jaboticabal, SP em 1967, Engenheiro Agrônomo pela Universidad Nacional de La Plata, na Argentina em 1973, se pós-graduou em Engenharia Florestal na Escola Superior de Bosques, também pela Universidad Nacional de La Plata, em 1975, em Toxicologia, Poluição Alimentar e Meio Ambiente no Instituto Federal de pesquisa BAGKF na Alemanha. Tião também foi delegado brasileiro no Codex Alimentarius das Nações Unidas em Haia.

Autor e coautor de diversas publicações, em 1990, Tião inicia os trabalhos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na Pró-Reitoria de Extensão Universitária e posteriormente no Núcleo de Economia Alternativa da Faculdade de Ciências Econômicas. Durante toda sua carreira até sua aposentadoria, Tião pesquisa e apoia o Movimento dos Pequenos Agricultores, Movimento dos Sem Terra e o Movimento Mulheres da Mulheres Camponesas entre outros. Ativista científico em agricultura saudável, cromatografia de Pfeiffer, agroecologia camponesa e indigena, Tião também idealizou a Organização Juquira Candiru Satyagraha.

Fico muito grato e feliz de ter recebido, com tanto carinho e boa vontade, esse presente do Sebastião Pinheiro para o canal do podcast Impacto Positivo!

Agradeço também a todas as pessoas que a muitas mãos, tornaram este curso uma  realidade:

Nando Rossa, Márcia Maria da Silva, Raquel Chamis, Angelita, Luizetto Walter, Artur Kerschner, Débora Vendramin Otta, Tatiane  de Faria Vieira, Julia Quadros, Mary Jerusa Possamai e Hélio Possamai

O curso Solo Sadio, Planta Sã, Comida Saudável, Noosfera vem semear e nutrir uma agricultura, um comer e um viver que curam o território, o coletivo e o planeta.

Peço a todos e todas que se inscrevam no canal do podcast Impacto Positivo no YouTube e compartilhem o conteúdo com suas recomendações pessoais. É fundamental que construamos a pauta do mundo que queremos deixar como legado!

Obrigado Tião! HÁ BRAÇOS DE LUTA!

Então, de onde vem o ato de comer?
(Resumo da Primeira Aula)

Nota: O que segue é um resumo das 5 aulas do curso preparado pela Rachel Chamis e narrado por mim, Eurico, ao começo de cada aula do curso.

Buscamos no alimento a energia para permanecermos vivos. Mas a verdade é que ele contém muito mais do que nutrientes: o alimento concentra a própria história da nossa evolução. Comer é uma coisa tão complexa que a primeira pergunta do professor Sebastião Pinheiro é: de onde vem o ato de comer? E para responder, ele olha para a paisagem.

Para início de conversa, ele lembra que, na tentativa de explicar de onde veio a vida na Terra, a ciência enxergou três fontes de energia:

A primeira são os minerais, buscados pelos micróbios desde a grande explosão da Via Láctea; a segunda é a fermentação, que garantiu que vidas em decomposição gerassem energia para seres vivos;  e a terceira é a respiração, que possibilita que a energia solar se transforme em cadeias de carbono e de proteína.

Estes 3 processos se desenrolaram ao longo de eras.

E no decorrer desses processos, houve a colonização da superfície e assim, o solo foi se tornando um elemento fundamental da nutrição humana. Hoje, quase toda a alimentação vem dele.

O solo é a interface que permite que uma planta possa criar energia e transferi-la para outro ser vivo.

Já as sementes, tem a menor quantidade de matéria, mas contém a maior quantidade de energia. As sementes que cultivamos permitem que tenhamos uma identidade metabólica e cultural: nos transformam em quem somos.

A partir destas observações, o professor Tião avalia a…

Agricultura e trabalho ultra-social

Agricultura é conseguir alimento por meio de seu próprio esforço e necessidade. E não se trata de uma ação exclusiva dos humanos. Há milhões de anos, os insetos transformam o mundo a partir de suas necessidades – basta ver a evolução das flores, que foram ganhando cores e aromas. Alguns grupos de insetos, como cupim e formiga saúva, preparam alimentos para suas comunidades. São seres ultra-sociais, que fazem agricultura porque se organizam para fornecer alimento a todos.

No nosso caso, os humanos, primeiramente éramos nômades. Mas quando passamos a entender a existência de ciclos, passamos a domesticar as plantas.

Três bons exemplos são o milho, a cevada e o trigo.

O milho não existe de forma espontânea. É fruto do trabalho ultra-social dos humanos e tornou-se patrimônio biológico, agrícola, cultural e econômico do México.

A cevada era originalmente fabricada por hebreus escravizados e que apesar de a produzirem, não tinham acesso à colheita. Passaram a usar uma planta que nascia no meio da cevada, mas que na época não tinha “valor”, o aegilops. Trava-se da antecessora primitiva do trigo.

