“Se a poluição é o preço do desenvolvimento, estamos dispostos a pagá-lo”. Uma Genealogia da Política Ambiental Brasileira por Walter Steenbock

Se a poluição é o preço do desenvolvimento, estamos dispostos a pagá-lo.

Esta foi a postura do governo brasileiro na primeira conferência mundial sobre meio ambiente, ocorrida em Estocolmo, em 1972. Há quase meio século, portanto, no frenesi de seu milagre econômico, o Brasil ficou marcado não só como grande poluidor, mas como interessado em pagar qualquer preço pelo desenvolvimento (e disso a imensa dívida externa contraída neste período não deixa dúvidas).

Naquela época, não havia Relatório Brundtland e ninguém ainda havia pensado no tripé econômico, social e ambiental de um tal conceito de desenvolvimento sustentável. Não havia Agenda 21, nem Protocolo de Kyoto, nem muito menos Acordo de Paris. O mundo estava ensaiando a elaboração de acordos internacionais sobre meio ambiente. Mesmo assim, a postura radical brasileira foi suficiente para a proposição de sanções internacionais importantes, cobrando do governo federal a implementação de uma política ambiental.

E foi assim que, nove anos depois, em 1981, criamos a nossa Lei no 6.938/81 – a Política Nacional de Meio Ambiente. Paradoxalmente, ainda sob regime militar criamos uma das legislações ambientais consideradas, até hoje, das mais progressistas e mais capazes de associar conservação da natureza e desenvolvimento. E, literalmente (e infelizmente), apenas para inglês ver.

Os ingleses e o mundo inteiro viram e nos livramos das sanções, muito embora a falta de intenção de implementar a tal política, manifestada pela quase inércia de sua regulamentação até o fim do regime militar. Porém, querendo ou não, tínhamos então uma lei federal sobre o tema, que ensejava sua implementação.

Em 1988, a maior parte dos princípios e diretrizes da Política Nacional de Meio Ambiente encontraram reflexo em dispositivos da nova Constituição Federal. Todavia, faltavam instituições que viessem a implementar tais dispositivos. Então, logo em 1989, cria-se o IBAMA e nos primeiros anos da década de 90 foram criados a maior parte dos órgãos estaduais de meio ambiente.

Mas para a implementação da Lei faltava, ainda, dois componentes fundamentais: gente e regulamentos. Ou seja, o quadro de servidores do IBAMA e dos órgãos estaduais de meio ambiente era imensamente reduzido para a missão a que se propunham e, como se não bastasse, não era suficiente que a Constituição declarasse, por exemplo, que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, que seria necessário a elaboração de Estudos de Impacto Ambiental para o licenciamento de empreendimentos com significativo impacto ambiental ou que haveria sanções a crimes ambientais. Para a atuação dos órgãos ambientais, era necessária a regulamentação destes dispositivos.

Com muito esforço e articulação, foi basicamente nos últimos anos da década de 90 que ocorreu a construção de regulamentações importantes. Foi somente entre 1997 e 2000 que finalmente criamos instrumentos legais para detalhar procedimentos e regulamentações em relação à gestão de recursos hídricos, ao licenciamento ambiental, à educação ambiental, aos mecanismos de sanções a crimes ambientais e à criação de Unidades de Conservação, entre outros temas abordados pela Lei 6.938/81 e pela Constituição Federal. Há esta época, nossa Política, elaborada para inglês ver, já atingia a maioridade.

Ainda faltava (e ainda falta) gente suficiente para colocar em prática, de forma eficiente, os tais dispositivos. Entretanto, ao menos em nível federal, os primeiros anos do novo milênio viram a quantidade de servidores do IBAMA praticamente triplicar, em sucessivos concursos públicos (os primeiros da instituição). Em processos de seleção cuja relação candidato/vaga era de centenas de candidatos para cada vaga, o IBAMA veio a receber uma grande turma de novos servidores, a maioria jovens, de diferentes formações e muitos com pós-graduação, que se embrenharam nos quatro cantos do país.

O licenciamento ambiental federal deixou de ser cartorial; grandes operações de fiscalização foram executadas, com foco especial no combate ao desmatamento; a educação ambiental superficial passou a ser educação para a gestão ambiental pública. Nada novo. Apenas estava se começando a colocar massivamente em prática o que estava escrito, há mais de 20 anos, na Lei. E os avanços foram incontáveis.

Em relação à gestão de Unidades de Conservação (UCs) federais, os avanços se fizeram mais notáveis a partir de 2007, com a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com a missão de “proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental”, o ICMBio responde pela implementação, gestão, proteção, fiscalização e monitoramento de, atualmente, 335 UCs instituídas pela União sob sua responsabilidade – que correspondem a cerca de 10% do território continental e 26% da zona econômica exclusiva marinha. As UCs federais abrigam doze categorias de manejo – desde as Áreas de Proteção Ambiental, em que prevalecem as medidas de ordenamento territorial, às Reservas Biológicas, desenhadas para preservar patrimônio biológico. Concursos públicos e muita luta pela sua estruturação trouxeram aportes importantes ao ICMBio, que hoje é considerado, mundialmente, como órgão de excelência na gestão de Unidades de Conservação.

Fazer a lei funcionar, entretanto, gera reação a quem não a segue. Não foram poucos os grandes produtores rurais que passaram a se mobilizar para a flexibilização “destas novas leis do IBAMA”; não foram poucos e nem pouco poderosos os grandes empresários que passaram a se mobilizar para a “flexibilização do licenciamento ambiental”; e não foram poucos os políticos que recepcionaram estas demandas, ou mesmo que foram autuados em crimes ambientais. É o caso, por exemplo, do próprio presidente eleito, que fora multado por estar pescando ilegalmente em uma Estação Ecológica.

O autuado virou presidente, quase meio século depois da criação da nossa Política Nacional de Meio Ambiente; e justamente quando, somente há poucos anos, a mesma passa ser mais efetivamente implementada. Como promessas de campanha, a redução de direitos aos quilombolas, nenhum centímetro a mais de terra para os indígenas, garantias de políticas de expansão da fronteira agrícola na Amazônia e acabar com a “indústria de multas” do IBAMA e do ICMBio. Já após eleito, mas antes ainda da posse, a proposta de agregar o Ministério do Meio Ambiente na pasta da Agricultura (seja oficialmente ou condicionando o funcionamento da agenda ambiental a esta pasta), a desistência do Brasil em sediar a Conferência do Clima da ONU em 2019, as declarações de rompimento com o Acordo de Paris e as declarações irritadas de seu fiel escudeiro sobre o quanto a Noruega precisa aprender conosco a cuidar do ambiente são apenas amostras do que está por vir.

Para quem estudou história, sabe que ela é uma roda gigante. É óbvio que virão sanções internacionais às novas versões da postura de que “se a poluição é o preço do desenvolvimento, estamos dispostos a pagá-lo”, sanções estas adaptadas a uma organização mundial muito mais complexa e condicionada por acordos que nem se sonhava existir a meio século atrás. Economicamente, portanto, o desastre será grande e novamente seremos pressionados à maior responsabilização ambiental. E o faremos, em médio prazo, para inglês ver ou não.

Porém, quando o fizermos, talvez não faça mais sentido, já que o desastre maior será ambiental e social e, em muitos aspectos, irreversível. Levamos quase 50 anos para estruturar o funcionamento de uma política ambiental. Neste período, apesar de todos os esforços, vimos o desastre de Mariana, vimos a expulsão de indígenas de suas terras, vimos o imenso desmatamento da Amazônia… agora, estamos prestes a tornar regra o desastre, e não o seu controle. E, muito provavelmente, não teremos mais tempo e nem capacidade social ou institucional para reconstruir o que será destruído.

Walter Steenbock é doutor em ciências pela Universidade Federal de Santa Catarina e leciona disciplinas relacionadas com a Legislação Ambiental, Avaliação de Impactos Ambientais e Política Ambiental. Walter também é pesquisador e autor com interesse especial pela agroecologia, agricultura familiar e uso de sistemas agroflorestais para recuperação de áreas degradadas. Desde 2002, Walter tem atuado como analista ambiental do IBAMA e posteriormente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Extinção prevista, Extinção Ignorada

Grande parte dessas pessoas que negam o aquecimento global, não está interessada de verdade em mitigar o aquecimento global. O que elas querem é manter seus privilégios até o final, mesmo que isso acarrete a extinção de todos.

Tradução livre, Eurico Vianna, PhD.

O texto que segue é uma tradução livre de um artigo do Professor Eméritos da Universidade do Arizona, Dr. Guy C. McPherson em seu website no dia 17 de novembro de 2018. Suas áreas de pesquisa e ensino por décadas foram Recursos Naturais, Biologia Evolutiva e Ecologia. Desde 2009 quando Guy começou a anunciar que os resultados de suas pesquisas apontavam para um aquecimento global repentino com a subsequente extinção em massa da vida no planeta, ele passou a viver em um sítio e a dedicar seu tempo para difundir suas descobertas.

Guy, que é atacado no nível pessoal por alguns críticos, ainda não recebeu críticas consistentes sobre as fontes usadas, os dados e os resultados publicados. Ou seja, para alguns é mais fácil denigrir o mensageiro do que encarar a realidade da mensagem.

De fato vivemos em tempos estranhos. Enquanto alguns declaram “não acreditar” em aquecimento global, centenas de cientistas sérios ao redor do mundo já discutem a possibilidade de que ele seja repentino e devastador. Grande parte dessas pessoas que negam o aquecimento global, não está interessada de verdade  em mitigar o aquecimento global. O que elas querem é manter seus privilégios até o final, mesmo que isso acarrete a extinção de todos.

Esse é o exemplo do presidente estadunidense Donald Trump, que diz “não acreditar” em aquecimento global. Quando na verdade suas declarações são movidas por interesses financeiros. Sua administração acaba de tentar abafar o relatório sobre os perigosos impactos do aquecimento global para o seu país lançando o relatório durante a Black Friday (dia em que a maioria dos cidadãos estadunidenses vãs as compras para aproveitar os descontos da data). O relatório, assinado por mais de 300 cientistas e repleto de pesquisas revisadas por especialistas, diz que:

o aquecimento global gera novos riscos e exacerba vulnerabilidades existentes nas comunidades por todo os EUA, apresentando desafios crescentes para a saúde humana, segurança, qualidade de vida e crescimento econômico.

Já no Brasil, o atual governo ilegítimo de Michel Temer, que é suspeito de ter recebido propina da construtora Oderbrecht, mas que recebeu imunidade parlamentar, retirou a candidatura do país para sediar a COP-25 em 2019. O presidente eleito Bolsonaro, avisou durante campanha, em 2017, que em seu governo não haverá “nem um centímetro [de terra] para quilombola ou reserva indígena”. Ele também defende a exploração econômica de terras indígenas e avisou que vai limitar o poder de fiscalização do IBAMA e ICMBIO. Essas medidas já teriam grande impacto ambiental, por uma série de razões: a) é sabido que a preservação ambiental tem muito mais sucesso em terras indígenas e quilombolas, por conta do paradigma cultural vivido por essas comunidades; b) são exatamente essas comunidades que podem nos ensinar como viver mais harmoniosamente com Gaia, e não o contrário; c) é sabido que tanto o ICMBIO quanto o IBAMA, apesar de muita dedicação, não tem recursos humanos suficientes para monitorar a devastação criminosa que acontece por todo o pais.

Para piorar ainda mais a questão ambiental, o presidente eleito já anunciou a representante das empresas de agrotóxicos no congresso, Teresa Cristina, para o Ministério da Agricultura e o presidente da União Democrática Ruralista, Nabhan Garcia, para a secretaria de assuntos fundiários. Todo esse quadro absurdo, coloca o Brasil no liderança do retrocesso mundial sobre as questões ambientais e climáticas.

