Pecuária e restauração ecológica de mãos dadas – seja um parceiro.

“Uma nação que destrói seu solo destrói a si mesma”, alertava Franklin Roosevelt depois das tempestades de poeira que erodiram milhares de toneladas de solo e assolaram os Estados Unidos em meados de 1930. Ainda assim, pouco mudou desde então e a agricultura e a pecuária industrial continuam a fazer parte do conjunto de ações humanas que mais degradam o meio ambiente causando a perda da biodiversidade e consequentemente o aquecimento global e os processos de desertificação. É paradoxal que seja a agricultura uma das principais atividades que comprometem a soberania alimentar e as condições ideais de vida como acesso a água e ar limpos e a comida saudável e nutritiva para todos. Especialmente para as futuras gerações. 

No entanto, “sem solo não podemos sustentar a vida no planeta e onde há perda de solo não existe a possibilidade de renovação dentro de um período de vida humana”, como alertou a vice-diretora geral da FAO (Organização de Alimentação e Agricultura), Maria Helena Semedo, no Dia Mundial do Solo em 2014. Nesse mesmo relatório Semedo alertava que mais de 30% das terras aráveis do planeta já foram severamente degradadas e que se seguirmos no mesmo ritmo com a agricultura e pecuária industrial nós teremos no máximo mais 60 anos de colheitas de nossos solos.

Outro relatório da FAO revela uma epidemia de doenças por contaminação de alimentos. Anualmente 420 mil pessoas morrem e 600 milhões adoecem por ingerir alimentos contaminados com bactérias, vírus, parasitas, toxinas ou produtos químicos.

Enquanto solos saudáveis criados por meio de práticas agriculturais regenerativas tem um papel fundamental na mitigação do aquecimento global sequestrando carbono e filtrando toxinas para manter os lençóis freáticos, rios, lagos e oceanos limpos, a degradação do solo cria um círculo vicioso onde menos carbono é absorvido o que acirra as mudanças climáticas que por sua vez degradam ainda mais solos.

Nos últimos meses temos visto um aumento do desmatamento de nossas áreas de florestas e da aprovação de mais agrotóxicos em uma tendência do governo federal que favorece setores do agronegócio que produzem causando a destruição da sociobiodiversidade onde atuam. Essa abordagem não tem viabilidade ecológica, econômica nem social. Ela continua sendo praticada por conta do lobby das corporações que abastecem o mercado de insumos químicos e das políticas públicas reducionistas, ou seja, que priorizam o crescimento econômico em detrimento da qualidade de vida do pequeno e médio produtor rural e da segurança ecológica que garante a vida das gerações futuras.  

Nesse contexto produzimos a turnê “Gerenciamento Holístico: pecuária e restauração ecológica de mãos dadas” em 2019 e obtivemos grande sucesso trabalhando com produtores rurais engajados com a causa ambiental nos estados de São Paulo e Tocantins.


Agora estamos buscando parcerias públicas e privadas para treinar multiplicadores do Gerenciamento Holístico (GH) no Brasil. O GH é uma ferramenta de gestão criada pelo produtor rural e doutor em ecologia do Zimbábue, Allan Savory, para que produtores rurais pudessem ser produtivos sem que isso comprometesse a qualidade de vida e a saúde ecológica de suas propriedades.

Essa abordagem traz contribuições importantes para a alfabetização ecológica daqueles que se propõem a trabalhar com a agricultura e a pecuária de forma regenerativa. Ela é baseada em ciência sólida, tem baixo risco, baixo custo e garante o aumento da produtividade e lucratividade por meio do planejamento financeiro e utilização dos processos biológicos ao invés de químicos. Apesar de ter sido desenvolvido especialmente para as regiões áridas e semiáridas com período de chuvas mal distribuído, o Gerenciamento Holístico funciona muito bem como ferramenta de restauração ecológica em qualquer clima onde a pecuária tenha se instaurado.

Por se basear na ciência e processos biológicos o Gerenciamento Holístico também traz resiliência para a pecuária nesse período de escassez energética que já vivemos devido aos conflitos geopolíticos que visam controlar o que resta dos combustíveis fósseis. Combinadas essas vantagens também garantem o suprimento da demanda bioregional e internacional de carne e laticínios recuperando áreas degradas e sem que precisemos desmatar novas áreas. 