Por fim, nesta primeira aula o Professor Tião explica o …

Comer como ato filosófico

Existe o ato de comer com ignorância (que acontece quando vamos ao supermercado e compramos qualquer coisa, de forma alienada e baseada no preço). E existe o comer como um ato filosófico.

A Gastrosofia, a partir da reflexão de Charles Fourier no século XIX, é comer com saber, deleitar religiosamente o paladar.

Assim como aprendemos a ver o belo na natureza, também precisamos reconhecer o belo dos alimentos e na sua evolução. A entender a relação entre o solo, o agricultor e o sol.

Tempo do camponês x Tempo industrial
(Resumo da Segunda Aula)

O tempo do agricultor é o mesmo da natureza, não pode ser comparado ao de um relógio  – não se pode adiantar, atrasar ou acelerar. O primeiro a contrapor o tempo da natureza foi Napoleão Bonaparte. No front, necessitando de manteiga para seus oficiais, incentivou a criação da margarina (que não dependia mais do leite da vaca e, assim, era feita no tempo industrial). Napoleão também estimulou a produção do açúcar por meio da beterraba, trazendo assim o tempo industrial para a agricultura francesa.

No tempo industrial entra um elemento poderoso: a manipulação que a propaganda exerce sobre as pessoas. Quase não se vê publicidade de cooperativas que produzem leite, por exemplo. Mas de margarina, sim. São os alimentos com poder mercantil que acabam ganhando espaço. Há também outra distinção: mais alimento natural nos bairros ricos, mais alimento industrializado nas periferias.

Minerais e Micróbios 

A agricultura contempla o contexto de vida, de equilíbrio e de harmonia, gerando alimentos mineralizados. Para isso, o solo precisa ser constantemente remineralizado, fortalecendo-se por meio de rochas ígneas, metamórficas ou sedimentares.

Para formar um centímetro de solo usado para a agricultura, a natureza leva até 1.200 anos – e este centímetro é um fragmento complexo de vida que jamais caberia no tempo industrial.

O solo não é um ser vivo comum que nasce, cresce e morre. O solo é eterno. Entretanto, um solo arenoso não armazena água e um solo rico em matéria orgânica armazena muita água.

Então para produzir alimentos saudáveis precisamos do solo coberto com matéria orgânica em decomposição biológica.

Os micróbios são fundamentais na transformação do mineral em uma substância mais facilmente absorvida pela planta.

É possível concluir que, na agricultura, “M” é elevado à terceira potência: minerais, matéria orgânica e microrganismos.

Existem outros três “Ms” para entendermos a nutrição: o manejo da matéria orgânica pelo camponês, o magnetismo dos minerais e a mística espiritual que existe na agricultura.

Crescemos em conjunto, ampliando cada vez mais o que é a nutrição, o que é o alimento e o que é gastrosofia.

As bases da agricultura “moderna”
(Resumo da Terceira Aula)

Em 1842 Justus von Liebig, químico e inventor alemão, deu início à agricultura denominada “moderna” quando começou a vender para os agricultores alemães o excremento fossilizado de aves marinhas (o guano, que já era utilizado há dois mil anos nas costas do Peru e da Bolívia). Liebig também ficou conhecido por ter criado o leite em pó.

Ao olhar para o adubo que a indústria coloca na terra, vem a pergunta: é preciso substituir os micróbios do solo? Eles não estão fazendo um bom trabalho? O adubo NPK tem inúmeras patentes dentro do poder e tempo industrial. Mas ele produz alimentos bons? Não! – e isso não interessa. Porque o que interessa para a indústria é o lucro.

Contemporâneo de Justus von Liebig, surge nos Estados Unidos o magnata Rockefeller que, com o poder do petróleo, cria a agricultura que nós conhecemos hoje. Ele se torna dono de tudo, especialmente das sementes. Planta-se o que ele quer, come-se o que ele determina. A educação é definida por ele. E sob o ponto de vista da nutrição também é possível analisar essa lógica.

Fósforo e mineração 

O fósforo é um elemento importantíssimo para a agricultura. É encontrado na lava dos vulcões, nos esqueletos dos animais, nas minas. Apesar de existirem diversos depósitos de fósforo (no Brasil, por exemplo, o depósito de Olinda foi fechado no período da Ditadura Militar e sobre ele se construíram condomínios residenciais), todo o fósforo do mundo está em mãos de grandes cartéis que pertencem a uma só empresa. A Cargill é dona de 90% de todo o fósforo do mundo.