Tanto Trump, como Bolsonaro, são exemplos claros do tipo de ser humano que, para manter seus privilégios, são capazes de comprometer o futuro de todos no planeta.

Mas enquanto para alguns a notícia de que pode ser tarde demais para mitigar os impactos devastadores de um aquecimento global repentino, para outros como eu, a notícia só reforça a missão de viver na plenitude a conexão com a natureza e de criar santuários de sanidade mental e ecológica, mesmo que só sejam eternos enquanto durarem (para parafrasear Vinícius)

Extinção prevista, Extinção Ignorada

Por Dr. Guy McPherson (17/11/2018)

Quando ameaçadas com a própria extinção, grande parte das linhagens, humanas ou não, não fazem nada espcial para evitá-la.

~ George C. Williams

O cientista Americano da biologia evolutiva C. Williams morreu em setembro de 2010 aos 83 anos de idade. Eu duvido que ele soubesse que estamos enfrentando nossa própria extinção eminente. Quando Williams morreu eu já vinha soando o alarme nessa área há 3 anos. E eu não estava sozinho. Os avisos mencionados nesse curto artigo não foram os primeiros sobre as catástrofes climáticas que provavelmente resultarão da queima de combustíveis fósseis.

Pouco tempo usando sua ferramenta de busca favorita na internet o levará a encontrar George Perkins Marsh soando o alarme em 1847, ao importante artigo de jornal escrito por Svente Arrhenius em 1896, às versões mais jovens de Al Gore, Carl Sagan e James Hansen testemunhando diante do congresso estadunidense na década de 1980. Existem muitos mais, claro, mas todos ignorados por pouco dinheiro em alguns poucos bolsos.

A projeção do ritmo gradual das mudanças climáticas, baseada no modelo do PIMC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) já ultrapassa 10.000 vezes a resposta adaptativa (capacidade de adaptação genética) dos animais vertebrados. Mais próximos dos Homo sapiens, os mamíferos não conseguem evoluir rápido o suficiente para escapar a crise de extinção em massa já em andamento. Os humanos são mamíferos vertebrados.

Acreditar que nossa espécie pode evitar a própria extinção mesmo quando outros mamíferos vertebrados desaparecem é a clássica soberba humana envolta em um manto quente de mitos baseados em supremacia humana. A evidência aponta para o fato de que os humanos se juntarão a aniquilação de toda a vida no planeta, como relatado no jornal científico de 13 de novembro de 2018 (https://www.nature.com/articles/s41598-018-35068-1). Afinal, os seres humanos estão vivos, embora uns mais que outros. O catastrófico derretimento descontrolado das plantas nucleares do mundo seriam suficientes, mas não necessárias, para extinção a curto prazo da vida na Terra. “Só” o aquecimento global repentino é necessário para extinguir toda a vida no planeta.

Qual foi a resposta a esses avisos durante a História? A mudança de parâmetros. Ignorar a quantidade enorme de trabalhos científicos. Jogar a cautela pela janela. A mídia corporativa, os governos e a maioria dos climatologistas continuam a aderir à meta de 2°C proposta pelo economista William Nordhaus em 1977 : “Se houvesse um aumento das temperaturas globais que ultrapassasse a atual temperatura média em torno de 2°C ou 3°C, isso levaria o clima para fora das variações observadas nas últimas centenas de milhares de anos.”

Sabemos mais sobre climatologia hoje que sabíamos em 1977. E cientistas verdadeiros sabiam, mesmo naquela época, que economistas não deveriam ser tratados como cientistas. Não é de se admirar que Nordhaus tenha sido laureado com um Prêmio Nobel em Economia baseado em motivações políticas no começo do ano. Não me surpreenderia se ele tivesse sido laureado com o Nobel da Paz se juntando ao time de especialistas em genocídio Henry Kissinger e Barack Obama.

Atualmente o planeta está 1.73°C acima do parâmetro estabelecido em 1750 no começo da Revolução Industrial. De acordo com um artigo científico publicado por James Hansen e colegas na Earth System Dynamics, essa temperatura média global é a mais alta desde o surgimento do Homo sapiens. Em outras palavras, nossa espécie nunca viveu em um planeta mais quente do que o que agora vive a atual crise de refugiados causada pelo desaparecimento do habitat para humanos. E nós nem chegamos ao limite de 2°C (sic) estipulado por Nordhaus. A resposta da abordagem convencional à crise, que se acelera cada vez mais e é conhecida como aquecimento global repentino é mudar os parâmetros do que é aceitável. Ao invés de admitir que o planeta está quase 2°C acima dos parâmetros de 1950, governos e muitos cientistas determinaram que o parâmetro na realidade é 1981-2010 ou mais. Aderir ao Princípio da Precaução obviamente está fora de moda.

Por décadas nós sabemos que a meta de 2°C , gravada em pedra por Nordhaus, é perigosa. De acordo com o chefe do Instituto Americano de Petróleo, nós já estávamos atrasados para lidar com gases de efeito estufa em 1965. Ao final de junho de 1989, Noel Brown, o diretor do Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas em Nova York, disse que teríamos apenas até o ano 2000 para evitarmos um aquecimento global catastrófico. Cerca de 16 meses depois do aviso de Brown, em outubro de 1990, o Conselho das Nações Unidas para Gases de Efeito Estufa determinou o aumento máximo absoluto (da temperatura média do planeta) em 1°C. Em outubro de 2014 o climatólogo e autor David Spratt disse que 0.5°C seria o limite máximo (https://vimeo.com/63614114).

Provavelmente já era tarde demais para reverter o aquecimento global repentino e irreversível em 1977 quando Nordhaus compartilhou sua opnião genocida. Já era certamente tarde demais em 1989. E deixando de lado as palavras de conforto, nós não fizemos nada para prevenir nossa extinção desde que os avisos, perto ou longe, começaram a aparecer.

Em outubro de 2018 o PIMC da ONU indicou que temos até 2030 para evitarmos que as temperaturas médias globais aumentem 1.5°C acima dos parâmetros que não param de ser flexibilizados. Sim, é isso mesmo. A ONU está recomendando uma temperatura média bem abaixo da temperatura atual como ‘alvo’. Mas fica pior, claro. O Secretário Geral da ONU António Guterres diz que temos até 2020 para virar o jogo. Até agora a única forma pela qual nós humanos podemos mudar as temperatura média global, para cima ou para baixo, é a redução da atividade industrial, o que alivia o efeito da camada de aerossóis e, portanto, leva rapidamente a temperatura média global a níveis ainda mais altos. Mas se estamos interessados em manter o habitat para vertebrados e mamíferos no planeta, essa não é a direção que queremos que a temperatura tome. A perda da camada de aerossóis significa a perda de habitat para os humanos e a nossa extinção em seguida.

O cenário fica inimaginavelmente pior a cada dia, claro. As últimas informações publicadas em jornais científicos finalmente concordou comigo concluindo que a sexta maior extinção em massa (o Antropoceno) pode aniquilar toda vida na Terra (https://www.sbs.com.au/news/climate-change-may-cause-mass-extinctions-new-report-shows). Um artigo científico publicado na Science Reports chega nessa conclusão baseado no ritmo das mudanças ambientais, o que consiste com minhas próprias conclusões. Como uma pessoa que ama a vida, minha satisfação com uma das fontes mais conservadoras é assoberbada pela tristeza da perda.

Colocando de forma simples, nosso destino como espécie está fadado. Nós estamos indo rumo a extinção rápida, mesmo tendo sido avisados por mais 150 anos. É um conto trágico. E como foi dito pelo cientista da biologia evolutiva George C. Williams, nossa espécie mal fez um gemido quando o martelo bateu.

O agro esconde, o agro mente, o agro mata!

A questão do uso dos agrotóxicos no Brasil não é polêmica, é econômica e gira na casa dos bilhões  de Reais. A relativização e o questionamento dos estudos científicos que apontam o impacto negativo do agronegócio no meio ambiente e na saúde, fazem parte de uma estratégia de marketing chamada ‘controle de danos’.

O “controle de danos” visa mitigar danos causados à credibilidade, reputação ou imagem pública de uma empresa causados por uma ação ou declaração duvidosa ou má fé no exercício de suas funções. E é exatamente isso que tem acontecido com o agronegócio no Brasil e no mundo. Novas pesquisas interdisciplinares tem revelado o impacto negativo do modelo de produção agricultural e pecuarista do agronegócio tanto para o meio ambiente, como para a saúde pública. Consequentemente o agronegócio tem produzido vídeos, artigos e memes, que tem circulado a internet e as mídias sociais, relativizando seu impacto ambiental negativo e a gravidade da intoxicação direta e indireta causada pelo uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos nas lavouras e pecuária.

Umas das propriedades de P.A. Yeomans, projetadas com a Escala de Permanência da Linha Chave. O manejo da água nessas propriedades garante resiliência contra secas e queimadas e água para produção de alimentos durante todo ano.

Pesquisadores da agroecologia como Pablo Titoonell, Stephen R. GliessmannMiguel Altieri e abordagens do desenho regenerativo como a permacultura, a Escala de Permanência da Linha Chave e o Gerenciamento Holístico tem mostrado que é possível produzir mais alimentos sem o uso de herbicidas, pesticidas e fertilizantes químicos. Essas áreas de pesquisa, desenho e movimentos sociais vão além, eles mostram que o modelo de produção da agricultura familiar produz alimentos mais nutritivos, geram mais empregos, trazem soberania alimentar e qualidade de vida para os envolvidos e conseguem fazer tudo isso regenerando os ecossistemas nos quais se baseiam.

Para termos uma ideia, o agronegócio produz apenas 30% do alimento para população mundial usando de 70 a 80% das terras aráveis, 70% da água e 80% dos combustíveis fósseis. A agricultura familiar, por outro lado, produz de 50 a 75% do alimento da população mundial usando apenas de 25 a 30% das terras aráveis, 30% da água e 20% dos combustíveis fósseis usados em toda a agricultura (Altieri, 2015; Tittonell, 2014). Em muitos casos a agricultura familiar chega a ser 20 vezes mais energeticamente eficiente do que o agronegócio. Além de de produzir Alguns pequenos produtores rurais grãos, tubérculos, frutas, castanhas, etc. o pequeno produtor rural ainda consegue fornecer proteína animal suficiente para alimentar 34 pessoas por ano por hectare (Altieri, 2015). Para uma comparação mais detalhada entre o agronegócio e a agricultura familiar veja o artigo Os Pequenos Produtores Rurais Contra o Agronegócio.

Antes (1963) e depois (2003) de uma propriedade manejada dentro dos preceitos do Gerenciamento Holístico no México.

Todos esses dados e pesquisas mostram que o modelo de produção do agronegócio está definivamente ultrapassado do ponto de vista social e ambiental. Resta a questão econômica. Segundo estimativas da CNA (Conferação deAgricultura e Pecuária no Brasil) a agricultura e o agronegócio contribuíram com 23.5% dos R$6,6 trilhões do PIB (Produto Interno Bruto) do país em 2017. Todo esse lucro não leva em conta as chamadas externalidades, ou seja, os custos da devastação ambiental, do êxodo rural e dos problemas de saúde causados pelo uso dos agrotóxicos. A distribuição dessa renda no Brasil e o que vai para o estrangeiro também é outro fato que sempre fica fora das estatísticas apresentadas; outra tática de marketing de comunicação dessas corporações.

Tendo em vista que todo esse conhecimento trás uma péssima reputação para o agronegócio, as estratégias de “controle de danos” pela indústria, pelos setores simpatizantes do governo e pelos acadêmicos ‘colonizados’ são as de sempre. Primeiro, ignorar os dados e pesquisas contrários ao agronegócio enquanto for possível. Depois ridicularizar e descrever as pesquisas e os meios de produção alternativos de forma imprecisa, conduzir pesquisas e comparações falsas para, finalmente, desacreditar as alternativas (Mulligan, M. e  Hill, S. em Ecological pioneers: A social history of Australian ecological thought and action. 2001).