O Gerenciamento Holístico já conta com mais de 5.000 proprietários/gestores e juntas essas pessoas já manejam quase 9 milhões de hectares de terra. De maneira resumida o Gerenciamento Holístico é formado por 4 módulos:

    • Tomada de Decisão Holística;
    • Gerenciamento Holístico Financeiro;
    • Manejo Holístico de Pastagens; e
    • Planejamento de propriedades rurais.  

Como pontos chaves o Gerenciamento Holístico traz o emponderamento do produtor rural, a resiliência da propriedade e a rentabilidade do empreendimento. Por meio da Tomada de Decisão Holística o produtor consegue traçar um planejamento preventivo que facilita a gestão de curto e longo prazo evitando o estresse da tomada de decisão em situações imprevistas. Para mais informações sobre a Tomada de Decisão Holística é só visitar a série de artigos sobre como desenvolver um Contexto Holístico para tomada de decisão no site do podcast Impacto Positivo.

A resiliência da propriedade aumenta porque o gado (ou qualquer outra criação) passa a ser um recurso manejado de forma a melhorar os processos ecossistêmicos (o ciclo hidrológico, o mineral, o energético e a dinâmica das comunidades). E a rentabilidade do empreendimento aumenta em função da melhoria da ecologia local e do uso de uma abordagem que não depende de insumos.

Nós estamos procurando parceiros para viabilizar uma outra turnê divulgando o Gerenciamento Holístico no Brasil com o educador e consultor australiano Graeme Hand. Graeme tem mais de 20 anos de experiência como produtor e consultor (certificado) usando o Gerenciamento Holístico.

Educadores

Graeme Hand, educador e consultor australiano com mais de 20 anos de experiência ensina como ter produtividade e qualidade de vida na pecuária restaurando áreas degradadas.

Eurico Vianna, PhD. é cientista social especializado em desenvolvimento comunitário, produtor rural e ativista socioambiental.

Objetivos:

Entre outros objetivos a turnê pretende:

    • Apresentar uma ferramenta simples de gestão para empreendimentos rurais;
    • Mostrar que a pecuária pode ser uma das ferramentas mais eficientes no combate à desertificação e ao aquecimento global;
    • Divulgar o Gerenciamento Holístico como forma de aumentar a produtividade e a qualidade de vida do produtor rural;
    • Gerar uma rede de praticantes da ‘pecuária regenerativa’ no Brasil mostrando que é possível trabalhar com a pecuária e a restauração ecológica ao mesmo tempo;
    • Fomentar a pecuária regenerativa no Brasil.

Esse projeto está sendo produzido pelo Podcast Impacto Positivo e a Hand for the Land, empresa do educador e consultor australiano Graeme Hand. Referências sobre o trabalho feito entre Junho e Julho de 2019 podem ser obtidas com:

    • A Isabel Queiroz, proprietária e diretora na Fazenda Santa Adelaide Orgânicos em São Paulo, onde a abordagem está sendo implementada;
    • A Aline Kehrle e o Marcos Spinella proprietários da Agropecuária Kehrle, em Tocantins, pioneiros da abordagem no Brasil e com quem realizamos uma consultoria aberta com foco em pecuaristas interessados em fazer a transição para a pecuária regenerativa; e com
    • O Guilherme Tiezzi, proprietário e idealizador da Fazenda do Futuro, no Tocantins, onde realizamos um curso para vários pecuaristas e empreendedores socioambientais.

Permanecemos disponíveis para o contato, diálogo e reuniões para viabilizar esse projeto nesse momento crítico da história do Brasil. O email de contato é: info@euricovianna.com.br

O treinamento básico requer um curso de 6 dias em imersão e é divido em 3 módulos:

– Tomada de Decisão Holística,

– Gerenciamento Holístico Financeiro e

– Manejo Holístico de Pastagens (incluindo métricas de avaliação ecológica).

As propriedades anfitriãs podem ser usadas como exemplo tendo dessa forma ao final do curso elaborado um Contexto Holístico para Tomada de Decisão, um plano de gestão/negócio que aumente a produtividade levando em conta a qualidade de vida dos gestores e um plano holístico de pastagem rotacionada com um sistema de monitoramento ecológico.

Como parte de nossa missão é democratizar o acesso ao Gerenciamento Holístico, temos interesse especial em instituições que possam patrocinar um curso (ou vagas) para pequenos produtores rurais.

Grato,
Eurico Vianna, PhD.