Gerenciamento Holístico: Parte 1 Definindo e inventariando o Todo Sob Gerenciamento

O Gerenciamento Holístico, ferramenta criada por Allan Savory, um produtor rural e doutor em ecologia do Zimbabue, para que produtores rurais pudessem ser produtivos sem que isso comprometesse a qualidade de vida e a saúde ecológica de suas propriedades. Essa abordagem traz contribuições importantes para a alfabetização ecológica daqueles que se propõem a trabalhar dentro do paradigma da agricultura regenerativa. Nos próximos meses eu vou compartilhar mais artigos com intuito de promover essa abordagem no Brasil.

Resumidamente, o Gerenciamento Holístico é formado por 4 módulos: Tomada de Decisão Holística, Gerenciamento Holístico Financeiro, Manejo Holístico de Pastagens e planejamento de propriedades rurais. Nessa primeira etapa, vou compartilhar insights, experiências e conteúdo sobre a Tomada de Decisão Holística, módulo que tem me ajudado muito a melhorar minha eficiência de trabalho e qualidade de vida ao mesmo tempo. Esse módulo foi desenvolvido para que produtores rurais pudessem tomar decisões complexas englobando a saúde ecológica e financeira da propriedade ou empreendimento sem deixar de fora a qualidade de vida das pessoas envolvidas.

Os artigos seguintes descrevem o ‘passo-à-passo’ para a construção de um Contexto Holístico, que é o que rege a Tomada de Decisão Holística.

 

Nota: Esse material foi preparado primeiramente para guiar o trabalho que fazemos na Fazenda Bella. Posteriormente, depois de participar de cursos de Gerenciamento Holístico na Austrália e de reutilizar o mesmo material para outros empreendimentos e consultorias, surgiu a ideia de aprimorá-lo para compartilhar com outras pessoas no Brasil. Grande parte desse material, entretanto, é formado por compilações e traduções de outras fontes (originalmente publicadas em inglês). Uma parte menor foi de fato desenvolvida por mim. Apresento todas as fontes usadas na lista de referências ao final do texto.

Eurico Vianna, PhD. Lennox Head, Austrália, Janeiro de 2018.

 

A criação de um Contexto Holístico que guie nossas decisões e ações dentro dos projetos, organizações ou empreendimentos que tocamos forma uma base sólida para que nossas decisões possam, de fato, ser financeiramente viáveis, ambientalmente regenerativas e socialmente justas. O Contexto Holístico é uma ferramenta muito poderosa que nos permite inverter a maneira como traçamos e executamos nossas metas. Ou seja, com nosso Contexto Holístico formado, ao invés de estabelecermos uma meta e adaptarmos ou sacrificarmos nosso estilo de vida para atingi-la, nós estabelecemos a qualidade de vida que queremos e trabalhamos para que nossas metas possam apoiá-las.

Mas antes de articularmos nosso Contexto Holístico nós precisamos definir o campo ou o ‘todo’ dentro do qual vamos atuar.

O Todo Sob Gerenciamento

Para definirmos ‘o todo sob gerenciamento’, primeiramente precisamos definir quem são as pessoas que tomam as decisões nesse ‘todo’. As pessoas que tomam as decisões, comumente são as pessoas que tem poder de vetar (ou pelo menos afetar drasticamente) as decisões ou projetos em um ‘todo’ sendo gerenciado. Um exemplo claro é uma pequena empresa onde os donos são claramente os tomadores de decisão, mas devido à influência e autonomia de uma funcionária (digamos um gerente geral), seria interessante que ela fosse incluída como parte dos Tomadores de Decisão (Decision Makers).

Embora não tenha sido muito comum nos primeiros anos em que o Gerenciamento Holístico começou a ser difundido, um número cada vez maior de pessoas tem achado válido criar um Contexto Holístico para suas próprias vidas. Nesse caso só existe um Tomador de Decisão e ‘o todo sob gerenciamento’ é a vida pessoal e profissional da pessoa em questão. Desenvolver um Contexto Holístico também tem se popularizado para gerir relacionamentos ou empreendimentos que não são diretamente ligados com propriedades rurais. Nesse caso os Tomadores de Decisão são as pessoas envolvidas no relacionamento ou empreendimento.

Os Tomadores de Decisão

Pare por um momento e pense quem são os Tomadores de Decisão no ‘todo sob gerenciamento’ que que você está gerindo. Existem 3 tipo de Tomadores de Decisão: os Primários fazem parte da gestão e decisão diárias e tem poder de veto; os Secundários, que tem influência nos Primários ou Todo; e os Terciários, que podem ser levados em consideração.

A Base de Recursos e as Oito Formas de Capital:

Nessa etapa inicial do exercício de elaboração do Contexto Holístico que apoiará nossos processos de tomada de decisão nós precisamos fazer um inventário dos nossos recursos. Frequentemente nós ignoramos recursos importantes que já possuímos ou que estão à nossa disposição por conta da maneira que fomos treinados a pensar. Por essa razão essa etapa do exercício é muito importante. Ela pode ser verdadeiramente libertadora em termos de criatividade e recursos alternativos para começarmos nossos projetos ou empreendimentos.

Dentro do Gerenciamento Holístico ‘clássico’ consideramos 3 categorias mais amplas de recursos: Os recursos Humanos, os de Conhecimento e os Físicos ou Materiais.

Os recursos Humanos são todas aquelas pessoas com as quais podemos contar em maior ou menor grau, direta ou indiretamente para realizar as funções do nosso ‘todo sob gerenciamento’. São elas: parentes, amigos, clientes (passados e presentes), pessoas em nossa Rede Contato profissional ou em uma Comunidade de Prática (grupos online ou presenciais que se reúnem para trocar idéias e informações para aprimorar uma prática que têm em comum).