Meme do MBL com informações e comparações fora de contexto e fontes imprecisas. Exemplo clássico de marketing a favor das grandes corporações.

Grande parte do material de marketing e propaganda do agronegócio que tem vindo à tona usa meias verdades, linguagem científica e até mesmo cita publicações que não foram revisadas por especialistas ou que tiveram times inteiros de pesquisadores comprados como forma de “controle de dano”. Também é muito comum a técnica de “enquadramento” de editorial da mídia corporativa. Um exemplo clássico é um dos vídeos que tem circulado a internet onde uma apresentadora com ares de jornalista imparcial faz comparações da área usada para a agricultura industrial no Brasil e em outros países. As comparações, assim como a linguagem do vídeo, leva a audiência a pensar que em relação a outros países o Brasil deveria estar usando ainda mais área para desenvolver o agronegócio. De maneira sutil o enquadramento muda, tira de questão os malefícios desse modo de produção e faz a audiência pensar que o Brasil está atrasado em relação a outros países industrializados. Na verdade, o que está em questão é que toda a abordagem da agricultura e pecuária industrial está ultrapassada em qualquer lugar. Em todos os países onde é utilizada ela degrada o meio ambiente e a saúde das pessoas.

Um meme usando fatos verdadeiros, porém fora de contexto, sobre a água para mostrar como as campanhas de “controle de danos” funcionam.

A mesma prática foi usada em um meme do MBL, movimento bancado pelos think-tanks da ultra-direita e por partidos neoliberais como o MDB e o PSDB. No meme 5 “fatos” sobre os alimentos orgânicos são apresentados. Nomes de organizações internacionais são usadas para validar os “fatos”, mas nenhuma delas é utilizada de forma que as informações possam ser verificadas. É uma estratégia de contra-inteligência do “controle de danos” que consiste em inundar os meios de comunicação com meias-verdades pintando como polêmico ou controverso um assunto que a ciência séria já comprovou, mas que os resultados não são favoráveis para as corporações.

O documentário O Mundo Segundo a Monsanto, da cineasta francesa Marie-Monique Robin já denunciava as práticas de “controle de danos”, marketing e coação dessa gigante do agronegócio desde 2008. Mais recentemente outros documentos e mensagens eletrônicas da empresa vieram à público revelando a empresa já sabia que seu principal produto químico, o glifosato, é altamente cancerígeno. Essas práticas, no entanto, são largamente praticadas entre as corporações multinacionais do agronegócio.

A cerca da gravidade dos problemas trazidos trazidos pelo agronegócio, a ONU já emitiu um relatório dizendo que precisamos entregar a produção de alimentos para os pequenos produtores antes que seja tarde demais.

Os resultados do relatório em muitos aspectos parecem repetir os resultados do relatório emitido pelas Nações Unidas em 2010 (link para relatório original em inglês). O relatório anterior basicamente informava que a melhor maneira para ‘alimentarmos a população mundial’ é produção orgânica de pequena escala e não a monocultura e o uso OGM.

De acordo com o novo relatório das Nações Unidas precisamos de mudanças drásticas em nossa alimentação, agricultura e comércio. E essas mudanças devem ser em direção aos pequenos produtores rurais e a um sistema de abastecimento alimentar local.

Precisamos, portanto, usar de muito pensamento crítico ao assistir vídeos ou ler artigos que defendam o agronegócio, os alimentos geneticamente modificados e o uso de herbicidas, pesticidas e fertilizantes químicos. De um modo geral, ao analizarmos notícias, artigos e vídeos que defendam o agronegócio, devemos pensar e buscar fontes confiáveis para sabermos se é ecologicamente seguro, se é socialmente justo (e aqui se inclui as questões de saúde) e, por fim, se o lucro gerado é bem distribuido e fortalece a economia das regiões onde se dá a produção.

Abaixo eu contextualizo algumas áreas severamente impactadas pelo agronegócio e suas práticas e compartilho ainda mais fontes de pesquisas que comprovam o quão nocivo esses produtos podem ser para a saúde dos humanos e do planeta.

Impacto na saúde

Nós últimos anos várias pesquisas de mestrado, doutorado, livros e artigos científicos foram publicadas e revisadas por especialistas, revelando a ligação de alimentos geneticamente modificados, herbicidas, pesticidas e fertilizantes químicos com doenças como câncer, Alzheimer, Parkinson, asma e diabetes. No Brasil, os documentários O Veneno Está na Mesa (2011) e O Veneno Está na Mesa 2 (2014) de Sílvio Tendler, o livro Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Européia (2017), de Larissa Bombardi e movimentos como a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida são boas referências para reflexão e comparação com os materiais publicados pelo agronegócio e mídia corporativa porque citam fontes sérias e trabalhos que foram revisados por especialistas ou avaliados por bancas. São essas referências que revelam por meio de pesquisas sérias que o Brasil está entre os maiores usuários de agrotóxicos no mundo.

A exposição da população brasileira a esses venenos é gravíssima. Segundo Alan Tygel, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o brasileiro médio consome 5.2 litros de veneno por ano em sua comida. O agronegócio no Brasil faz uso de 504 agrotóxicos, dos quais 30% são proibidos na União Européia. Desde 2008 o Brasil é pais que mais usa agrotóxicos no mundo. O uso do glifosato, agrotóxico comprovadamente cancerígeno, no Brasil varia entre 5 e 9 kg por hectare, enquanto na União Europeia é limitado a 2kg por hectare. Outro problema grave é que o uso desses agentes químicos acaba contaminando os lençóis freáticos e por conseguinte a população por meio da água potável. Enquanto na União Europeia a quantidade máxima do herbicida glifosato que pode ser encontrada na água é de 0,1 miligramas por litro, o Brasil permite 5 vezes mais.

O trabalho da Larissa Bombardi revela que 8 brasileiros são contaminados por dia, segundo dados oficiais conservadores. Uma pesquisa da Fiocruz, no entanto, estima que para cada caso notificado, 50 casos não são notificados. Isso implica que entre 2007 e 2014, mais de um milhão de brasileiros foram intoxicados por agrotóxicos. Desde 2015 o governo deixou de publicar os casos de intoxicação por agrotóxicos, o que dificulta estudar os casos de intoxicação direta ou indireta por esses agentes químicos.

Sobre a questão do impacto dos alimentos transgênicos em nossa saúde, o livro Roleta Genética, de Jeffrey Smith publicado em 2009, ainda é uma das melhores referências. Nele, Smith revela documentos com informações pouco – ou não divulgadas – sobre testes de segurança de alimentos transgênicos que mostram claramente que não podemos confiar nessas grandes corporações para produzir nosso alimento.

Perda da Biodiversidade

A questão da perda da biodiversidade pelo uso de sementes transgênicas e pelo cartel criado pelas grandes multinacionais do agronegócio traz riscos enormes à segurança alimentar para a população de todo o planeta. John Tomanio produziu um infográfico para a National Geographic mostrando que entre 1903 e 1983 a industrialização da agricultura nos Estados Unidos causou uma perda de 93% das variedades de sementes. A tendência em todos os lugares onde a agricultura é industrializada é a mesma; de perda de biodiversidade e consequentemente da segurança alimentar. O aumento da temperatura média do planeta e os eventos climáticos extremos como enchentes, enxurradas, secas e ciclones agravam ainda mais essa questão da segurança alimentar uma vez que as monoculturas industrializadas são muito pouco resistentes a essas variações.

A perda da biodiversidade pelo modelo de produção do agronegócio, entretanto, vai além da questão do monopólio das sementes. O uso de pesticidas na agricultura e nas lavouras geneticamente modificadas tem causado a morte em massa de abelhas e outros polinizadores. O avanço do desmatamento tanto da Amazônia e do Cerrado brasileiros, dois dos biomas mais biodiversos do planeta, também é causado em grande parte pelo agronegócio. O desmatamento, por sua vez, traz a extinção de várias espécies que perdem seu habitat natural.

Esgotamento de Recursos

Como mencionei acima, o agronegócio usa de 70 a 80% das terras aráveis, 70% da água e 80% dos combustíveis fósseis usados na agricultura para produzir apenas 30% do alimento (Altieri, 2015).

A produção e distribuição de alimentos industrializados (o agronegócio) é totalmente dependente do petróleo. São os combustíveis fósseis que abastecem os tratores que aram, plantam e colhem os cultivos. Os adubos químicos, pesticidas e herbicidas são todos derivados de petróleo. E também são os combustíveis fósseis que mantém os padrões de mobilidade global (o trânsito internacional de produtos e pessoas). Agravando ainda mais a situação, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), a erosão causada pelo agronegócio chega a perder até 20 toneladas de solo por ano para produzir 500 quilos de alimento por pessoa. E segundo dados da ONU, até 2025 em torno de 50% da população mundial será impactada pela escassez de água.

Esse é outro grande problema do modelo industrial de agricultura e pecuária, ele esgota os próprios recursos que precisa no decorrer de sua produção se tornando cada mais caro e inviável.

Promovendo Segurança Alimentar e Restaurando a Bacia do Descoberto usando SAFs com o MST

Em setembro de 2018 estive com o Osmany Segall visitando 4 famílias assentadas em um acampamento do MST no Distrito Federal. Essas famílias participam, do Programa Água Brasil, “que visa à conservação de recursos hídricos” no país. O programa, que é fruto de uma parceria entre a WWF e a Fundação Banco do Brasil, tem foco exclusivo em soluções para problemas relacionados ao tema. Osmany foi convidado para da elaboração e implementação do projeto pelos amigos do Mutirão Agroflorestal Igor Aveline e Fabiana Penereiro. O projeto apresentado pelo time, no entanto, também foca na problemática da segurança alimentar e viabilidade econômica entre os integrantes do MST e apresenta a implementação de sistemas agroflorestais como solução interdisciplinar para todas essas questões de recuperação de recursos hídricos, segurança alimentar e viabilidade econômica.

A primeira etapa do projeto, que já vem sendo desenvolvido há 8 meses, atendeu 8 famílias nos assentamentos Gabriela, Graziele e Canaã e já implementou sistemas agroflorestais em aproximadamente 4 hectares. A segunda etapa do projeto que começa agora na estação das chuvas visa aumentar a área implantada na Bacia do Descoberto para 17.8 hectares somando a participação de 37 famílias assentadas. Para a primeira etapa, dois cursos de capacitação foram ministrados nos assentamentos como pré-requisito para a participação das famílias. Subsequentemente mutirões de implementação foram organizados entre os coordenadores do projeto e os participantes para estabelecer as primeiras 8 áreas de plantio e a participação coletiva também era pré-requisito para as famílias que queriam participar.

Em todos os casos as famílias foram ouvidas em um processo de diagnóstico participativo que orientou o desenho, também participativo, das áreas de acordo com necessidades e contextos específicos. Ainda assim, a criação de 3 áreas distintas de implementação em cada terreno foi comum na grande maioria dos casos. Foram essas: áreas de enriquecimento, áreas (de plantio) intensivas e áreas de engorda de solo.

Um canteiro de engorda de solo à esquerd e um de plantio intenso à direita no terreno da Tânia e Silvano.

Para as áreas onde já haviam árvores frutíferas, do cerrado ou hortas sendo manejadas pelas famílias foram criadas áreas de enriquecimento. Nessas áreas o objetivo principal foi a diversificação das espécies e da estratificação do sistema.

Áreas intensivas foram criadas onde já haviam árvores nativas, pomares ou hortas de forma a aumentar uma produção já existente. Nesses casos foram estabelecidos sistemas de plantio denso com árvores frutíferas, de madeira e hortaliças. Via de regra, essas áreas com foco mais específico na segurança alimentar e viabilidade econômica da famílias atendidas, eram menores por conta da necessidade de manejo intenso.