Outro elemento essencial para a produção de adubo é o enxofre, usualmente produzido a partir do petróleo. No Brasil, a transformação do enxofre em ácido sulfúrico, somada ao fósforo que outrora era acessível, poderia gerar adubo. Mas o outro depósito de fósforo brasileiro conhecido, aí em Minas Gerais, é explorado pela Cargill. Esse fósforo garante a produção de soja (que não é alimento, é commodity) e de outros grãos. Toda agricultura que acontece no tempo financeiro (um tempo que serve apenas para especulação).

Hoje é possível dizer que o NPK está com os dias contados, que já é considerado ultrapassado. As grandes empresas têm buscado o carbonatito, rocha existente em locais onde antes existiam vulcões. Ao moer essa rocha, ela rejuvenesce o solo. Mas o objetivo é casar o carbonatito com micróbios produzidos por empresas como Bayer e Monsanto.

Assim, repete-se o mesmo erro da substituição do minério. O segredo da agricultura não está no minério ou nos micróbios, mas na combinação de todos os manejos necessários à manutenção da vida (algo que a indústria não consegue produzir).

Soberania Alimentar

Doenças como a osteoporose são consequência de alimento ruim, fora de um tempo camponês e de uma diversidade – porque as pessoas, em muitos casos, só comem o que interessa à indústria. Um alimento de qualidade dá a higidez de uma saúde forte, onde se pode chegar a uma idade avançada sem os comprometimento criados pelos alimentos industrializados. Comer é uma necessidade, mas comer de forma inteligente é uma arte. Quem diz isso é o Conde de Roche Foucault.

A alimentação é um direito inalienável de todos. A discussão sobre a soberania alimentar é essencial porque todos têm o direito à alimentação de qualidade. Nutrição é função da evolução da vida. Esse direito de ter uma alimentação de qualidade é a cidadania em exercício pleno. Boa alimentação significa boa saúde e boa educação.

Agrotóxicos e indústria da guerra: uma origem comum
(Resumo da Quarta Aula)

Rachel Carson, uma grande cientista norte-americana, ao receber um diagnóstico de câncer de mama escreveu uma série de crônicas para o jornal New York Times, em que relatava a origem dos tumores cancerígenos ligada aos agrotóxicos – e que, em 1962, virou o livro Primavera Silenciosa.

Ao tomar conhecimento desse livro, o presidente John Kennedy solicitou a Jerome Wiesner, então presidente do Comitê Consultivo de Ciência, um relatório sobre os temas apontados por Rachel Carson. Foi ele que disse: “o impacto dos agrotóxicos sobre o planeta é tão ou mais perigoso do que as explosões atômicas”.

Kennedy foi assassinado em 1963. Em 1964 o Brasil sofreu um golpe cívico-militar. Alguns anos depois, o então presidente do Brasil, Geisel recebeu a visita de Jimmy Carter, presidente americano, que ofereceu transferir para o Brasil fábricas de agrotóxicos que estavam sendo desmontadas nos EUA.

A ditadura brasileira financiou o veneno e esta situação se repetiu pela América Latina, onde venenos chegaram a ser testados em crianças.

Existiram muitos médicos que se colocaram contra os DDTs, mesmo antes do livro de Rachel Carson. Mas o que era mais importante? Saúde de crianças ou capital de poucas empresas?

A propaganda reforça até hoje a ideia de que o agrotóxico é a solução para o mundo. A guerra contra o veneno é desigual, pois as empresas injetam muito dinheiro para apresentar o veneno como algo inofensivo a humanos.

“Defensivo agrícola”, um nome para mascarar o perigo 

Os agrotóxicos intoxicam e matam agricultores na América Latina, na Ásia e na África. As empresas comunicam que poderíamos ter contato com agrotóxicos sem danos. Entretanto, omitem que um agricultor, quando aplica acetato, mistura-o com água – e isso aumenta sua letalidade em 100 vezes, porque se transforma em metamidofós.

Este é só um dos exemplos de como acontecem as mortes no campo. E, embora pessoas do campo morram pelo contato com o agrotóxico, ninguém é punido – a tecnologia é endeusada e o agricultor é responsável por sua vitimização.

Os aditivos que a indústria conseguiu colocar nos alimentos os desvitalizam – e isso não é saudável. Sebastião Pinheiro fala em agronecrócios para se referir a uma agricultura oncológica (ou seja, que causa câncer), que carrega insumos, créditos, serviços, degradação, poluição e devastação. A economia está muito acima das esferas natural e social.

O Brasil consome mais de 500 mil toneladas de veneno – e isso sem ter a maior agricultura do mundo. A partir de 1991, a União Europeia adotou uma diretiva comunitária que obriga que todos os agricultores sejam treinados antes de trabalhar com agrotóxico. Tentou-se que aqui também fosse assim – no entanto só se “finge” treinar o agricultor no Brasil.

Enquanto nos outros países fala-se principalmente sobre como evitar o veneno, aqui se ensina a usar veneno com dinheiro público.

