Os objetivos da Linha Chave

“O objetivo do Plano da Linha Chave é aprimorar as áreas de agricultura e pecuária revertendo a tendência de deterioração da terra sob ocupação humana. … Ele se baseia na crença de que toda busca da agricultura ou pecuária são em si mesmas meios de melhorar cada vez mais a fertilidade no solo.” P. A. Yeomans em O Desafio da Paisagem escrito 1958.

Nota: Tradução livre feita por Eurico Vianna, PhD, em Abril de 2019 do capítulo The Aims of Keyline (Os Objetivos da Linha Chave) no livro The Challenge of Landscape (O Desafio da Paisagem), escrito por P.A. Yeomans e publicado pela Keyline Publishing em 1958 na Austrália.

Yeomans, P.A. (1958). The Aims of Keyline in The Challenge of Landscape. Keyline Publishing PTY. Australia.

O Plano da Linha Chave é um plano para áreas de produção rural baseado primeiramente na minha própria concepção do que é o solo, como ele se desenvolveu naturalmente e como podemos desenvolvê-lo ainda mais e, em segundo lugar, no clima e na topografia de cada propriedade na qual o plano é aplicado.

Ele se baseia na crença de que toda busca da agricultura ou pecuária são em si mesmas meios de melhorar cada vez mais a fertilidade no solo. As técnicas do Plano da Linha Chave foram desenvolvidas com essa finalidade.

O objetivo do Plano da Linha Chave é aprimorar as áreas de agricultura e pecuária revertendo a tendência de deterioração da terra sob ocupação humana – tornando essas áreas estáveis e permanentes em uma paisagem que se restaura de modo geral. Seu objetivo é melhorar qualquer solo agriculturável à partir do solo mais pobre até os mais ricos para muito além do que se desenvolveria naturalmente em determinada região climática. A evolução do solo na natureza à partir de solos sem vida e rochas pode ter levado períodos de tempo consideráveis. Os seres humanos com tempo limitado felizmente têm muitas maneiras e processos por meio dos quais podem rapidamente melhorar qualquer solo natural.

Todas as técnicas do Plano da Linha Chave são projetadas para melhorar o clima do solo contrapondo o histórico das condições climáticas gerais que afetam e que largamente criaram o solo.

O Plano da Linha Chave foi desenvolvido na Nova Gales do Sul, na Austrália, e seu desenvolvimento provavelmente foi influenciado pelas condições gerais da forma que se aplicam à maioria das nossas terras produtivas. Visto que a Linha Chave se baseia no estudo do clima e da topografia, ela se adequa de forma prática a qualquer tipo de paisagem agriculturável. Suas várias técnicas serão aplicadas em maior escala nos aspectos mais amplos da agricultura nas regiões que abarcam a produção de grãos, ovinos e bovinos na Austrália e em outras terras.

Enquanto a Linha Chave rejeita as abordagens ‘santificadas’  ou predominantemente químicas com fertilizantes artificiais geralmente usadas na agricultura ortodoxa, ela encontra grande valor em alguns ‘artificiais’ de uma abordagem nova ou não-ortodoxa. Muito embora a Linha Chave não seja classificada como agricultura orgânica, ela usa meios naturais de restauração do solo com muitos benefícios.

 Os métodos ortodoxos de melhoria de pastagens não são Linha Chave. A Linha Chave consegue resultados maiores e mais rápidos na restauração de pastagens com ênfase na melhoria do solo, usando e melhorando as pastagens durante o processo.

Ela não segue a abordagem ou usa os métodos de conservação do solo porque a técnica da Linha Chave tem o efeito de melhorar o solo rapidamente, restaurando e prevenindo erosão. Ela preserva e assegura a topografia natural do terreno melhorando o ambiente climático do solo. A erosão do solo então deixa de ser um fator que requer consideração especial.

Geralmente o plano busca conservar no solo tanta água da chuva quanto seja necessária para que o solo possa promover sua própria restauração em cada estágio de desenvolvimento em particular. Se toda a chuva que cai se faz necessária, então toda ela é conservada para ser usada de forma produtiva. Todo excedente do escoamento é armazenado em açudes de vários tipos projetados para usos específicos.

Quando a água escoa além das necessidades de conservação do solo e da capacidade máxima dos açudes, ela segue as linhas de fluxo natural. O fluxo de água que se forma nos talvegues não causa danos aos vales em programa com a Linha Chave.

Quando a água é um fator limitante, o armazenamento é projetado para captar o maior coeficiente de escoamento e não o escoamento anual mínimo como ortodoxamente recomendado.

O Plano da Linha Chave, como muitos outros, promove o plantio de árvores, mas fornece um padrão de planejado para todos os plantios.