Os recursos De Conhecimento são todas as nossas qualificações acadêmicas, treinamentos técnicos/vocacionais (serralheria, carpintaria, mecânica, etc.) e aptidões (predisposição para determinadas áreas do conhecimento, das artes, tipos específicos de trabalho, etc.).

Já os Recursos Físicos ou materiais são os bens que possuímos ou temos acesso facilitado. Por exemplo um carro, trator, computador, ferramentas, etc. Muitas vezes, é melhor até que não seja necessário possuir um bem que tenha o valor elevado e que não vá ser usado frequentemente.

Dinheiro

No Gerenciamento Holístico entendemos por Dinheiro toda forma de recursos financeiros dos quais podemos dispor para realizar as tarefas, projetos ou funções do nosso ‘todo sob gerenciamento’. Empréstimos pessoais ou por meio de instituições, com ou sem juros, fazem parte dessa categoria. Quais são os recursos financeiros disponíveis para o seu ‘todo’?

As Oito Formas de Capital

Esse conceito foi desenvolvido por Ethan Roland e Gregory Landua para facilitar o entendimento das várias relações econômicas nas quais nos envolvemos e fazemos parte. O primeiro artigo foi publicado em 2011 e desde então o conceito foi expandido pelos autores em formato de um livro. Para muitas pessoas as 8 Formas de Capital são uma forma mais precisa de fazermos um inventário do que está disponível para o nosso Todo Sob Gerenciamento. Essa forma difere do Gerenciamento Holístico clássico e foi introduzida no curso de planejamento de fazendas da Plataforma Regrarians (2017) por Javan Bernakovitch. Pela precisão e escopo do inventário e capacidade de pensamento lateral que traz, eu prefiro trabalhar com essa abordagem quando faço inventário ou facilito cursos e consultorias.

As 8 Formas de Capital enumeram “todos os diferentes recursos valiosos que um indivíduo ou entidade podem reunir ou trocar” (2011). O que segue abaixo é uma lista das formas de capital acompanhada por uma breve explicação de cada um deles.

O Capital Espiritual é ligado com nossos mitos de origem (religiosos ou não), com as formas de ligação com nosso ser interior ou de autoconhecimento. “Muitas das religiões do mundo incluem um conceito do “grande encadeamento do ser”, uma compreensão hierárquica da existência, onde a realização espiritual (neste contexto, a acumulação de capital espiritual) leva a diferentes níveis de estar” (2011) e por consequência de agir no mundo. O karma Budista, é um exemplo de Capital Espiritual que se pode se ‘acumular’ ou ‘dever’. Você tem crenças ou práticas que podem ser interpretadas como Capital Espiritual?

O Capital Social é formado pela rede de contatos, amigos e familiares que uma pessoa tem e que pode ser usada para influenciar decisões, pedir favores e articular ações e movimentos na comunidade. O Capital Social pode ser acumulado, ou seja, você pode ter vários favores para pedir dentro de sua rede pelas boas ações que já praticou. Por outro lado, você pode ‘dever’ favores a outras pessoas.

O Capital Intelectual é um ‘bem’ em forma de conhecimento. A educação formal em todos os países foca na transmissão do Capital Intelectual. “Ter o capital intelectual é apontado como a melhor forma de ser bem-sucedido. … Por exemplo, ‘ir para a universidade’ é essencialmente uma troca de capital financeiro por capital intelectual”. A educação formal, ou o Capital Financeiro é supostamente a melhor maneira de preparar as pessoas para o resto de suas vidas no mundo. Quais são as qualificações formais que estão disponíveis como Capital Financeiro para o Todo Sob Gerenciamento?

O Capital Material é formado pelos objetos físicos não-vivos. “Os recursos brutos e processados como pedra, metal, madeira e os combustíveis fósseis são combinados uns com os outros para criar materiais ou estruturas mais sofisticadas. Edifícios modernos, pontes e outras peças de infraestrutura, juntamente com ferramentas, computadores e outras tecnologias são formas combinadas de capital material.” (2011).

O Capital Financeiro pode ser representado pelo dinheiro, moedas, títulos e outros instrumentos do sistema financeiro global.  O Capital Financeiro “é a nossa principal ferramenta para a troca de bens e serviços com outros seres humanos. Ele pode ser uma poderosa ferramenta para a opressão ou, potencialmente, libertação” (2011).

O Capital Experiencial (ou Humano) é a experiência que acumulamos quando organizamos algum projeto em nossa comunidade. Pode ser quando construímos uma casa usando técnicas de Bioconstrução ou quando completamos um projeto de desenho permacultural. “A maneira mais eficaz de aprender alguma coisa é através da combinação do  capital intelectual com o experiencial … o “capital humano” é uma combinação de capital social, intelectual e experiencial, e todas as facetas de uma pessoa que podem ser captadas e transferidas em quantidades essencialmente ilimitadas” (2011). Quais são suas experiências que podem colaborar para o sucesso dos projetos no seu Todo?

O capital cultural “descreve os processos partilhados internos e externos de uma comunidade – as obras de arte e de teatro, as canções que cada criança aprende, a capacidade de se unir em celebração das colheitas ou durante um feriado religioso. O capital cultural não pode ser captado pelas pessoas, individualmente. Pode ser visto como uma propriedade emergente do complexo sistema de trocas de capital que ocorre numa aldeia, numa cidade, num biótopo ou nação” (2011). Quais são as atividades culturais compartilhadas pela sua comunidade que pode colaborar no seu Todo?

O Capital Vivo é composto por animais, plantas, água e solo da nossa terra – a verdadeira base para a vida no nosso planeta. A analista e consultora financeira “Catherine Austin Fitts recomenda que nós diversifiquemos e ‘meçamos a nossa riqueza em onças [metais preciosos], acres [de terra], e animais'” (2011). Qual o Capital Vivo disponível no seu Todo?