Agricultor como sujeito 

Quem é rico escolhe se quer ou não comer comida com veneno. As pessoas pobres não tem esta escolha. Não se trata de democracia, mas sim de fascismo. Os poderes das grandes empresas são tão grandes e tão concentrados que em breve as indústrias alimentares globais cumprirão a ameaça de Hitler: de que pobres comam ração, o necessário para realizar seu trabalho.

Precisamos criar uma agricultura sem veneno. Que não valoriza o alimento a partir de um padrão estético – mas sim nutricional –, que cria tecnologia, que cria biofertilizantes. Treinar o agricultor para que ele saiba sobre o amanhã e o antecipe. Para que o agricultor dê valor à vida.

As semente agroecológicos têm identidade camponesa foram criadas por um grupo de agricultores do Rio Grande do Sul ligada à Cooperativa Coolmeia. A maior plantação de arroz orgânico do mundo está no RS e começou quando alguém questionou o uso dos venenos e colocou os agricultores e suas famílias como sujeitos. As feiras agroecológicas cresceram a partir do Sul do Brasil, mas não o suficiente para desbancar a indústria.

Como disse Hipócrates: “Que teu alimento seja teu remédio e que teu alimento cure tuas doenças”. Se o solo é são, as pessoas são saudáveis. O biopoder camponês é ultra-social e alimenta a humanidade. Quando se fala em soberania alimentar, o sujeito principal é o agricultor – e não a estrutura de poder. Essa luta é de todos.

Suportável, justa e viável
(Resumo da Quinta Aula)

O biopoder do camponês se baseia no território, na questão agrária e no modelo agrícola. A agricultura é uma atividade ultra-social, que não existe na natureza por si só. O agricultor se sente empoderado para produzir alimento para a sociedade e deveria ser celebrado e valorizado pelo que faz.

A relação entre social e natureza deve ser suportável; entre social e economia deve ser justa e entre natureza e economia deve ser viável. O agricultor está geralmente na periferia das relações – o que não é justo, nem suportável e nem viável. A agroecologia é o modelo de agricultura que tem o território e a questão agrária sob a tutela do agricultor, e não da indústria.

Terra pertence a quem nela trabalha

Quando foram criadas as sementes transgênicas, veio o aviso de que surgiriam plantas transgênicas. Mutantes que se tornaram resistentes por meio da agressão do veneno. A solução da indústria química para o problema que criou foi produzir veneno ainda mais forte. O que vai acontecer? Em menos de 5 anos teremos mutantes mais resistentes. À indústria não importa eliminar a causa, porque se quer apenas vender mais.

No Rio Grande do Sul, uma mina de carvão a céu aberto corre o risco de ser instalada – o que contaminaria todo o arroz da região com arsênico. Peixes deixam de ter alimento porque o camarão não encontra mais algas, mortas pelo herbicida. Nos EUA, indústrias estão indenizando pessoas intoxicadas por veneno. Mas e nos países pobres? Por aqui, dificilmente haverá qualquer punição.

Espiritualidade na agricultura

Em torno do território, da questão agrária e do modelo agrícola, unificando esse triângulo, existe a espiritualidade. Esse é o biopoder camponês. A evolução da vida é muito mais do que algumas regras, é entender a mística do agricultor, o poder cósmico da mente e como isso se transforma em ciência.

Noam Chomsky diz que a única esperança para a humanidade são os indígenas.

Junto com as populações tradicionais, o agricultor tem condições de reverter a realidade em que vivemos. Tudo que vimos juntos até aqui serve para construir alternativas e saídas. Um caminho diferente está em reconhecer o biopoder e superar o desespero. Somos maiores do que tudo isso.

Nota de agradecimento

Neste contexto eu, Eurico, vejo que o curso Solo Sadio, Planta Sã, Comida Saudável, Noosfera tem um enorme potencial para criar uma nova realidade nesse momento em que os poderes públicos se corrompem e curvam para que as grandes corporações transnacionais possam lucrar às custas do genocídio indígena, do assassinato de ambientalistas, de lideranças sociais e campesinos, do envenenamento de todos que consomem seus produtos e da completa degradação do solo, da água e da biodiversidade nos territórios onde atuam.

Agradecemos a todas e todos e companhia na jornada na construção de um mundo onde o ato de comer é também um ato de cura das pessoas, do coletivo, da economia e da biodiversidade e é sustentado pela agricultura familiar, indígena e agroecológica.

Pedimos a todos e todas que compartilhem o curso com suas recomendações pessoais sobre como ele contribuiu para sua vida, que reflexões trouxe e como te inspirou a agir.

Eu e toda a equipe de produção agradecemos a todos que participaram deste curso e imensamente ao professor Sebastião Pinheiro pelo apoio e carinho incansáveis a agricultura familiar, indígena e agroecológica!