De novo, o plano torna os solos mais profundos. Tem sido dito que talvez tenha levado séculos para formar 2,5 centímetros de solo natural. Mas os humanos podem controlar os fatores envolvidos de tal maneira que é possível formar muitos centímetros de solo à partir de rochas decompostas e solos mortos em 3 anos, embora em muitos casos seja possível produzir pastagens nesses solos dentro de um ano.

O Plano da Linha Chave se desenvolve principalmente à partir de uma técnica de planejamento global que se baseia em uma nova concepção de topografia como amparo poderoso para o desenvolvimento agrário. E o que baseia seu planejamento é o padrão derivado do fluxo natural da água. Isso pode ser melhor ilustrado da seguinte maneira: os talvegues de cabeceira macios, de formato arrendados, sejam eles pequenos, de uns poucos acres, ou grandes, com centenas de acres, geralmente tem duas inclinações distintas ao longo da sua linha central; primeiro a inclinação mais aguda que cai à partir da colina ou cumeeira, segundo a inclinação mais suave que geralmente é constante em relação a sua junção com o curso de água abaixo. O ponto de mudança entre esses dois declives – o ponto onde o primeiro declive mais alto e agudo encontra o declive mais suave eu chamei de Ponto Chave do talvegue no meu livro anterior, “O Plano da Linha Chave”.

Uma linha cruzando esse ponto e se estendendo para direita e para esquerda, podendo ser em curva de nível ou com leve caimento dependendo das circunstancias do clima e da topografia que influenciarão o planejamento de cada propriedade, é a Linha Chave do Talvegue (ou do vale na terminologia em inglês, nota do tradutor). Agora, esses dois declives do talvegue são um elemento constante da topografia e o talvegue com seu ambiente imediato é primeiro ou principal a ser considerado para captação de água.

A próxima e maior área de captação é aquela que inclui duas, três ou várias dessas áreas de captação primárias. Dentro dessa segunda área de captação, em uma região de caráter geológico uniforme, os Pontos Chaves de cada talvegue (ou vale) primário se relacionam entre si; eles tem uma relação ascendente em terrenos elevados. Dessa forma, o planejamento geral com a Linha Chave é baseado, primeiramente, nesses elementos geralmente constantes da topografia, depois, na subdivisão geral do terreno que pode ser feita de acordo com essas formas naturais e reveladas pelos vários padrões do fluxo da água.

Informações sobre os cursos entre Maio e Junho

Curso de Agricultura Regenerativa com a Escola de Permacultura – entre os dias 20 a 29 de maio, na Serra da Mantiqueira, sul de Minas Gerais, Brasil. Esse curso aborda a Tomada de Decisão Holística e Escala de Permanência da Linha Chave para promover a produtividade e a qualidade de vida para a agricultura familiar.

Esse curso aprofunda e retifica conceitos chaves para os que já estudam a permacultura como ciência de desenho ecológico. Também é uma excelente oportunidade para aqueles que querem projetar com segurança uma transição para o campo.

Imersão Agroflorestal na Fazenda Bella – entre os dia 1 d 15 de Junho estarei ministrando essa vivência com o Osmany Segall e o Sérgio Olaya. 

A imersão é composta por dois cursos teóricos, duas vivências e duas visitas guiadas (ver link acima) equipando os participantes com o conhecimento e a prática necessários para desenhar, implementar e manejar sistemas agroflorestais. Durante a vivência os participantes terão a chance de desenhar consórcios, plantar, colher e ver a comercialização dos produtos.

Introdução ao Desenho Ecológico para Propriedades Rurais com Eurico Vianna – entre os dias 20 e 23 de Junho em Soracaba, SP. 

Esse curso apresenta os 4 processos ecossistêmicos e a Escala de Permanência da Linha Chave como uma introdução ao desenho regenerativo de propriedades rurais. O conteúdo e formato foi desenvolvido para as as pessoas que querem reconectar com a natureza, empreender com responsabilidade socioambiental ou simplesmente conhecer mais sobre a Escala de Permanência da Linha Chave (EPLC).

Curso de Gerenciamento Holístico em Sorocaba entre os dias 25 e 30 de Junho em Sorocaba, SP. A Fazenda São Benedito está fazendo a transição para agropecuária regenerativa e o curso traz a oportunidade de acompanhar o inicio do planejamento de um sistema baseado no Gerenciamento Holístico. Esse curso é divido em 3 módulos: O curso é divido em 3 módulos:
– Tomada de Decisão Holística,
– Gerenciamento Holístico Financeiro e
– Manejo Holístico de Pastagens.ministrado
E será ministrado por Graeme Hand, educador e consultor australiano com mais de 20 anos de experiência internacional nessa abordagem.