No próximo artigo vou abordar os primeiros passos para a construção de um Contexto Holístico.

Esses artigos sobre o Gerenciamento Holístico visam, além de divulgar essa abordagem regenerativa no Brasil, encontrar parceiros para uma turnê de cursos englobando a Tomada de Decisão Holística, a gestão holística financeira e o manejo holístico de pastagens. Caso você tenha interesse em hospedar um curso ou consultoria em sua propriedade, entre em contato conosco pelo email info_at_euricovianna.com.br .

A turnê está sendo produzida por mim (Eurico Vianna) e pelo Filipe Suleiman. Os cursos serão ministrados pelo produtor rural e educador em Gerenciamento Holístico com mais de 25 anos de experiência, Graeme Hand (com tradução minha).

Referências:

Nota: Compartilho desde esse primeiro artigo a bibliografia comentada que norteia toda a série.

Very Edible Gardens (VEG) – a VEG é uma empresa de consultoria e educação permacultural australiana que se tornou referência na área. Dan Palmer e Adam Grubb escrevem frequentemente sobre como melhorar o uso da Permacultura para projetar um futuro de escassez energética onde todos possam viver em abundância.

O Instituto de Gerenciamento Holístico do Canadá tem uma gama enorme de recursos para o ensino/aprendizagem dessa plataforma. O Instituto tem ajudado muitos produtores rurais no Canadá e fomentado muito o estudo a aplicação do Gerenciamento Holístico por meio de cursos e simpósios.

Liz e seu marido Pete criaram e tocam juntos uma fazenda de 258 acres com empreendimentos que variam do gado para corte e leite, galinhas caipiras para produção de ovos até produtos apiários. O site Eigth Acres foi criado para comercializarem seus produtos e compartilhar as ferramentas que tem usado com sucesso para gerenciar seus empreendimentos.

Alberto Miguel é o único consultor em Gerenciamento Holístico oficialmente credenciado no Brasil. Seu blog é uma fonte riquíssima de conteúdo no assunto.

  • Savory, A. e Butterfield, J. (1999). Holistic Management: a new framework for decision making. Island Press, CA-EUA.

O Manual do Gerenciamento Holístico escrito por Allan Savory e sua esposa Jody Butterfild é o livro que lança essa plataforma de tomada de decisão. Comumente em cursos, dada a quantidade enorme de informações compartilhada, esse livro vem acompanhado do livro ‘Manual Prático’ e de um fichário com instruções para exercícios e o aprendizado do Gerenciamento Holístico de Pastagens.

A Plataforma Regrarians foi criada por Darren Doherty, designer regenerativo que começou sua carreira na Permacultura como aluno do co-criador, Bill Mollison. Darren passou a usar o método de planejamento Linha Chave (Keyline), desenvolvido pelo Australiano P. A. Yeomans, com algumas alterações. O Planejamento de Linha Chave da forma como é ensinado por Darren e sua equipe dentro da plataforma Regrarians está se tornando rapidamente o método mais utilizado por designers para o planejamento de fazenda no mundo todo.

  • 8 Formas de Capital, escrito por Roland, E. e Landua, G. e traduzido por Colaborama. Acessado em 15/01/2018 em https://pt.prepareforchange.net/2016/04/14/as-8-formas-de-capital-uma-nova-forma-de-olhar-para-a-economia/

O conceito foi desenvolvido por Ethan Roland e Gregory Landua para facilitar o entendimento das várias relações econômicas nas quais nos envolvemos e fazemos parte. As 8 Formas de Capital enumeram “todos os diferentes recursos valiosos que um indivíduo ou entidade podem reunir ou trocar” e tem sido usados largamente em cursos de Permacultura para trazer a realização de que se nos falta um tipo de capital, nós provavelmente temos outros com os quais podemos contar para o desenvolvimento de nossos projetos.

 

Promovendo Segurança Alimentar e Restaurando a Bacia do Descoberto usando SAFs com o MST

Em setembro de 2018 estive com o Osmany Segall visitando 4 famílias assentadas em um acampamento do MST no Distrito Federal. Essas famílias participam, do Programa Água Brasil, “que visa à conservação de recursos hídricos” no país. O programa, que é fruto de uma parceria entre a WWF e a Fundação Banco do Brasil, tem foco exclusivo em soluções para problemas relacionados ao tema. Osmany foi convidado para da elaboração e implementação do projeto pelos amigos do Mutirão Agroflorestal Igor Aveline e Fabiana Penereiro. O projeto apresentado pelo time, no entanto, também foca na problemática da segurança alimentar e viabilidade econômica entre os integrantes do MST e apresenta a implementação de sistemas agroflorestais como solução interdisciplinar para todas essas questões de recuperação de recursos hídricos, segurança alimentar e viabilidade econômica.

A primeira etapa do projeto, que já vem sendo desenvolvido há 8 meses, atendeu 8 famílias nos assentamentos Gabriela, Graziele e Canaã e já implementou sistemas agroflorestais em aproximadamente 4 hectares. A segunda etapa do projeto que começa agora na estação das chuvas visa aumentar a área implantada na Bacia do Descoberto para 17.8 hectares somando a participação de 37 famílias assentadas. Para a primeira etapa, dois cursos de capacitação foram ministrados nos assentamentos como pré-requisito para a participação das famílias. Subsequentemente mutirões de implementação foram organizados entre os coordenadores do projeto e os participantes para estabelecer as primeiras 8 áreas de plantio e a participação coletiva também era pré-requisito para as famílias que queriam participar.