Para terrenos muito compactados e degradados foram criadas áreas de engorda, usando o entendimento da sucessão ecológica para recuperar o solo, foram plantadas nessas áreas plantas forrageiras, fixadoras de nitrogênio e capins. O feijão guandú, o feijão de porco e a crotalária, por exemplo, foram utilizados tanto para poda quando para produção de matéria orgânica para cobertura do solo. Essas plantas integram um conjunto chamado nos sistemas agroflorestais de plantas adubadeiras.

O contexto específico de cada família, assim como a topografia do terreno e pomares já estabelecidos exigiu abordagens e técnicas diferentes na implementação de cada SAF. Abaixo eu sintetizo o contexto e soluções utilizadas nas áreas que visitamos.

Seu Gilberto mostrando um Araticum-de-raposa (Annona cornifolia), um arbusto frutífero do Cerrado.

Seu Gilberto é originalmente da região rural e semiárida do Piauí. Como muitos outros campesinos a falta de políticas públicas e acesso ao conhecimento que poderia torná-lo produtivo em sua região de origem, Seu Gilberto abandonou a vida que gostava para procurar trabalho nos grandes centros urbanos. Depois de muito tempo e esforço para dar aos filhos acesso a educação, Seu Gilberto continuava sofrendo com a vida urbana em pobreza. Com apoio de sua esposa, ele então se juntou ao MST para conseguir um terreno onde pudesse voltar a plantar, produzir e viver no campo.

Em seu terreno já haviam uma roça com mandioca, feijão e milho e um pomar com algumas frutíferas convencionais e do cerrado. Após fazer o curso de capacitação Seu Gilberto escolheu implementar uma área nova para aprender e só depois diversificar os sistemas já existentes. A área de SAF implementada no terreno é de aproximadamente 3000m2 e visa a produção de frutas e madeira em médio prazo. Como Seu Gilberto já tinha uma área de roça, a produção de hortaliça foi planejada nos canteiros de árvores e para subsistência apenas.

SAF com 8 meses na casa do Seu Gilberto.

Como antes do curso de capacitação Seu Gilberto não entendia a sucessão natural e a importância da cobertura e do acúmulo de matéria orgânica no solo, ele cuidou de sua área capinando impecavelmente qualquer planta invasora. O resultado foi um solo exposto, pobre e compactado que dificultou muito o estabelecimento do Capim-mombaça (Megathyrsus maximus) nas entrelinhas. Com a estação das chuvas chegando, o plano é semear novamente em algumas áreas e fazer roça de mandioca, milho, feijão e abóbora com adubação nos berços em outras.

Um canteiro mostrando um Eucalipto Cheiroso (Corymbia citriodora) ocupando o estrato emergente.

Grande parte dos assentamentos na Bacia do Descoberto foram estabelecidos em áreas que foram degradadas pela monocultura do eucalipto (E. Grandis), o que deixou essa espécie bastante estigmatizada na região. Como as árvores madeireiras de crescimento rápido são usadas para podas continuas que promovem a cobertura e recuperação do solo nos SAFs, Osmany e Igor, então convenceram Seu Gilberto a usar o Eucalipto cheiroso (Corymbia Citriodora) para essa função.

Outra peculiaridade do terreno e do contexto do Seu Gilberto era o risco de erosão e a escolha de várias frutíferas de estrato alto (porém de portes variados). Nesse caso a solução foi estabelecer as linhas do sistema perpendiculares ao declive e posicionar os consórcios com árvores mais altas na parte sul (e mais baixa) do terreno. Usando uma terminologia do desenho permacultural, foi feita uma análise de setor para identificar o aspecto solar e as áreas propensas à erosão. O posicionamento das árvores de maior porte ao sul do terreno consiste em uma técnica chamada ‘armadilha solar’ na permacultura.

Seu Gilberto compartilhou com a gente é que ele está mais saudável, mais ativo por conta do trabalho com o SAF. Ele comenta que tanto a quantidade como a qualidade de frutas, verduras e legumes na sua dieta melhorou muito. Ele também conta que é tão interessante ver os sistemas se desenvolvendo, tão gratificante fazer parte do manejo que otimiza a vida, que seus filhos estão começando a se interessar pela vida no campo.

Dona Tânia e Ana Júlia caminhando pelo SAF.

A próxima parada foi no terreno da Dona Tânia e Seu Silvano. Eles tem uma família grande e a geração de renda por meio dos sistemas agroflorestais era urgente. No caso deles então, uma área maior, de aproximadamente 4.000m2, foi estabelecida e a abordagem com as áreas de enriquecimento, intensiva e de engorda foi essencial.

Um pomar que já existia com mangueiras e outras frutas foi diversificado. Nessa área, além de outras árvores para compor os vários estratos, foram usados o feijão-de-porco, o milho e o Mombaça de forma a produzir alimentos, mas também matéria orgânica para cobrir e adubar o solo. Uma parcela de aproximadamente 1500 m2 com solo degradado foi trabalhada com a implementação de uma área de engorda. Nesse caso as linhas que receberiam árvores receberam plantas fixadoras de nitrogênio de ciclos de vida mais curto e o Mombaça foi plantado nas entrelinhas para ser usado como cobertura. E uma área intensa de 1500m2 foi estabelecida com hortaliças para consumo e venda do excedente.

Silvano orgulho do canteiro de engorda já com bananas.

Dona Tânia compartilhou que a dieta da família melhorou muito. Ela também comentou que abundância de alimentos produzidos em SAFs demanda um conhecimento específico no processamento dos produtos. Ela e Seu Silvano, que já haviam ampliado seus sistemas por conta própria, estavam com excedente de vários produtos como pimenta dedo-de-moça e repolho roxo com os quais gostariam de fazer conservas e geleias. A infraestrutura para esse tipo de processamento dos produtos ainda não está disponível nos assentamentos, mas Dona Tânia comentou que alguns dos produtores já estão se articulando para montar uma cooperativa.

Osmany e Mateus visitando o SAF na casa da Dona Andréia.

A terceira propriedade visitada foi a da Dona Andréia, que já estava inserida em um contexto convencional de produção de hortaliças com uso de fertilizantes e pesticidas químicos junto com seu irmão Alexandre. Dona Andréia participou do curso de capacitação com seu irmão e com seu filho, Mateus. Juntos eles fizeram a transição para uma produção completamente agroecológica em uma área de 3.000m2. Os SAFs foram implementados fazendo bastante uso das áreas intensiva e de engorda.

Dona Andréia, Alexandre e Mateus organizaram o desenho das áreas implementadas de forma a colher sementes e mudas para um viveiro que estão montando. Outra peculiaridade do sistemas deles foi alternar estratos altos e baixos em uma linha com médios e emergentes em outra, de forma a otimizar a entrada de luz, minimizar o manejo com podas e produzir hortaliças por mais tempo entre as linhas.

Eurico e ‘Professor’, genro da Dona Maria, conversando sobre o Mombaça plantado nas entrelinhas.

Por último visitamos a casa da Dona Maria. Assistida por sua filha e genro, a Dona Maria está implementando uma área de 4.000m2. No terreno dela, porque todos trabalham fora, as hortaliças não foram implementadas nas entrelinhas. Muito resistentes ao uso do eucalipto, eles escolheram substituir essa espécie pela Acácia mangium.

Nas entrelinhas foi usada uma combinação do Mombaça com o mileto (Pennisetum glaucum). Uma estratégia para compensar a falta da matéria orgânica que viria do eucalipto foi plantar o feijão Guandú junto com outras mudas de árvores para fixar nitrogênio e gerar biomassa. Onde não foi possível usar o Guandú, foi utilizado o feijão-de-porco com a mesma finalidade. Combinando essas estratégias foi possível implementar uma área consideravelmente grande para que fosse manejada por poucas pessoas e em dentro de poucos dias por semana.

Notas finais.

Quase todas as áreas foram implementadas ao final do período das chuvas, o que não é o ideal. Em alguns casos áreas muito grandes tiveram que ser aguadas à mão por uma pessoa só, até que um sistema de irrigação pudesse ser instalado. Todos os sistemas de irrigação instalados foram por gotejamento por conta da relação custo-benefício e também da necessidade de economizar água. Ainda assim, com exceção das áreas de entrelinha no terreno do seu Gilberto, todos os sistemas implantados tiveram uma ótima taxa de germinação e desenvolvimento. Enquanto novas áreas são implantadas nesse período de chuvas, as 8 famílias que participaram da etapa piloto vão aprimorar suas técnicas de manejo com podas.

Como forma de complementar a ajuda a essas famílias, o Osmany tem escoado o excedente de produção deles no ponto de entrega e feiras feitas pela Fazenda Bella em Brasília. Essa abordagem, que não foi planejada no projeto inicial, mas que tem se mostrado muito importante, também será ampliada nas próximas etapas.

De um modo geral, e por conhecer a realidade das pessoas mais pobres no Brasil, eu fiquei maravilhado com o trabalho dessas famílias. Elas fazem parte do MST, um movimento demonizado pelas elites e mídia corporativa por pregar a reforma agrária. Sem exceção, eles tem uma vida dura, marginalizados por não conseguirem participar da sociedade de consumo. Ainda assim, frequentemente com jornadas duplas de trabalho e com dificuldades financeiras enormes, estão zelando por seus terrenos e aprendendo a produzir alimentos em harmonia com a natureza. Ainda assim, não perdem a generosidade… Não houve uma casa onde não nos oferecessem um café e um lanche, onde não insistissem que ficássemos mais tempo. A dedicação deles, à revelia de tantas provações, mostra que é possível produzir alimentos recuperando lençóis freáticos, a biodiversidade local e acima de tudo promovendo justiça social. Parabéns ao Igor Avelino, Osmany Segall, Fabiana Penereiro e as 8 famílias que abraçaram os sistemas agroflorestais para mostrar ao mundo o que é possível quando se tem esperança, boa vontade, conhecimento e companhia!

Aprendendo com a Agrofloresta na Fazenda Bella

No sábado dia 15 de Setembro (2018) recebemos na Fazenda Bella uma visita informal de uma equipe do Ministério do Desenvolvimento Social que trabalha com o desenvolvimento de políticas públicas para a segurança alimentar. As perguntas trazidas pelo grupo são comuns nas visitas guiadas e cursos na fazenda. Elas também contam a história da evolução dos nossos sistemas e algumas práticas e abordagens que desenvolvemos ao longo desses últimos anos.

Embora já viéssemos fazendo um trabalho sério com a produção de frutas e hortaliças em sistemas agroflorestais desde março de 2015, ano passado a Fazenda Bella ganhou, juntamente com outras pessoas e organizações, o prêmio “Boas Práticas Sustentáveis em Áreas Rurais” da Secretaria de Agricultura do Distrito Federal. O prêmio trouxe mais visibilidade para nosso trabalho como educadores, trazendo um público maior para as visitas guiadas e para os cursos de agrofloresta, permacultura e bioconstrução que acontecem na Fazenda.

Além de buscar mais entendimento sobre como se dá a produção de hortaliças e frutas nos sistemas agroflorestais, a equipe que nos visitou estava interessada na qualidade dos alimentos produzidos, na viabilidade desses sistemas para a agricultura familiar e em como esses sistemas recuperam os processos ecossistêmicos enquanto produzem. Abaixo nós resumimos e agrupamos algumas das perguntas e respostas

Qual a melhor orientação desses sistemas em relação ao aspecto solar?
A resposta, que frequentemente incomoda as pessoas que buscam um entendimento simplificado e metodizado desses sistemas, é que a melhor orientação depende de uma série de variáveis como tipo de produção que será priorizada, qual a direção da inclinação do terreno, o quão íngreme é essa inclinação e qual a latitude da propriedade, por exemplo.

