Depois do calote de uma grande empresa da região, que da noite para o dia resolveu não cumprir o acordo de compra da produção, ele resolveu vinificar as próprias uvas e fazer a transição para a produção agroecológica. Ele não tinha uma formação acadêmica, mas tinha o conhecimento e a memória ancestral dos Italianos que vieram sem nada e ergueram vidas dignas e abundantes na Serra Gaúcha.
Foi com a prática, muita observação e sensibilidade que ele desenvolveu intimidade com seu território e uma forma muito pessoal de fazer o vinho de fermentação natural sem aditivos químicos. Cada videira, cada árvore, cada animal recebe uma atenção individual sob o olhar dele. Os ciclos de produção das galinhas caipiras, dos patos e da suinocultura artesanal são fechados trazendo autonomia sobre os adubos, uma dieta saudável e saborosa para a família e renda extra com os embutidos.
As uvas que mais se adaptaram ao manejo ecológico são aquelas que, em sua maioria, muitos chamam de “rústicas”. Mas foram elas que ganharam reconhecimento especial em função do sabor revelado pelo talento na vinificação artesanal do Acir Boroto, da vinícola Famiglia Boroto.