Em todos os casos as famílias foram ouvidas em um processo de diagnóstico participativo que orientou o desenho, também participativo, das áreas de acordo com necessidades e contextos específicos. Ainda assim, a criação de 3 áreas distintas de implementação em cada terreno foi comum na grande maioria dos casos. Foram essas: áreas de enriquecimento, áreas (de plantio) intensivas e áreas de engorda de solo.

Um canteiro de engorda de solo à esquerd e um de plantio intenso à direita no terreno da Tânia e Silvano.

Para as áreas onde já haviam árvores frutíferas, do cerrado ou hortas sendo manejadas pelas famílias foram criadas áreas de enriquecimento. Nessas áreas o objetivo principal foi a diversificação das espécies e da estratificação do sistema.

Áreas intensivas foram criadas onde já haviam árvores nativas, pomares ou hortas de forma a aumentar uma produção já existente. Nesses casos foram estabelecidos sistemas de plantio denso com árvores frutíferas, de madeira e hortaliças. Via de regra, essas áreas com foco mais específico na segurança alimentar e viabilidade econômica da famílias atendidas, eram menores por conta da necessidade de manejo intenso.

Para terrenos muito compactados e degradados foram criadas áreas de engorda, usando o entendimento da sucessão ecológica para recuperar o solo, foram plantadas nessas áreas plantas forrageiras, fixadoras de nitrogênio e capins. O feijão guandú, o feijão de porco e a crotalária, por exemplo, foram utilizados tanto para poda quando para produção de matéria orgânica para cobertura do solo. Essas plantas integram um conjunto chamado nos sistemas agroflorestais de plantas adubadeiras.

O contexto específico de cada família, assim como a topografia do terreno e pomares já estabelecidos exigiu abordagens e técnicas diferentes na implementação de cada SAF. Abaixo eu sintetizo o contexto e soluções utilizadas nas áreas que visitamos.

Seu Gilberto mostrando um Araticum-de-raposa (Annona cornifolia), um arbusto frutífero do Cerrado.

Seu Gilberto é originalmente da região rural e semiárida do Piauí. Como muitos outros campesinos a falta de políticas públicas e acesso ao conhecimento que poderia torná-lo produtivo em sua região de origem, Seu Gilberto abandonou a vida que gostava para procurar trabalho nos grandes centros urbanos. Depois de muito tempo e esforço para dar aos filhos acesso a educação, Seu Gilberto continuava sofrendo com a vida urbana em pobreza. Com apoio de sua esposa, ele então se juntou ao MST para conseguir um terreno onde pudesse voltar a plantar, produzir e viver no campo.

Em seu terreno já haviam uma roça com mandioca, feijão e milho e um pomar com algumas frutíferas convencionais e do cerrado. Após fazer o curso de capacitação Seu Gilberto escolheu implementar uma área nova para aprender e só depois diversificar os sistemas já existentes. A área de SAF implementada no terreno é de aproximadamente 3000m2 e visa a produção de frutas e madeira em médio prazo. Como Seu Gilberto já tinha uma área de roça, a produção de hortaliça foi planejada nos canteiros de árvores e para subsistência apenas.

SAF com 8 meses na casa do Seu Gilberto.

Como antes do curso de capacitação Seu Gilberto não entendia a sucessão natural e a importância da cobertura e do acúmulo de matéria orgânica no solo, ele cuidou de sua área capinando impecavelmente qualquer planta invasora. O resultado foi um solo exposto, pobre e compactado que dificultou muito o estabelecimento do Capim-mombaça (Megathyrsus maximus) nas entrelinhas. Com a estação das chuvas chegando, o plano é semear novamente em algumas áreas e fazer roça de mandioca, milho, feijão e abóbora com adubação nos berços em outras.

Um canteiro mostrando um Eucalipto Cheiroso (Corymbia citriodora) ocupando o estrato emergente.

Grande parte dos assentamentos na Bacia do Descoberto foram estabelecidos em áreas que foram degradadas pela monocultura do eucalipto (E. Grandis), o que deixou essa espécie bastante estigmatizada na região. Como as árvores madeireiras de crescimento rápido são usadas para podas continuas que promovem a cobertura e recuperação do solo nos SAFs, Osmany e Igor, então convenceram Seu Gilberto a usar o Eucalipto cheiroso (Corymbia Citriodora) para essa função.

Outra peculiaridade do terreno e do contexto do Seu Gilberto era o risco de erosão e a escolha de várias frutíferas de estrato alto (porém de portes variados). Nesse caso a solução foi estabelecer as linhas do sistema perpendiculares ao declive e posicionar os consórcios com árvores mais altas na parte sul (e mais baixa) do terreno. Usando uma terminologia do desenho permacultural, foi feita uma análise de setor para identificar o aspecto solar e as áreas propensas à erosão. O posicionamento das árvores de maior porte ao sul do terreno consiste em uma técnica chamada ‘armadilha solar’ na permacultura.

Seu Gilberto compartilhou com a gente é que ele está mais saudável, mais ativo por conta do trabalho com o SAF. Ele comenta que tanto a quantidade como a qualidade de frutas, verduras e legumes na sua dieta melhorou muito. Ele também conta que é tão interessante ver os sistemas se desenvolvendo, tão gratificante fazer parte do manejo que otimiza a vida, que seus filhos estão começando a se interessar pela vida no campo.

Dona Tânia e Ana Júlia caminhando pelo SAF.

A próxima parada foi no terreno da Dona Tânia e Seu Silvano. Eles tem uma família grande e a geração de renda por meio dos sistemas agroflorestais era urgente. No caso deles então, uma área maior, de aproximadamente 4.000m2, foi estabelecida e a abordagem com as áreas de enriquecimento, intensiva e de engorda foi essencial.