Embora nossos sistemas não tenham sido implementados em curva de nível, eles foram posicionados no sentido leste-oeste e relativamente perpendiculares à inclinação do terreno. No caso da Fazenda Bella, no entanto, o declive é virado para o norte. Escolhemos essa disposição porque, embora exija bastante atenção e manejo para que a quantidade de luz seja ideal, ela favorece a produção de hortaliças, um dos empreendimentos que queríamos desenvolver.

Se tivéssemos um foco maior na produção de frutas e madeiras, nós provavelmente teríamos implementado os sistemas com uma orientação norte-sul. No caso do nosso relevo essa orientação maximizaria o aproveitamento da luz solar.

Qual a distância ideal entre as linhas de árvores?
De novo, não existe ‘receita de bolo’. Os 3 primeiros sistemas que implementamos nós dispusemos as linhas de árvores à 5 metros de distância umas das outras com canteiros de hortaliças nas entrelinhas.

Durante o primeiro ano e meio em que estabelecemos esses 3 sistemas nós não tivemos um foco específico em nenhuma espécie de árvore. Ao contrário, nossa atenção foi na diversificação de espécies para que pudéssemos acelerar nosso aprendizado. Nós também não desenhamos canteiros para a produção de capim para ser usado como cobertura. O que aprendemos foi que, com boas condições de crescimento e nesse espaçamento as copas das árvores de estrato alto podem se fechar muito rapidamente (aproximadamente 2 anos), atrapalhando a produção de hortaliças e demandando trabalho extra com podas para otimizar a entrada de luz. Também pudemos perceber que a produção de hortaliças demandava mais matéria orgânica para a cobertura de canteiros e mais frequentemente que esperávamos.

Como o CEASA do DF fica no caminho que normalmente fazemos para ir e voltar da fazenda para entregas e outros serviços, nós contatamos alguns motoristas de caminhões de entrega que usam palha para proteger seus produtos. Com isso a caminhonete que voltaria vazia, passou a voltar das entregas carregada de palha para cobrir os canteiros. Um recurso de oportunidade, como diz a permacultura.

Um lado positivo dessa disposição de canteiros foi que embora nós não tivéssemos focado em frutíferas específicas para o estrato alto, nós focamos nos cítricos (estrato médio) e café (estrato baixo) e esses espécies se desenvolveram muito bem com essa disposição de canteiros. Nessas áreas nós acrescentamos algumas jabuticabas intercaladas à cada dois pés de café.

Já levando em conta o aprendizado com a implementação e manejo dos primeiros talhões, no ano passado nós implementamos uma área de aproximadamente 4.000m2. Dessa vez as linhas de árvores ficaram espaçadas à cada 8 metros, de forma a otimizar a entrada de luz solar por mais tempo o que por sua vez também mantém a produção de hortaliças por mais tempo.

Outra decisão que tomamos foi a de estabelecer o canteiro de árvores à partir de sementes. Fizemos bastante uso do feijão de porco e do guandú como adubadeiras e para produzir matéria orgânica para cobertura de solo. Também decidimos focar em uma árvore específica para o estrato alto, nesse caso a moringa.

Os canteiros de árvores de desenvolveram muito bem à partir das sementes e mudas de bananeira. Os consórcios de hortaliças também vinham muito bem e deixamos uma área para o cultivo de uma roça entre algumas das linhas de árvore. Nesse caso produzimos feijão, milho, mandioca, abóbora e quiabo. Com aproximadamente 6 meses com uma produção muito boa, as vacas estouraram a cerca elétrica e fizeram um banquete. A roça já havia sido colhida mas perdemos vários cultivos especiais de hortaliça que vínhamos preparando para nossos clientes. Depois de reforçar a cerca e fazer um trabalho de recuperação dos canteiros e novo plantio, a área recuperou bem aprodução.

Como fica a questão da utilização e dependência de insumos externos?
O ideal na implantação desses sistemas é encarar as plantas e a sucessão natural como ferramentas que nos ajudem a melhorar o fluxo energético (maximizando os processos fotossintéticos), a ciclagem de minerais e nutrientes (por meio da poda e cobertura do solo), o ciclo hidrológico (por meio da interação das árvores e suas raizes com a água da chuva e dos lençóis freáticos) e a dinâmica das comunidades (o enriquecimento da biodivesidade no solo e acima dele). No entanto, nem sempre o contexto do produtor rural permite que desenvolvamos essa agricultura de processos e acabamos por ter que utilizar alguns insumos.

Novamente decidimos não plantar capins para cobertura entre as linhas de árvore e hortaliça. Implementamos canteiros de capim ao redor da área como um todo e passamos a usar matéria orgânica dos aceros que fazemos para mitigar os altos riscos de queimada.

Também passamos a produzir nosso próprio adubo orgânico. Temos produzido o bokashi e temos aprendido a prepara-lo de acordo com necessidades e disponibilidades específicas do solo e matérias primas, respectivamente.

É realmente necessário trabalhar com eucaliptos?
Obs: Essa pergunta foi feita no sentido do eucalipto ser uma espécie exótica no Brasil com fama de degradar oslençóis freáticos onde plantado em monocultura.

Mais uma vez a resposta é contextual. Em condições ideais o eucalyptus grandis, espécie mais utilizada nesses sistemas, pode crescer até 4.5 metros por ano. Essa espécie é originária da Austrália, um continente com solos muito antigos e onde a população indígena fez uso do fogo para manejar a paisagem por milhares de anos. Por ter evoluído nessas condições o eucalipto se adapta bem a solos degradados no Brasil gerando muito matéria orgânica para o enriquecimento e cobertura do solo.

No contexto da Fazenda Bella a poda apical dos eucaliptos é feita quando estes atingem em torno de 6 metros de altura. Depois das primeiras podas é comum conseguirmos podar as mesmas árvores até 3 vezes por ano. O manejo de poda é feito nessa altura para produção de caibros utilizados nas bioconstruções da fazenda. No entanto, manter a poda dos eucaliptos nessa altura exige mais conhecimento específico e gasta mais tempo e energia no manejo. Por essas razões é comum ver o eucalipto com poda apical feita tem torno de 2 a 2.5 metros de altura em outros sistemas agroflorestais. O preço e disponibilidade da muda do eucalipto também é um fator que pesa na escolha. Uma vez que a grande maioria dos produtores rurais brasileiros pode facilmente comprar essas mudas por R$0,25 centavos.

A mutamba (Guazuma ulmifolia), uma árvore endêmica das Américas Central e do Sul, é uma ótima opção de árvore de estrato alto para esse tipo de sistemas agroflorestais. A mutamba tem taxa de crescimento semelhante ao do eucalipto, que produz uma fruta da qual pode se extrair um néctar, é melífera, a casca de seu tronco, folhas e frutos são medicinais, pode ser usada como forragem para o gado e outras criações e produz uma madeira melhor (mais densa) que a do eucalipto. No entanto, o preço da muda gira em torno de R$15 Reais e nem sempre pode ser encontrada com facilidade. Na Fazenda Bella estamos investindo na coleta de sementes e propagação de mudas que serão usadas no estabelecimento de novas áreas.

 

Mais Agricultura Regenerativa para virar a mesa

Árvores pioneiras são agentes de cura da natureza. Sempre que um distúrbio forte o suficiente acontece desequilibrando as coisas para um estado de degradação, elas aparecem. Elas crescem muito rápido e usualmente em céu aberto. Elas começam a produzir sementes cedo e regularmente. As sementes são espalhadas pelo vento e outras árvores germinam em áreas degradadas. Os pássaros pousam nas árvores, comem suas sementes e plantam mais pioneiras em lugares ainda mais distantes. As árvores sombreiam a área, quebram as pedras no solo com suas raízes e trocam açucares por minerais com a micorriza no solo. Elas transportam esses minerais tronco acima por meio da seiva e quando suas folhas caem todos esses nutrientes enriquecem a camada superior do solo. Elas criam sombra, habitats, coletam e preservam água e fertilizam o solo para que outras plantas e animais possam viver melhor depois delas. Essa cura milagrosa acontece com pouco ou nenhum cuidado.

Muito embora algumas pessoas ainda defendam que o processo evolutivo se dá por meio da sobrevivência da espécie mais forte, já há bastante tempo outras perceberam que é a cooperação que promove a vida. É a cooperação que ocorre entre e intra flora, fauna e fungos que combate a entropia e re-arranja o caos em sistemas complexos de vida. Todos os seres vivos nesse planeta instintivamente sabem seu qual é seu papel nesse jogo. Mesmo as forças que chamamos antagônicas como o Yin e o Yang, o bem e o mal, a vida e a morte não estão exatamente competindo. Essas forças também estão estão cooperando porque são complementares e uma não poderia existir sem a outra.

Nós, seres humanos, entretanto nos tornamos um animal completa e literalmente diferente. Como mostra um artigo recente no The Guardian, nós humanos representamos apenas 0,01% da vida no planeta, mas já destruímos 83% de todos os mamíferos selvagens (isso sem mencionar outras espécies). Muitos outros artigos jornalísticos e científicos podem ser encontrados apresentando evidências esmagadoras de que chegamos à beira de um colapso planetário. O aquecimento global causado pelos humanos recentemente quebrou todos os recordes históricos de ondas de calor e eventos climáticos extremos. Nós também somos a principal causa de perda da biodiversidade. Nossa ação nos trouxe à sexta maior extinção em massa em 3.8 bilhões de anos da história da vida no planeta, um período denominado Antropoceno. E grande parte, uma parte imensa na verdade, desse dano é causado pela agricultura industrial.

Mas porque aparentemente nós somos os únicos a nos distanciar de papeis que nutrem a vida enquanto nos aprimoramos no desenvolvimento de sistemas degradantes. Não deveríamos todos ser como aquelas árvores pioneiras? Não deveríamos todos deixar um mundo melhor com solos mais ricos, água em abundância e ar puro para as futuras gerações depois que nossas vidas efêmeras são ‘cicladas’? Eu acredito que uma das principais razões pela qual nós não agimos diante das informações aterrorizantes que já temos disponível é a desconexão. A desconexão de nós mesmos, das pessoas à nossa volta e do nosso ambiente natural que torna possível que o 1% que já detém mais de 50% dos recursos do planeta dominem o resto de nós.

Entretanto, se um dos maiores problemas é a agricultura industrial, os produtores rurais que vivem o paradigma da agricultura regenerativa podem se tornar os heróis do futuro, como diz o produtor rural e autor Charles Massy. Massy pesquisou 150 fazendas lucrativas e regenerativas para escrever o livro The Call of the Reed Warbler: a new agriculture, a new Earth. O livro que deriva em parte do trabalho de doutoramento de Massy também detalha a situação terrível em que a agricultura industrial colocou o mundo. E embora apresente evidências esmagadoras do quanto o aquecimento global e a degradação do solo ameaçam a nossa existência, por meio dos produtores rurais entrevistados e das fazendas visitadas Massy apresenta muitas modalidades regenerativas que certamente faram parte do conjunto de soluções.

Agora, para que essas modalidades e abordagens funcionem e para que esse movimento regenerativo decole, nós precisamos trabalhar com eco-sistemas e não com ego-sistemas, diz Darren Doherty, um dos líderes mundiais nessa área em seu livro The Regrarians Handbook. O que é preocupante é que a frase de Darren se baseia em um tipo de experiência que muitos no movimento regenerativo já sofreram. Muito embora a maioria das abordagens regenerativas tenham sido concebidas à partir de um espaço de amor e entendimento profundo dos princípios e processos da natureza e muito embora a maioria das pessoas envolvidas na área sejam bem intencionadas, existe muita dissonância entre a ética, princípios e diretivas declarados nessas abordagens e o que alguns líderes e praticantes aplicam em suas vidas pessoais e profissionais.

