#7 Morada da Floresta – Aprendendo e Empreendendo com a Natureza

Com muito amor, consciência ambiental e dedicação Cláudio e Paula transformaram uma casa, que já funcionava como uma comunidade na cidade de São Paulo, na Morada da Floresta, um espaço modelo de vida regenerativa e empreendedorismo socioambiental. Esse podcast é sobre essa jornada por meio da qual as soluções ecológicas do cotidiano de uma família engajada se transformaram em produtos que ajudam as pessoas a minimizar seu impacto ambiental no dia-a-dia.

Buscando alternativas ecológicas e não tóxicas, para o uso de absorventes, Paula acabou por desenvolver uma linha de produtos femininos que além de mais saudáveis, não degradam o meio ambiente. Veio a maternidade e tanto a preocupação com a saúde de seus filhos quanto com o impacto ambiental da indústria das fraldas descartáveis levaram Paula a ampliar a linha de produtos para atender também os bebês, dessa vez com fraldas de pano que se ajustam ao tamanho do bebê. Desenvolvendo uma fralda de pano sem a obsolescência planejada, fez com que apenas 20 fraldas de pano economizem 6 mil fraldas descartáveis. Segundo a Paula a indústria das fraldas descartáveis desmata 1 bilhão de árvores por ano para produzir a celulose usada nessas fraldas. E além do desmatamento, da intoxicação por agentes químicos usados nas fraldas e da dependência do petróleo para a produção de fraldas descartáveis, em média, cada bebê gera 1 tonelada de lixo até o desfralde. E por usar plástico, a primeira fralda descartável usada no planeta ainda não se decompôs, ou seja, a quantidade de lixo tóxico gerado também é enorme; mais precisamente 30% dos resíduos não biodegradáveis do planeta. Mais informações sobre o uso da fralda de pano versus o da fralda descartável podem ser encontradas no site do Morada da Floresta.

O caminho do Cláudio também passou pela busca de um modo de vida que não agredisse o planeta. Ele começou buscando criar um solo saudável para a produção da horta da casa. A solução encontrada para reutilizar os resíduos orgânicos, durante um tempo, foi a compostagem termofílica. Pela falta de espaço e a demanda de produzir humus mais rapidamente, Cláudio começou usar a vermicompostagem, ou seja, a utilização das minhocas para decompor os resíduos. A praticidade desse método levou Cláudio a ministrar cursos ensinando o método para as pessoas interessadas em gerar menos lixo orgânico criando solos férteis para a horta caseira. Muitas pessoas no entanto não dispunham do tempo ou não queriam construir os minhocários elas mesmas e pediam ou Cláudio que as vendesse prontas. Cláudio começou a usar resíduos da feira de hortaliças do bairro para dar conta das demandas, uma vez que precisava produzir mais minhocas e humus para seus clientes.

O engajamento de Cláudio com a questão da reciclagem dos resíduos orgânicos em maior escala o levou a uma jornada com políticos e administradores da cidade de São Paulo. Cláudio percebeu que havia criado uma solução ecológica e financeiramente mais viável para o problema do lixo orgânico na cidade. Dessa demanda nasceu outra linha de produtos da Morada na Floresta a Humi, composteira ecológica, e o projeto Composta São Paulo.

Nesse momento do podcast eu comento sobre um projeto na Bélgica que minimizou muito a quantidade de lixo orgânico com um programa que usava galinhas. Eu tomei conhecimento desse programa no livro Folks this ain’t normal (Gente, isso não é normal) do fazendeiro estadounidense Joel Salatin. No livro Joel cita outro livro City Chicks (Galinhas Urbanas) repleto de estudos de caso de como as galinhas podem ser usadas como “recicladoras biológica de lixo orgânico” enquanto produzem alimentos (carne e ovos) e enriquecem o solo (com seu esterco). Os ‘números’ que não lembrei com precisão durante a entrevista são impressionantes. Duas mil famílias que vivem em casas em uma cidade da Bélgica se inscreveram para um programa de combate à poluição causada pelos resíduos orgânicos. Cada família recebeu 3 galinhas e a instrução de que fossem alimentadas com os resíduos orgânicos da casa. A adesão de 2 mil famílias, utilizando 6 mil galinhas, diminuiu 100 toneladas de lixo orgânico nos lixões da cidade.

Cláudio e Paula compartilharam também que apesar das dificuldades do empreendedorismo sócioambiental como os preconceitos de familiares e amigos em relação às práticas ‘alternativas’ e o fluxo que vai na contramão da sociedade de consumo, a jornada vale à pena. Eles comem, melhor, vivem com mais qualidade de vida e seus filhos tem o privilégio de crescer sabendo que todos nós precisamos ser responsáveis pela forma que vivemos no planeta.

Uma história de muitas batalhas e muito sucesso que mostra que o empreendedorismo socioambiental pode sim ser financeiramente viável mesmo nos grandes centros urbanos.

Como de costume, lembro a vocês que mudança boa se faz em boa companhia! Se você tem aprendido e se inspirado com o podcast, peço que compartilhe o conteúdo nas suas redes sociais e deixe suas avaliações no iTunes ou Stitcher. Para enviar notícias de impacto positivo é só compartilhar os artigos direto em nossa página no Facebook ou enviar sua sugestão de pauta por email para info_arroba_euricovianna.com.br com o título “Sugestão de Pauta para Impacto Positivo”.

Abraço e até o próximo episódio!
Eurico Vianna.

https://youtu.be/IJevTCJ7spo