Um pomar que já existia com mangueiras e outras frutas foi diversificado. Nessa área, além de outras árvores para compor os vários estratos, foram usados o feijão-de-porco, o milho e o Mombaça de forma a produzir alimentos, mas também matéria orgânica para cobrir e adubar o solo. Uma parcela de aproximadamente 1500 m2 com solo degradado foi trabalhada com a implementação de uma área de engorda. Nesse caso as linhas que receberiam árvores receberam plantas fixadoras de nitrogênio de ciclos de vida mais curto e o Mombaça foi plantado nas entrelinhas para ser usado como cobertura. E uma área intensa de 1500m2 foi estabelecida com hortaliças para consumo e venda do excedente.

Silvano orgulho do canteiro de engorda já com bananas.

Dona Tânia compartilhou que a dieta da família melhorou muito. Ela também comentou que abundância de alimentos produzidos em SAFs demanda um conhecimento específico no processamento dos produtos. Ela e Seu Silvano, que já haviam ampliado seus sistemas por conta própria, estavam com excedente de vários produtos como pimenta dedo-de-moça e repolho roxo com os quais gostariam de fazer conservas e geleias. A infraestrutura para esse tipo de processamento dos produtos ainda não está disponível nos assentamentos, mas Dona Tânia comentou que alguns dos produtores já estão se articulando para montar uma cooperativa.

Osmany e Mateus visitando o SAF na casa da Dona Andréia.

A terceira propriedade visitada foi a da Dona Andréia, que já estava inserida em um contexto convencional de produção de hortaliças com uso de fertilizantes e pesticidas químicos junto com seu irmão Alexandre. Dona Andréia participou do curso de capacitação com seu irmão e com seu filho, Mateus. Juntos eles fizeram a transição para uma produção completamente agroecológica em uma área de 3.000m2. Os SAFs foram implementados fazendo bastante uso das áreas intensiva e de engorda.

Dona Andréia, Alexandre e Mateus organizaram o desenho das áreas implementadas de forma a colher sementes e mudas para um viveiro que estão montando. Outra peculiaridade do sistemas deles foi alternar estratos altos e baixos em uma linha com médios e emergentes em outra, de forma a otimizar a entrada de luz, minimizar o manejo com podas e produzir hortaliças por mais tempo entre as linhas.

Eurico e ‘Professor’, genro da Dona Maria, conversando sobre o Mombaça plantado nas entrelinhas.

Por último visitamos a casa da Dona Maria. Assistida por sua filha e genro, a Dona Maria está implementando uma área de 4.000m2. No terreno dela, porque todos trabalham fora, as hortaliças não foram implementadas nas entrelinhas. Muito resistentes ao uso do eucalipto, eles escolheram substituir essa espécie pela Acácia mangium.

Nas entrelinhas foi usada uma combinação do Mombaça com o mileto (Pennisetum glaucum). Uma estratégia para compensar a falta da matéria orgânica que viria do eucalipto foi plantar o feijão Guandú junto com outras mudas de árvores para fixar nitrogênio e gerar biomassa. Onde não foi possível usar o Guandú, foi utilizado o feijão-de-porco com a mesma finalidade. Combinando essas estratégias foi possível implementar uma área consideravelmente grande para que fosse manejada por poucas pessoas e em dentro de poucos dias por semana.

Notas finais.

Quase todas as áreas foram implementadas ao final do período das chuvas, o que não é o ideal. Em alguns casos áreas muito grandes tiveram que ser aguadas à mão por uma pessoa só, até que um sistema de irrigação pudesse ser instalado. Todos os sistemas de irrigação instalados foram por gotejamento por conta da relação custo-benefício e também da necessidade de economizar água. Ainda assim, com exceção das áreas de entrelinha no terreno do seu Gilberto, todos os sistemas implantados tiveram uma ótima taxa de germinação e desenvolvimento. Enquanto novas áreas são implantadas nesse período de chuvas, as 8 famílias que participaram da etapa piloto vão aprimorar suas técnicas de manejo com podas.

Como forma de complementar a ajuda a essas famílias, o Osmany tem escoado o excedente de produção deles no ponto de entrega e feiras feitas pela Fazenda Bella em Brasília. Essa abordagem, que não foi planejada no projeto inicial, mas que tem se mostrado muito importante, também será ampliada nas próximas etapas.

De um modo geral, e por conhecer a realidade das pessoas mais pobres no Brasil, eu fiquei maravilhado com o trabalho dessas famílias. Elas fazem parte do MST, um movimento demonizado pelas elites e mídia corporativa por pregar a reforma agrária. Sem exceção, eles tem uma vida dura, marginalizados por não conseguirem participar da sociedade de consumo. Ainda assim, frequentemente com jornadas duplas de trabalho e com dificuldades financeiras enormes, estão zelando por seus terrenos e aprendendo a produzir alimentos em harmonia com a natureza. Ainda assim, não perdem a generosidade… Não houve uma casa onde não nos oferecessem um café e um lanche, onde não insistissem que ficássemos mais tempo. A dedicação deles, à revelia de tantas provações, mostra que é possível produzir alimentos recuperando lençóis freáticos, a biodiversidade local e acima de tudo promovendo justiça social. Parabéns ao Igor Avelino, Osmany Segall, Fabiana Penereiro e as 8 famílias que abraçaram os sistemas agroflorestais para mostrar ao mundo o que é possível quando se tem esperança, boa vontade, conhecimento e companhia!

De onde vem e como se desenvolveram os Eucaliptos usados em SAFs

Muitos dos que conheceram o eucalipto em cursos de agrofloresta ou manejando Sistemas Agroflorestais (SAFs) defendem veementemente a importância deles nesses sistemas. Os que só conhecem o eucalipto por meio dos desertos verdes que eles formam quando cultivados em monocultura, abominam seu uso. O eucalipto é acusado de secar lençóis freáticos por demandar muita água. Também é acusado de exalar uma secreção química em suas raízes para inibir o crescimento de outras espécies à sua volta, efeito conhecido como alelopático. Ainda assim várias espécies do gênero estão sendo usadas para recuperar áreas degradas, produzir alimento e restaurar os lençóis freáticos.