Essa dissonância causa muitos danos, especialmente para os que procuram um sentimento de pertença à uma comunidade que representa uma vida e uma profissão mais gratificante e significativa nesse mundo. A maioria das pessoas se envolve com a agricultura regenerativa exatamente por que a ética e princípios declarados reverberam com elas e com a busca pela construção de um melhor e mais justo. Mas rapidamente nos deparamos com um educador ou praticante da permacultura com muito pouco “cuidado com as pessoas”, ou com especialistas da agricultura regenerativa que praticam ‘reserva de mercado’, sabotagem e outros comportamentos mafiosos ao invés de criar abundância por meio da cooperação e de uma atitude ‘open-source’.

De novo a desconexão é uma das causas principais. Egos inflados e leões-de-chácara nessas áreas normalmente tem seu senso de conexão interior e com a natureza quebrado. Geralmente também essas pessoas são movidas por insegurança. É tragicômico ouvir professores e praticantes falando do quão abundante o mundo pode ser, do quão generosa a natureza é enquanto agem como se o reconhecimento das pessoas por aquelas que fazem esse trabalho fosse uma moeda escassa demais para se compartilhar. Eu acredito que é essa dissonância entre o ensino da abundância ecológica e dos princípios regenerativos enquanto se pratica um tipo de economia social e emocional baseada na escassez que leva algumas pessoas a boicotar as oportunidades e carreiras das outras.

Será que eles pensam que os seus concorrentes são as pessoas montando fazendas regenerativas, dando aulas e ajudando outras pessoas por meio de consultorias em suas regiões? Nós não precisamos de leões-de-chácara dentro das abordagens regenerativas. Nós não precisamos de comportamento fundamentalista que leva alguns a competir pelas modalidades que mais se identificam. Nós não estamos competindo com nossos colegas. Nós estamos competindo com a ignorância, com um modelo de civilização que gera escassez planejada. Nós estamos competindo com a desconexão da natureza e das formas com as quais podemos produzir nosso alimento de maneira socialmente justa e ecologicamente segura.

Citando Lynn White, Massy explica em seu livro que “nossas idéias são parte do ecossistema que habitamos”. Daí a necessidade de construirmos eco-sistemas (e não ego-sistemas) nos quais a cultura regenerativa possa florecer. E para fazer isso precisamos de tantos produtores, designers e educadores regenerativos quanto for possível. E precisamos produzí-los rapidamente. É assim que vamos virar a mesa e partir de um sistema consumista e degradante para um regenerativo, abundante e cooperativo. Mas para isso precisamos de líderes e praticantes capazes de cumprir seu papel na sucessão do movimento regenerativo. Precisamos de líderes e praticantes que preparem o terreno de forma graciosa e de bom grado criando as condições ideais para que uma geração ainda melhor possa nos suceder.

A razão pela qual a agricultura industrial e as grandes corporações investem pesado em marketing, desinformação e pesquisas falsas é porque eles sabem o quão poderoso a intenção, as ideias, pequenas ações e um grupo de pessoas pode ser. Mas para o movimento regenerativo virar a mesa do sistema nós precisamos de uma abordagem integrativa para a educação e treinamento. Nós precisamos preparar e nutrir as próximas gerações para elas possam se tornar agentes de mudança, para que possam crescer seguros, íntegros de espírito e capazes de reconhecer seu lugar na natureza.

Em resumo, quaisquer que sejam as causas da dissonância entre a ética e princípios regenerativos e o que é praticado em nossas vidas pessoais e profissionais, uma coisa é certa: o movimento da agricultura regenerativa não florescerá nas mãos de leões-de-chácara operando ego-sistemas. Nós precisamos de produtores rurais, designers e educadores regenerativos que possam cumprir seu papel de pioneiros na sucessão ecológica do movimento para criar as futuras gerações que serão agentes de mudança em melhores condições do que tivemos.

Nota 1: Artigo inspirado nos livros de Charles Massy e Darren Doherty’s books, em comunicações pessoais com Darren Doherty, e no documentário “Quem se importa?”.

Nota 2: Para os que tem se interessado pelo meu trabalho com desenho regenerativo, durante o mês de setembro estarei no Brasil ministrando alguns cursos e oficinas.
– Entre os dias 1 e 9 de Setembro estarei ministrando o curso Agricultura Regenerativacom a equipe da Escola de Permacultura na Serra da Mantiqueira, MG. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Planejamento de Propriedades Rurais com a Escala da Permanência da Linha Chave e Desenho Permacultural.
– Entre os dias 11 e 17 estarei com o amigo Sérgio Olaya ministrando o curso Agricultura Familiar e Empreendedorismo Socioambiental na Fazenda The Green Man em Inconfidência, RJ. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Desenho Permacultural e Agricultura Sintrópica.
– Oficina de Desenho Permacultural na Chapada dos Veadeiros (a ser confirmado).

 

 

Tomada de Decisão Holística para produtores rurais e empreendedores socioambientais

A Tomada de Decisão Holística faz parte do Gerenciamento Holístico, uma plataforma de gestão de propriedades rurais criada pelo ecologista e ambientalista Zimbabuano Allan Savory. Essa plataforma aborda 3 áreas essenciais: a tomada de decisão, a gestão de recursos financeiros e o manejo holístico de pastagens. Embora tenha sido criada para a gestão de propriedades rurais, essa plataforma tem sido amplamente adotada pelos ‘negócios verdes’ ou pelo empreendedorismo socioambiental.

Além de conseguir, de fato, assegurar a segurança ambiental, a viabilidade econômica e a justiça social (o tripé da sustentabilidade como é conhecido em português), o objetivo do Gerenciamento Holístico é combater a desertificação que dá pela degradação ambiental e assegurar a qualidade de vida das pessoas que vivem no campo.

Entre os dias 1 e 17 de Setembro estarei ministrando dois cursos no Brasil, um na Escola de Permacultura e outro na fazenda The Green Man, junto com o camarada Sérgio Olaya, o Guerreiro Zen da Agricultura Sintrópica. Em ambos os cursos eu ensino o módulo de Tomada de Decisão Holística, ferramenta super importante para o produtor rural e para o empreendedor socioambiental. Apesar de começar o curso explicando a história e os princípios do Gerenciamento Holístico, a parte financeira e de manejo de pastagens ficará para uma próxima oportunidade.

O Gerenciamento Holístico se baseia primordialmente em 4 insights:

1 – Uma perspectiva holística é essencial no gerenciamento. Se baseamos decisões de gestão em qualquer outra perspectiva, nós provavelmente teremos resultados diferentes dos planejados porque só o todo é real.

2 – Os ecossistemas podem ser classificados dentro de um contínuo que vai de não friável até muito friável de acordo com o quão bem a humidade é distribuída e a velocidade que a vegetação morta se decompõe. Nos extremos dessa escala os ecossistemas respondem de maneira diferente a influencias iguais. O descanso, por exemplo, restaura a paisagem em ecossistemas não friáveis, mas causa danos nas paisagens muito friáveis.

3 – Nos ecossistemas friáveis um número relativamente alto de grandes herbívoros em manada, mantidos concentrados e em constante movimento como esses animais se comportam naturalmente na presença de predadores que caçam em grupo, é vital para se manter a saúde das paisagens que pensávamos que eles destruíam.

4 – Em qualquer ecossistema o sobrepastoreio e a compactação pelo pisoteamento praticamente não tem relação com o número de animais. Ao contrário, tem relação com a quantidade de tempo que as plantas e o solo são expostos aos animais.

Savory, A. e Butterfield, J. (2000). Holistic Management: A New Framework for Decision Making. Island Press. EUA. (Tradução livre Eurico Vianna)

Como a natureza opera em todos, o primeiro passo para a tomada de decisão holística é definer um Contexto Holístico. O Contexto Holístico, por sua vez, é formado pelo Todo Sob Gerenciamento, a Declaração de Propósito, a Declaração de Qualidade de Vida e a Futura Base de Recursos.

O curso de Tomada de Decisão Holística ensina os participantes a definir e refinar as prioridades do Todo Sob Gerenciamento. Ajuda encontrar problemas ou bloqueios. Melhora os pontos fracos e cria um sistema de avaliação que melhora o monitoramento e promove o sucesso. Em suma, a definição de um Contexto Holístico para a vida pessoal ou empreendimento torna possível tomar decisões que beneficiam todas as áreas e pessoas dentro do Todo definido.

Se você é produtor rural, empreendedor socioambiental ou gestor de ecovilas e quer aprender como definir seu Contexto Holístico para que as decisões tomadas garantam que a viabilidade econômica não comprometa a segurança ambiental e nem a qualidade de vida das pessoas envolvidas em seu projeto, a Tomada de Decisão Holística é a ferramenta que vai tornar isso possível.

Além do módulo Tomada de Decisão Holística eu vou ministrar oficinas de desenho permacultural que visam otimizar os gastos energéticos e os recursos materiais e biológicos e de como usar a Escala de Permanência da Linha Chave para desenvolver propriedades rurais resilientes e economicamente viáveis.

Entre os dias 1 e 9 de Setembro estarei ministrando o curso Agricultura Regenerativa com a equipe da Escola de Permacultura na Serra da Mantiqueira, MG. Esse curso oferece 3 módulos:
– Tomada de Decisão Holística,
– Desenho Permacultural,
– Planejamento de Propriedades Rurais com a Escala da Permanência da Linha Chave.

Entre os dias 11 e 17 estarei com o amigo Sérgio Olaya ministrando o curso Agricultura Familiar e Empreendedorismo Socioambiental na Fazenda The Green Man em Inconfidência, RJ. Esse curso oferece 3 módulos:
– Tomada de Decisão Holística,
– Desenho Permacultural,
– Agricultura Sintrópica (com o Sérgio).

Na terceira semana de setembro ministro uma oficina de Desenho Permacultural na Chapada dos Veadeiros (a ser confirmado).

Usando a Linha Chave para o planejamento de SAFs

Esse artigo aborda a nossa experiência com a implementação de SAFs (sistemas agroflorestais) utilizando o conceito da Linha Chave na Holos Regenerative Design na Austrália. Esse conceito integra a Escala de Permanência da Linha Chave, uma metodologia de planejamento de propriedades rurais que fornece uma escala de prioridade na implementação da propriedade e de seus sistemas de produção. Outros benefícios do uso da escala são o aumento da produção, a blindagem contra secas, o combate a erosão e a melhoria dos solos, sem a necessidade de utilização de fertilizantes e pesticidas químicos.

Para esse projeto tivemos o prazer de receber a contribuição do designer de propriedades rurais e co-fundador da plataforma Regrarians, Darren Doherty. Darren fez comentários e ajustes finais importantes para o projeto. O primeiro artigo, intitulado Usando a Linha Chave na Agricultura Sintrópica (em inglês) recebeu críticas muito positivas e bastante interesse da comunidade da agricultura regenerativa fora do Brasil. Parte da boa recepção se deve ao sucesso que a metodologia de implementação de agroflorestais sucessionais tem feito fora do Brasil.

O talhão maior
Eu discuto a implementação do talhão menor abaixo, mas primeiramente vou fazer uma atualização sobre a implementação do talhão maior. Por conta da inclinação do terreno e de um contrato já feito com um tratorista específico, nós não conseguimos fazer o encanteiramento dentro de padrões aceitáveis para o projeto. Assim que percebemos esse problema, nós resolvemos colocar o projeto em espera até que pudéssemos usar outra máquina, à partir do mês de Julho. Desde o começo do projeto que o nosso mote tem sido adapte, improvise e vença. O que segue abaixo é um resumo de nossa experiência com esse talhão.