Podcast Impacto Positivo - Muda Clonada de Eucalyptus grandisEm um de nossos trabalhos para o Podcast Impacto Positivo o Sérgio Olaya, que usa muito esse gênero de árvores em SAFs, me perguntou o que eu sabia sobre o eucalipto na Austrália. Meu conhecimento técnico sobre a evolução dessas árvores é limitado. Embora soubesse o que é senso comum para quem trabalha com SAFs. Os eucaliptos são uma espécie de árvore que acumula várias funções nos sistemas agroflorestais. São extremamente resistentes e conseguem se estabelecer em solos muito degradados. Várias espécies de eucaliptos podem ser usadas para acelerar a sucessão ecológica uma vez que estas espécies estão entre as árvores de crescimento mais rápido e que quando manejadas corretamente ocupam apenas 20% do espaço de estratificação das florestas. Exatamente por que crescem muito rápido, os eucaliptos também são uma fonte muito boa de matéria orgânica para o sistema (com folhas e galhos sendo usado para cobrir o solo). Além de tudo isso podem colhidos em aproximadamente 4 anos para serem usados como uma madeira muito versátil para construção, o que aumenta a viabilidade econômica do produtor familiar e abre clareiras nos SAFs para renovação de novos plantios.

O pouquíssimo conhecimento técnico que tinha veio de uma palestra do Bill Mollison, co-criador da Permacultura que assisti há alguns anos. Na palestra ele explicava a evolução desse gênero no ecossistema australiano. Ele contava que as Florestas de Eucalipto da Austrália se desenvolveram ao longo de milhares de anos nas encostas rochosas litorâneas onde tempestades com raios eram frequentes, mas que essas florestas ficavam limitadas à essas áreas. Segundo Mollison, nos últimos 150 mil anos esse ecossistema teria sido alterado pela ação dos povos aborígenes da Austrália que fazem uso constante do fogo para caçar e manejar a paisagem. O uso frequente do fogo por todo o país teria privilegiado espécies que dependem das queimadas para se reproduzir, como é o caso do eucalyptos grandis, mas que antes ficavam limitadas as áreas onde só ocorriam incêndios naturais e frequentes.

Como o Sérgio pediu que tentasse encontrar livros sobre o assunto, eu perguntei dentro da rede social da Regrarians, uma plataforma criada pelo designer de propriedades rurais Darren Doherty. A plataforma foi criada para intercâmbio e cooperação de designers regenerativos no mundo todo. O texto que segue é uma colagem, com tradução livre minha, dos comentários que foram gentilmente cedidos pelos camaradas Darren Doherty, Dan Harris-Pascal, Shane Ward e Byron Joel.

Como sempre os fatos e contextos que explicam a evolução das espécies são multifacetados. De uma forma bastante resumida, Darren explica que a leitura dele é de que essas espécies se desenvolveram sob o domínio completo e total da megafauna Australiana. Dan Harris-Pascal chama atenção para o fato de que antes do surgimento dos eucaliptos grande parte da Austrália tinha uma vegetação muito parecida com o que as florestas da Nova Zelândia e do Chile que são dominadas por árvores do gênero Nothofagus ou as Faias do Sul como também são chamadas as árvores desse grupo de 43 espécies. A intensificação da ação aborígene, que fazia uso do fogo para caçar e manejar a paisagem, com um clima que vinha secando gradualmente, criou florestas e paisagens mais propensas ao fogo e portanto mais adaptadas a ele.

Muito embora os eucaliptos possam ser usados em sistemas florestais para acelerar o fenômeno conhecido como sucessão ecológica, é provável que nunca saibamos qual a real extensão de sua função nos ecossistemas Australianos antes da chegada e consequente degradação causada pelos europeus. Um pequeno exemplo disso é o fato de grande parte da madeira dos eucaliptos nessas florestas era quebrada e digerida por fungos que eram espalhados pelos marsupiais escavadores. Esses animais também faziam túneis e ninhos subterrâneos que além de depositar mais madeira em decomposição no subsolo, também facilitava a infiltração da água. Com a chegada dos gatos, raposas e roedores grande parte desses marsupiais se extinguiu ou está em risco de extinção. Isso sem falar nos milhões de koalas mortos para fabricação de gorros de inverno. Tudo isso mudou muito o ecossistema do qual os eucaliptos faziam parte.

Shane Ward nos apontou referências acadêmicas importantes na paleoecologia sobre a ligação da extinção da megafauna Australiana (provavelmente causada pela pressão da caça) e a mudança do ecossistema em decorrência da perda de animais herbívoros interagindo com as florestas úmidas de clima temperado. Essa cadeia de eventos também influenciou a evolução de uma paisagem dominada por espécies adaptadas ao fogo. Os títulos ou palavras chaves para encontrar esses artigos (em inglês) online são: “The Aftermath of Megafaunal Extinction- Ecosystem Transformation in Pleistocene Australia”, “Humans rather than climate the primary cause of Pleistocene megafaunal extinction in Australia” e “Abrupt vegetation change after the Late Quaternary megafaunal extinction in southeastern Australia”. Alguns estudos indicam que essa mudança no ecossistema também pode ter influenciado para que o clima da Austrália se tornasse mais seco.

Ainda assim, Byron Joel, chama atenção para o fato de que algumas dúvidas pairam no ar. O fato dos ecossistemas australianos serem diferentes é senso comum. Mas mais especificamente como eles são diferentes? E como o pleistoceno funcionou na Austrália? Onde estavam os animais que caçam em bandos? Os herbívoros da megafauna se moviam em manadas? Porque a megafauna australiana se extinguiu por completo? Os solos australianos são pobres por conta da lixiviação ao longo de milhares de anos ou eles perderam toda sua vida por ‘descanso’ excessivo (ausência de interação com animais endêmicos)?

Da conversa com os colegas na plataforma Regrarians ficaram algumas dicas de livros (em inglês) que também foram recomendados por Shane Ward:

  • “The Future Eaters” de Tim Flannary. O livro discute a chegada precoce dos humanos na Austrália.
  • “The Biggest Estate of Earth”, escrito por Bill Gammage e abordando o manejo da paisagem pelos Aborígenes.
  • “Dark Emu, Black Seed” escrito pelo Aborígene Bruce Pascoe e que levanta a hipótese, muito bem fundamentada por documentos históricos, que os os povos Aborígenes da Austrália não eram caçadores e coletores, mas exímios agricultores.

Outra fonte muito boa de informações sobre os eucaliptos são os livros e apostilas do CSIRO (Departamento de Meio Ambiente da Austrália).


Nota
: Para os que estão interessados na utilização de SAFs como uma forma financeiramente viável de recuperar terrenos degradados, assim como na utilização das técnicas da permacultura e outras formas de desenho regenerativo para tocar suas propriedades e empreendimentos, durante o mês de setembro estarei no Brasil ministrando alguns cursos e oficinas.
– Entre os dias 1 e 9 de Setembro estarei ministrando o curso Agricultura Regenerativa com a equipe da Escola de Permacultura na Serra da Mantiqueira, MG. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Planejamento de Propriedades Rurais com a Escala da Permanência da Linha Chave e Desenho Permacultural.
– Entre os dias 11 e 17 estarei com o amigo Sérgio Olaya ministrando o curso Agricultura Familiar e Empreendedorismo Socioambiental na Fazenda The Green Man em Inconfidência, RJ. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Desenho Permacultural e Agricultura Sintrópica.
– Curso de Agricultura Regenerativa no Vale do Ribeira, SP (a ser confirmado).
– Oficina de Desenho Permacultural na Chapada dos Veadeiros (a ser confirmado).

 

 

 

Escalada e Poda em Altura para implementação e manejo de SAFs com Sérgio Olaya e Bruno Álvaro

Webinar sobre Escalada e Poda em Altura para implementação e manejo de SAFs com Sérgio Olaya e Bruno Álvaro.

O webinar foi ao ar no dia 17 de Abril de 2018 pela página do Podcast Impacto Positivo no Facebook e contou com participantes de vários países. Sérgio e Bruno apresentaram técnicas e conceitos em comentários sobre fotos e responderam as perguntas feitas pelos participantes.

A função, frequência e razões da poda na Agricultura Sintrópica foram bem exploradas no webinar. Também compartilharam dicas sobre a escalada, os equipamentos necessários e até mesmo a manutenção e adaptações feitas na motosserra.

Além de responder várias perguntas sobre Agricultura Sintrópica, Sérgio Olaya e Bruno Álvaro se disponibilizaram para tirar dúvidas por mensagem e ministrar cursos onde seja necessário. O contato com eles pode ser feito por meio do link contidos nos nomes acima.

Eu fiquei muito grato e feliz com a participação e elogio de todos ao podcast Impacto Positivo. Como sempre, peço a todos já vivem a mudança necessária com a gente, que ajudem na divulgação do podcast. Quanto maior for nosso alcance, maior o impacto positivo e mais fácil será o acesso às pessoas que podem nos ajudar a inspirar mais mudança.

Abraços,
Eurico Vianna

Nota: Para os que tem se interessado pelo meu trabalho com desenho regenerativo, durante o mês de setembro estarei no Brasil ministrando alguns cursos e oficinas.
– Entre os dias 1 e 9 de Setembro estarei ministrando o curso Agricultura Regenerativacom a equipe da Escola de Permacultura na Serra da Mantiqueira, MG. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Planejamento de Propriedades Rurais com a Escala da Permanência da Linha Chave e Desenho Permacultural.
– Entre os dias 11 e 17 estarei com o amigo Sérgio Olaya ministrando o curso Agricultura Familiar e Empreendedorismo Socioambiental na Fazenda The Green Man em Inconfidência, RJ. Esse curso oferece 3 módulos: Tomada de Decisão Holística, Desenho Permacultural e Agricultura Sintrópica.
– Oficina de Desenho Permacultural na Chapada dos Veadeiros (a ser confirmado).

#2 Curadoria de Notícias de Impacto Positivo

Essa semana João, meu filho mais novo, veio ao mundo! Notícia de impacto super positivo para nossa família! Mas por conta disso perdi um pouco o controle das mensagens que recebi com conteúdo para ser compartilhado na curadoria. Ainda assim, vamos lá! Desculpem se não puder lembrar de onde vieram as notícias.

Webinar Grauito sobre Escalada e Poda em Alturas para Implementação e Manejo de SAFs com Sérgio Olaya

Sérgio Olaya, agricultor sintrópico que foi aluno e trabalhou diretamente com o Ernst por um tempo, é o convidado do papo que sai no podcast na próxima segunda. Entre outras aventuras, conhecimentos e experiências muito interessantes, Sérgio se especializou em escalada e poda para o manejo e implementação de SAFs. No dia 17/04, Sérgio ministrará um webinar gratuito com o Bruno Alvaro pela página do Impacto Positivo. Para poder interagir com os facilitadores é preciso fazer a inscrição pelo link acima.

Webinar Gratuito sobre Captação e Manejo Renerativo de Água com Eurico Vianna

Esse webinar trás técnicas e informações de ponta ensinados no meu curso de Introdução à Permacultura. Além de explicar os princípos que regem as técnicas eu também compartilho estudos de caso ilustrando o conteúdo cobrindo desde propriedades rurais até a reumidificação do paisagismo urbano. Para poder participar do webinar, fazer perguntas e comentários é necessario fazer a inscrição pelo link acima.