Abaixo temos uma visão aérea da área. É possível vermos as estradas de chão ao redor, uma trilha de acesso na parte inferior, dois açudes e os canteiros do SAF no padrão da Linha Chave. Com excessão do SAF nenhum desses elementos foi desenhado por nós. Esse talhão nos foi oferecido para que desenvolvêssemos com uma série de desafios a serem vencidos. Dentre esses desafios constavam um terreno inclinado e voltado para o Sul (aspecto solar não favorável), risco de erosão e a necessidade de que nosso desenho com um sistema de águas cinzas a ser implementado.

 

Na foto à esquerda podemos a linha de curva de nível em laranja na parte inferior e o tripé do nível a laser no centro da cumeeira. As linhas em amarelo fluorescente mostram o padrão da Linha Chave vindo dos microvales adjacentes com um gradiente de caimento sútil.

Na foto abaixo (à esquerda) é possível vermos a área quando o encanteiramento começou a ser feito. Também é possível vermos que os canteiros não estavam seguindo o padrão planejado da Linha Chave à risca. A parte esquerda da área mostra grandes porções de solo exposto. Essa área foi terraplanada com maquinário pesado e portanto ficou bastante compactada. No entanto, a terraplanagem era necessária para a instalação do canos do sistema de águas cinzas que serão instalados paralelos à alguns dos canteiros.

Com o projeto temporariamente suspenso, nós semeamos a área com uma mistura de sementes de aveia, nabo forrageiro e ervilhaca (inoculada). A montagem de fotos abaixo mostra os estágios iniciais da geminação.

O talhão menor
Esse talhão foi planejado com uma SAF voltada para a produção de hortaliças para nossas famílias e fonte de propagação de mudas. Ele é parecido com o talhão maior no sentido de ser inclinado, voltado para o sul, ser parcialmente cercado por estradas de chão e ter um certo risco de erosão. A diferença principal está no fato do talhão maior ter uma cumeeira central e esse um microvale (ou grota). Por conta do tamanho, da inclinação e da quantidade de pedras, nós mantivemos esse talhão dentro uma escala humana de trabalho.

Para essa área nós decidimos implantar os canteiros de árvores em intervalos de 5 metros. As copas das árvores provavelmente sombrearão os canteiros centrais em aproximadamente 3 anos no máximo. Embora paralelos os canteiros tem comprimentos diferentes o que combinado com o aspecto solar talvez nos permita produzir nos canteiros centrais por mais tempo. O manejo com podas mais intensas também é considerado nessa situação, mas se a intenção é produzir hortaliças por mais tempo é melhor estabelecer os canteiros em intervalos mais largos. Entretanto, são as espécies de árvores escolhidas e o tamanho de suas copas quando maduras que determinarão a distância máxima dos canteiros.

Nós fizemos a agrimensura to terreno com um nível de mangueira marcando onde os canteiros seriam implantados tomando o devido cuidado para o caimento fosse da proporção de 1 metro de caimento para cada 100 metros de comprimento. Como precisávamos cavar os caminhos para construir os canteiros, nós cavamos de acordo com o planejamento com a Linha Chave. Alinhamos as pedras que encontrávamos enquanto cavávamos os canteiros de modo a usá-las para segurar o solo. Em seguida preenchemos as valas em Linha Chave com troncos de madeira já inoculados com cogumelos de uma floresta ao lado e madeira triturada que conseguimos dos arboristas que fazem serviço de poda.

Em uma situação ideal as sementes, mudas, insumos e palhoça para cobertura já estariam todos disponíveis na área que a implementação seguisse a ordem mais prática e eficiente. Essa área também foi afetada pelo uso de maquinário pesado enquanto a estrada ao lado era construída. Nas áreas onde o solo estava exposto próximo aos canteiros nós semeamos o azevém, uma gramínea perene de origem portuguesa, para ser usado como cobertura quando cortado.

Outro ajuste que fizemos foi que embora os canteiros corram no sentido leste-oeste, as árvores de estrato alto nos diferentes canteiros, foram alinhadas norte-sul para otimizar a questão de aspecto solar.

Muito embora esse talhão tenha sido estabelecido recentemente, já plantamos muitas árvores. Dois tipos de eucalipto (robusta e grandis) e a acácia mangium foram escolhidos como pioneiras de crescimento rápido para liderar a sucessão ecológica e fixar nitrogênio. Moringas, amoras, várias cítricas, bananas, papaias e café também fazem parte do consórcio. Tanto os canteiros com árvores como os canteiros só com hortaliças foram plantados com um consórcio de inverno. Em breve instalaremos as treliças nos canteiros de hortaliças para usar quando necessário.

Faz pouco tempo que implantamos o sistema usando a Linha Chave, mas já é possível perceber uma estética agradável e boa funcionalidade (de fácil acesso e mobilidade interna). Com o tempo poderemos compartilhar mais informações sobre a abordagem combinando a Linha Chave (que nesse caso teve canteiros alinhados leste-oeste) com o plantio de árvores de estrato alto alinhado (nos diferentes canteiros) norte-sul vai funcionar.

Nota: Para os que tem se interessado pelo meu trabalho com desenho regenerativo, durante o mês de setembro estarei no Brasil ministrando alguns cursos e oficinas.
– Entre os dias 1 e 9 de Setembro estarei ministrando o curso Agricultura Regenerativacom a equipe da Escola de Permacultura na Serra da Mantiqueira, MG. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Planejamento de Propriedades Rurais com a Escala da Permanência da Linha Chave e Desenho Permacultural.
– Entre os dias 11 e 17 estarei com o amigo Sérgio Olaya ministrando o curso Agricultura Familiar e Empreendedorismo Socioambiental na Fazenda The Green Man em Inconfidência, RJ. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Desenho Permacultural e Agricultura Sintrópica.
– Oficina de Desenho Permacultural na Chapada dos Veadeiros (a ser confirmado).

 

De onde vem e como se desenvolveram os Eucaliptos usados em SAFs

Muitos dos que conheceram o eucalipto em cursos de agrofloresta ou manejando Sistemas Agroflorestais (SAFs) defendem veementemente a importância deles nesses sistemas. Os que só conhecem o eucalipto por meio dos desertos verdes que eles formam quando cultivados em monocultura, abominam seu uso. O eucalipto é acusado de secar lençóis freáticos por demandar muita água. Também é acusado de exalar uma secreção química em suas raízes para inibir o crescimento de outras espécies à sua volta, efeito conhecido como alelopático. Ainda assim várias espécies do gênero estão sendo usadas para recuperar áreas degradas, produzir alimento e restaurar os lençóis freáticos.

Podcast Impacto Positivo - Muda Clonada de Eucalyptus grandisEm um de nossos trabalhos para o Podcast Impacto Positivo o Sérgio Olaya, que usa muito esse gênero de árvores em SAFs, me perguntou o que eu sabia sobre o eucalipto na Austrália. Meu conhecimento técnico sobre a evolução dessas árvores é limitado. Embora soubesse o que é senso comum para quem trabalha com SAFs. Os eucaliptos são uma espécie de árvore que acumula várias funções nos sistemas agroflorestais. São extremamente resistentes e conseguem se estabelecer em solos muito degradados. Várias espécies de eucaliptos podem ser usadas para acelerar a sucessão ecológica uma vez que estas espécies estão entre as árvores de crescimento mais rápido e que quando manejadas corretamente ocupam apenas 20% do espaço de estratificação das florestas. Exatamente por que crescem muito rápido, os eucaliptos também são uma fonte muito boa de matéria orgânica para o sistema (com folhas e galhos sendo usado para cobrir o solo). Além de tudo isso podem colhidos em aproximadamente 4 anos para serem usados como uma madeira muito versátil para construção, o que aumenta a viabilidade econômica do produtor familiar e abre clareiras nos SAFs para renovação de novos plantios.

O pouquíssimo conhecimento técnico que tinha veio de uma palestra do Bill Mollison, co-criador da Permacultura que assisti há alguns anos. Na palestra ele explicava a evolução desse gênero no ecossistema australiano. Ele contava que as Florestas de Eucalipto da Austrália se desenvolveram ao longo de milhares de anos nas encostas rochosas litorâneas onde tempestades com raios eram frequentes, mas que essas florestas ficavam limitadas à essas áreas. Segundo Mollison, nos últimos 150 mil anos esse ecossistema teria sido alterado pela ação dos povos aborígenes da Austrália que fazem uso constante do fogo para caçar e manejar a paisagem. O uso frequente do fogo por todo o país teria privilegiado espécies que dependem das queimadas para se reproduzir, como é o caso do eucalyptos grandis, mas que antes ficavam limitadas as áreas onde só ocorriam incêndios naturais e frequentes.

Como o Sérgio pediu que tentasse encontrar livros sobre o assunto, eu perguntei dentro da rede social da Regrarians, uma plataforma criada pelo designer de propriedades rurais Darren Doherty. A plataforma foi criada para intercâmbio e cooperação de designers regenerativos no mundo todo. O texto que segue é uma colagem, com tradução livre minha, dos comentários que foram gentilmente cedidos pelos camaradas Darren Doherty, Dan Harris-Pascal, Shane Ward e Byron Joel.

Como sempre os fatos e contextos que explicam a evolução das espécies são multifacetados. De uma forma bastante resumida, Darren explica que a leitura dele é de que essas espécies se desenvolveram sob o domínio completo e total da megafauna Australiana. Dan Harris-Pascal chama atenção para o fato de que antes do surgimento dos eucaliptos grande parte da Austrália tinha uma vegetação muito parecida com o que as florestas da Nova Zelândia e do Chile que são dominadas por árvores do gênero Nothofagus ou as Faias do Sul como também são chamadas as árvores desse grupo de 43 espécies. A intensificação da ação aborígene, que fazia uso do fogo para caçar e manejar a paisagem, com um clima que vinha secando gradualmente, criou florestas e paisagens mais propensas ao fogo e portanto mais adaptadas a ele.

Muito embora os eucaliptos possam ser usados em sistemas florestais para acelerar o fenômeno conhecido como sucessão ecológica, é provável que nunca saibamos qual a real extensão de sua função nos ecossistemas Australianos antes da chegada e consequente degradação causada pelos europeus. Um pequeno exemplo disso é o fato de grande parte da madeira dos eucaliptos nessas florestas era quebrada e digerida por fungos que eram espalhados pelos marsupiais escavadores. Esses animais também faziam túneis e ninhos subterrâneos que além de depositar mais madeira em decomposição no subsolo, também facilitava a infiltração da água. Com a chegada dos gatos, raposas e roedores grande parte desses marsupiais se extinguiu ou está em risco de extinção. Isso sem falar nos milhões de koalas mortos para fabricação de gorros de inverno. Tudo isso mudou muito o ecossistema do qual os eucaliptos faziam parte.

Shane Ward nos apontou referências acadêmicas importantes na paleoecologia sobre a ligação da extinção da megafauna Australiana (provavelmente causada pela pressão da caça) e a mudança do ecossistema em decorrência da perda de animais herbívoros interagindo com as florestas úmidas de clima temperado. Essa cadeia de eventos também influenciou a evolução de uma paisagem dominada por espécies adaptadas ao fogo. Os títulos ou palavras chaves para encontrar esses artigos (em inglês) online são: “The Aftermath of Megafaunal Extinction- Ecosystem Transformation in Pleistocene Australia”, “Humans rather than climate the primary cause of Pleistocene megafaunal extinction in Australia” e “Abrupt vegetation change after the Late Quaternary megafaunal extinction in southeastern Australia”. Alguns estudos indicam que essa mudança no ecossistema também pode ter influenciado para que o clima da Austrália se tornasse mais seco.

Ainda assim, Byron Joel, chama atenção para o fato de que algumas dúvidas pairam no ar. O fato dos ecossistemas australianos serem diferentes é senso comum. Mas mais especificamente como eles são diferentes? E como o pleistoceno funcionou na Austrália? Onde estavam os animais que caçam em bandos? Os herbívoros da megafauna se moviam em manadas? Porque a megafauna australiana se extinguiu por completo? Os solos australianos são pobres por conta da lixiviação ao longo de milhares de anos ou eles perderam toda sua vida por ‘descanso’ excessivo (ausência de interação com animais endêmicos)?