Como as raízes do Cerrado levam água a torneiras de todas as regiões do Brasil

“O rio São Francisco está secando, haverá cada vez menos água em Brasília e a cidade de São Paulo terá de aprender a conviver com racionamentos. O alerta é do arqueólogo e antropólogo baiano Altair Sales Barbosa, que há quase 50 anos estuda o papel do Cerrado na regulação de grandes rios da América do Sul.”

As notícias e dados do artigo são alarmantes, mas a consciência do problema é necessária para que possamos criar o paradigma onde esse problema não exista mais. Notícia compartilhada pela querida Georgina Lopes, dedo verde lá de Brasília.

Como o MST se tornou o maior exportador de arroz da América Latina

Artigo trazendo a trajetória do MST em termos de entendimento e utilização de práticas de produção regenerativa. Além de compartilhar um pouco da história do movimento, também traz informações imprescindíveis para que entendamos a diferença entre o agronegócio e as práticas regenerativas.

Bon Bagay: Permacultura, Abundância e Autonomia

Manual prático e ilustrado para o ensino e implantação de projetos permaculturais desenvolvido pelo pessoal do‘Bora Permaculturar’para ações no Haiti. Recurso compartilhado pelo amigo Sérgio Loiola,Pesquisador e Inventor de Goiânia que toca a página AgroEcologia PermaCultura Energias Renováveis Inovações Verdes e Sociais no Facebook.

#1 Curadoria de Notícias de Impacto Positivo

Essa é a primeira rodada do Notícias de Impacto Positivo, uma curadoria semanal de artigos que compartilham mais das ações que precisamos ver no mundo. A idéia da curadoria de notícias surgiu das mensagens que recebemos após lançar o primeiro episódio do podcast Impacto Positivo com o Dr Walter Steenbock. Nessas mensagens as pessoas começaram a compartilhar artigos com assuntos que se relacionam com a proposta do Impacto Positivo. Decidimos então ‘acatar’ a idéia  dos ouvintes e leitores e compartilhar com todos o que temos recebido.

Se você também quer enviar notícias de impacto positivo para serem compartilhadas, você pode compartilhar os artigos direto em nossa página no Facebook ou enviar sua sugestão por email para info_arroba_euricovianna.com.br com o título “link para o Notícias de Impacto Positivo”.

Vamos às notícias que recebemos essa semana:

Cidade de PE é 1ª do país a dar a rios mesmos direitos de cidadãos.

Essa notícia foi compartilhada na rede pelo permacultor, pai, esposo e líder comunitário na cidade do Crato, Paulo Campos. A história do Paulo e da Luciana, sua esposa, sairá em breve no podcast Impacto Positivo.

Você já pensou que a natureza tem direitos? Com forte base no conjunto de conhecimento e saberes indígenas a Constituição Equatoriana de 2008, em seus Artigos 71 e 72 reconhece os ‘direitos da natureza’. Esses direitos trazem à tona um paradigma ecocêntrico, ou seja, que tem a natureza como ente e agente e toda rede ecológica do planeta como objeto central. Essa visão se opõe ao paradigma atual da sociedade de consumo ocidental, que é antropocêntrico. Em outras palavras, que posiciona a humanidade como elemento mais importante do planeta e a natureza apenas como um conjuntos de recursos a serem explorados pela humanidade.

Pois bem, no município de Bonito, em Pernambuco, as serras verdes e as cachoeiras passaram a ter direitos próprios, assim como os cidadãos. “O município é o primeiro do país a encampar essa tese, que tem crescido no mundo com apoio da ONU”. Em países como o Equador, a Nova Zelândia e a Índia essa linha de pensamento e ativismo tem crescido muito.

Tatu Gigante é visto no Parque Nacional de Brasília.

Notícia garimpada na rede. Entramos há alguns anos na era geológica do Antropoceno, uma era geológica que a ação de uma mineradora movimenta mais sedimentos que todos os rios do planeta juntos. Também é no Antropoceno que humanos tem causado a maior extinção em massa na história da vida no planeta. Alguns centros de pesquisa calculam que perdemos, para sempre, dúzias de espécies todos os dias. Então quando vemos um tatu-canastra em plena ação no parque nacional, isso é para todos nós motivo de grande satisfação.

Conheça homens e mulheres que optaram por uma vida mais simples.

Notícia de 2013, porém super atual, postada pelo pessoal do Econdomínio Confraria – a Ecovila do Séc. XXI.  “Na contramão da sociedade contemporânea, homens e mulheres optam por uma vida mais simples. Eles garantem que são mais felizes. Conheça as histórias”.

120 DIAS de seca só com Água de CHUVA?

Tendo a água como centro de muitos debates e ações importantes nas última semanas, esse vídeo feito no Sítio Nós na Teia mostra como é possível viver com um ‘orçamento hídrico’ captando água da chuva e ainda ‘plantar’ mais água enquanto se recupera áreas degradadas. Os proprietários do sítio, o Arquiteto Sérgio Pamplona e a educadora Mônica Carapeços, já foram entrevistados pelo Impacto Positivo e em breve compartilharei a entrevista com eles.

Eu vou ficando por aqui com as Notícias de Impacto Positivo da semana. De novo, se você gostou da proposta e quer causar um impacto positivo na sua comunidade e nas suas redes sociais, compartilhe o conteúdo. E, para enviar notícias de impacto positivo é só compartilhar os artigos direto em nossa página no Facebook ou enviar sua sugestão por email para info_arroba_euricovianna.com.br com o título “link para o Notícias de Impacto Positivo”.

Sigamos juntos, porque mudança boa, se faz em boa companhia!