Da conversa com os colegas na plataforma Regrarians ficaram algumas dicas de livros (em inglês) que também foram recomendados por Shane Ward:

  • “The Future Eaters” de Tim Flannary. O livro discute a chegada precoce dos humanos na Austrália.
  • “The Biggest Estate of Earth”, escrito por Bill Gammage e abordando o manejo da paisagem pelos Aborígenes.
  • “Dark Emu, Black Seed” escrito pelo Aborígene Bruce Pascoe e que levanta a hipótese, muito bem fundamentada por documentos históricos, que os os povos Aborígenes da Austrália não eram caçadores e coletores, mas exímios agricultores.

Outra fonte muito boa de informações sobre os eucaliptos são os livros e apostilas do CSIRO (Departamento de Meio Ambiente da Austrália).


Nota
: Para os que estão interessados na utilização de SAFs como uma forma financeiramente viável de recuperar terrenos degradados, assim como na utilização das técnicas da permacultura e outras formas de desenho regenerativo para tocar suas propriedades e empreendimentos, durante o mês de setembro estarei no Brasil ministrando alguns cursos e oficinas.
– Entre os dias 1 e 9 de Setembro estarei ministrando o curso Agricultura Regenerativa com a equipe da Escola de Permacultura na Serra da Mantiqueira, MG. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Planejamento de Propriedades Rurais com a Escala da Permanência da Linha Chave e Desenho Permacultural.
– Entre os dias 11 e 17 estarei com o amigo Sérgio Olaya ministrando o curso Agricultura Familiar e Empreendedorismo Socioambiental na Fazenda The Green Man em Inconfidência, RJ. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Desenho Permacultural e Agricultura Sintrópica.
– Curso de Agricultura Regenerativa no Vale do Ribeira, SP (a ser confirmado).
– Oficina de Desenho Permacultural na Chapada dos Veadeiros (a ser confirmado).

 

 

 

A Plataforma Regrarians e a Escala de Permanência da Linha Chave

“O papel da agricultura é produzir alimentos e fibra enquanto o solo é constantemente melhorado”. A intenção da “Escala de Permanência da Linha Chave de todas as coisas agriculturáveis”* era de estabelecer uma ordem de prioridade para a tomada de decisão no planejamento de propriedades rurais e entender a permanência relativa de suas respectivas áreas.

* P.A. Yeomans (1958). The Challenge of Landscape.

Nota: O artigo que segue é uma tradução livre feita por mim, Eurico Vianna, das sessões 1.03, 1.04 e 1.05 do capítulo Climate do Manual (Handbook) Regrarians, escrito por Darren Doherty e ilustrado por Andrew Jeeves em 2013. Durante os dias 1 e 9 de Setembro eu estarei com a equipe da Escola de Permacultura na Serra da Mantiqueira, ministrando um curso sobre Agricultura Regenerativa que aborda a Tomada de Decisão Holística, a Escala de Permanência da Linha Chave e o Desenho Permacultural.

A Escala de Permanência da Linha Chave

O Clima de determinada área, por exemplo, é relativamente fixo e quase impossível de ser mudado pela pessoa que maneja a área. O Formato do Terreno (Topografia) também é difícil de mudar, embora pequenas mudanças possam ser feitas com o uso de maquinário pesado. A quantidade Água disponível em uma área é uma consequência natural do Clima e da Topografia, muito embora mais água da chuva possa ser coletada e armazenada com alguns ajustes na topografia. As Estradas de Acesso são elementos bastante permanentes e tipicamente duram mais que as Árvores ou Edificações. Embora a prática da Linha Chave possa criar solos vivos e saudáveis rapidamente, as Cercas (de subdivisões) Internas comumente duram mais que o solo sob uso da agricultura industrial.

Outras pessoas adaptaram a Escala de Permanência da Linha Chave com o objetivo de desenvolver uma estrutura priorizada de desenho e implementação.

Leitura Recomendada: Yeomans, P.A. (1958). The Challenge of Landscape – The Development and Practice of Keyline. Keyline Publishing, Sydney.

A Plataforma Regrarians

Como idealizador e co-fundador da Regrarians LTDA., desde 2006 eu (Darren Doherty) desenvolvi o que hoje é conhecido como a Plataforma Regrarians. Essa plataforma cobre assuntos amplos como parte de sua estratégia global de treinamentos, consultorias, desenhos (projetos) e publicações. A gênesis da Plataforma Regrarians se origina com P.A. Yeomans e sua Escala de Pemanência da Linha Chave, desenvolvida em 1958. A Plataforma Regrarians foi criada para determinar a ordem de prioridade implementação dos elementos no desenvolvimento de propriedades rurais, a sua respectiva permanência e a ordem na qual desenhamos (projetamos) uma determinada área.

A Regrarians LTDA. expandiu cada elemento além do aspecto físico fazendo mudanças para melhor refletir nossa ênfase e adição de dois novos elementos (Economia e Energia) à Escala de Permanência original de Yeomans.

A Plataforma Regrarians também inclui contribuições de alguns sistemas de desenho ecológico e tomada de decisão. Essas contribuições incluem o trabalho de Allan Savory, do Instituto Savory e do Movimento do Gerenciamento Holístico, especialmente de Kirk Gadzia e do finado Bruce Ward; de David Holmgren and Bill Mollison e outros no movimento de Desenho Permacultural; assim como de John and Nancy Jack Todd, Sim Van der Ryn, Dr. Vandana Shiva, Art Ludwig, Ethan Roland and Gregory Landua.

Todas as consultorias e treinamentos da Regrarians LTDA seguem a ordem da Plataforma Regrarians:

  1. Clima – desenvolvendo as ‘regras de engajamento’ do ‘clima’ humano para todos os envolvidos em um projeto enquanto geramos o entendimento das atividades que o clima biosférico nos permitem executar
  2. Geografia – analisando mapas aéreos, topográficos, etc. para trazer um contexto físico e local para o empreendimento.
  3. A Água – torna a vida possível, por isso designamos bastante tempo em consultorias e treinamento para colocar a “água sob controle” (Mollison, B., 1995; comunicação pessoal), “fazê-la desenhar suas tarefas”(ibidem), e deixar a propriedade em um estado melhor do que quando a encontramos.
  4. A implementação do Acesso traz muitas dificuldades de desenho e implementação de maneira correta em grande ou pequena escala para a maioria das pessoas. Nós definimos essas artérias de movimento e sua engenharia com a ajuda da análise da Geografia e da Água.
  5. Os Sistemas Agroflorestais podem variar bastante com uma miríade de formas naturais ou projetadas. Praticamente todas as paisagens econômicas fazem parte de complexos florestais e na Plataforma Regrarians os sitemas agroflorestais e sua localização são definidos pelos elementos 1 a 4 da Escala.
  6. As Edificações frequentemente são peças caras de infraestrutura que demandam planejamento e engenharia detalhadas. Na Plataforma Regrarians a localização integrada dessas é bem determinada pelos 5 elementos anteriores na Escala de Permanência.
  7. A localização das Cercas é uma marca registrada da nossa domesticação de várias espécies, particularmente da pecuária. Sistemas tradicionais são caros de se construir e implementar. O advento da cerca elétrica revolucionou nossa habilidade de manejar terrenos nos permitindo seguir padrões topográficos e o comportamento natural dos animais.
  8. Os Solos são a base da vida e portanto um foco importante. Nós precisamos cuidar do ‘todo’ para poder apoiar sua base. A Regrarians se concentra em determinar os tratamentos mais economicamente eficientes para regenerar o solo à partir dos vários que já existem.
  9. A Economia é motivada pela nossa análise dos elementos anteriores, em especial o Clima e a Geografia. Essa análise e o nosso planejamento consecutivo se concentra em liderar as engrenagens econômicas dos vários fluxos de capital que, como os solos, são frágeis e formam a base regenerativa do ‘todo’ (Roland, E. e Landua, G.; 2008. Comunicação pessoal).
  10. A Energia é o combustível vital de todos os elementos que propulsionam qualquer sistema. Portanto nós nos concentramos em organizar sistemas de energia que regeneram ao invés de atrofiarem, mantendo em mente seu custo-benefício em um campo que se desenvolve rapidamente.

Um Resumo da Plataforma Regrarians

  1. CLIMA – Você, o empreendimento, o risco e o clima.
  2. GEOGRAFIA – Topografia do terreno, seus componentes e a proximidade.
  3. ÁGUA – Armazenamento, captação e reticulação.
  4. ACESSO – Pistas, estradas, trilhas, feiras (mercado), utilidades e pessoas.
  5. SISTEMAS AGROFLORESTAIS – em talhões densos, proteção (barreiras de vento, ruído, etc.), savana, pomares e naturais.
  6. EDIFICAÇÕES – Casas, galpões, portáteis, pátios.
  7. CERCAS – Permanentes, elétricas, cruzamentos, vivas.
  8. SOLOS – Pastagem planejada, sais minerais, fertilidade, cultivos.
  9. ECONOMIA – Análise, estratégia, valor agregado.
  10. ENERGIA – Fotossíntese, produção, armazenamento.

O Contexto Moderno

POR MILHARES DE ANOS as pessoas tem criado inovações de sucesso e tido revelações que influenciaram milhares de produtores de alimento por todo o mundo. Entretanto o contexto de suas aplicações frequentemente não é integrativo e como resultado muitos sistemas sofrem com isso. A evolução dessas inovações e revelações é outra questão que esse manual aborda, juntamente com como ajudar você a decidir quais incluir ou excluir de seu projeto.

Os primeiros princípios que os Regrarians devem considerar são:

  1. Trabalhamos com ECOssistemas e não EGOssistemas.
  2. Integramos quaisquer metodologias, técnicas e sistemas de crença como ferramentas a serem testadas.
  3. Estabeleça o capital e a infraestrutura da natureza com os humanos como um organismo funcional e regenerativo.
  4. Evolua da Era do Petróleo para a Era do Solo.
  5. É necessário ser Azul (ter água) antes que possamos ser Verdes (em vegetação e dinheiro) e Negros (carbono e lucro).
  6. Uma ecologia vegetariana não existe.
  7. Para que agroecologias regenerativas possam funcionar precisamos cuidar de todos os níveis tróficos.

AS APLICAÇÕES GERAIS dos princípios, metodologias, técnicas e crenças listadas nesse manual incluem:

  • Propriedades Rurais
  • Arquitetura
  • Paisagismo
  • Engenharia
  • Agricultura/Horticultura/Sistemas Agroflorestais
  • Hortas caseiras
  • Ciências agropecuárias
  • Desenho, planejamento e urbanismo de áreas urbanas, suburbanas e periurbanas.
  • Economia doméstica.

Eu abordei a Escala de Permanência da Linha Chave nesse outro artigo anterior.

Nota: Para os que tem se interessado pelo meu trabalho com desenho regenerativo, durante o mês de setembro estarei no Brasil ministrando alguns cursos e oficinas.
– Entre os dias 1 e 9 de Setembro estarei ministrando o curso Agricultura Regenerativacom a equipe da Escola de Permacultura na Serra da Mantiqueira, MG. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Planejamento de Propriedades Rurais com a Escala da Permanência da Linha Chave e Desenho Permacultural.
– Entre os dias 11 e 17 estarei com o amigo Sérgio Olaya ministrando o curso Agricultura Familiar e Empreendedorismo Socioambiental na Fazenda The Green Man em Inconfidência, RJ. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Desenho Permacultural e Agricultura Sintrópica.
– Oficina de Desenho Permacultural na Chapada dos Veadeiros (a ser confirmado).