Consultoria Aberta com Graeme Hand na Agropecuária Kehrle. Essa consultoria é ideal para as pessoas que já estão envolvidas na pecuária regenerativa ou que já decidiram fazer a transição. A Agropecuária Kehrle é uma propriedade inovadora, que já usa o GH há 5 anos e que prima pela produção do gado criado a pasto, garantindo a saúde aos animais e os cuidados com o meio ambiente. Nessa consultoria, portanto, a troca de conhecimentos com o Graeme será de altíssimo nível e os participantes poderão ver como a abordagem do GH se adequa ao contexto específico de cada família e sua propriedade.

Curso de Gerenciamento Holístico no Santuária Ecológico Fazenda EcoAraguaia entre os dias 7 e 12 de Julho. Esse curso vai acontecer as beiras do Rio Araguaia usando a pecuária na EcoAraguaia como estudo de caso de transição para o Gerenciamento Holístico. A EcoAraguaia é líder na implementação do Sistema Integração Lavoura Pecuária (ILP) e co-fundadora da Associação Brasileira de Produtores de Carne Carbono Neutro (ABCCN).
O curso é divido em 3 módulos:
– Tomada de Decisão Holística,
– Gerenciamento Holístico Financeiro e
– Manejo Holístico de Pastagens.ministrado
E será ministrado por Graeme Hand, educador e consultor australiano com mais de 20 anos de experiência internacional nessa abordagem.

O Caso – Passado, Presente e Futuro – pela Agricultura REGENERATIVA

Todas as civilizações que surgiram e colapsaram antes do surgimento da civilização ocidental e da revolução industrial entraram em colapso praticando uma “agricultura orgânica”. Isso é lógico dado que os combustíveis fósseis ainda não haviam sido encontrados e, portanto, uma agricultura dependente em insumos químicos ainda não era possível. O uso indevido dos recursos naturais foi definitivamente um fator importante no colapso dessas civilizações. E do ponto de vista evolucionário nosso cérebro, hoje, é o mesmo que foi usado por aqueles que cortaram a última árvore na Ilha de Páscoa ou daqueles que transformaram o Crescente Fértil em uma área desertificada.

Meu ponto aqui, relembrando esses fatos, é primeiramente que “o destino das civilizações segue o destino da agricultura”, como explica Allan Savory, ou como colocado pelo presidente estadunidense Roosevelt após as grandes tempestades de poeira que assolaram seu país no anos 30 é que “uma nação que destrói seu solo, é uma nação que destrói a si mesma”. Um outro ponto igualmente importante é que estamos claramente em um desses momentos de virada histórica onde nossa mentalidade extrativista e desarmonizada com Gaia está nos levando a um colapso, mas dessa vez em escala global.

E no Brasil o governo eleito ao invés de usar sabiamente os recursos que ainda nos restam para garantir a soberania nacional e o bem estar da população, resolveu ser subserviente as corporações estrangeiras do petróleo e agronegócio e entregar a fertilidade de nossos solos, a biodiversidade de nossos biomas, e nosso petróleo e minerais para manter os privilégios de uns poucos às contas do futuro de todas as gerações brasileiras.

O que chamamos de agricultura, de um modo geral, pode ser definido como a produção de alimentos e fibras à partir dos solos e águas do planeta. Essa definição abrange também a pesca e a pecuária. Mas o que mais se ‘exporta’ nesse paradigma da agricultura corporativa atual é o solo! Estimativas da FAO e outros pesquisadores indicam que para cada 500kg de alimento produzido por ano, por pessoa no planeta, o agronegócio perde até 20 toneladas de solo pela erosão que seus métodos causam. Também já é sabido e comprovado que o que a agricultura industrial não é nem economicamente viável nem ecologicamente segura. Sem os subsídios energéticos dos combustíveis fósseis, sem os perdões constantes das dívidas e calculando os custos das ‘externalidades’ (a degradação ambiental, social e da saúde) essa indústria já teria sido abandonada há muito tempo.  Mas a agricultura industrial não se baseia em eficiência energética ou econômica.

A agricultura industrial se baseia no uso do petróleo, do marketing (que mente e ilude), da tecnologia e da ‘socialização’ das externalidades para gerar lucro. Isso se dá porque durante o processo de produção, o agronegócio concentra renda, o acesso a terra e aos meios de produção enquanto ‘socializa’ para os governos e a população os custos da degradação ambiental, da quebra do tecido social e do envenenamento das pessoas pelo uso de químicos nocivos. Para se ter uma ideia um coquetel com 27 agrotóxicos foi encontrado em 1 em cada 4 municípios no Brasil. O glifosato, agrotóxico mais usado na agricultura industrial, sabidamente causa câncer. Além disso, muitos cientistas já afirmam também que o glifosato causará autismo em 50% das crianças até 2025.

As corporações petroleiras, o agronegócio e os ambientalistas sabem que já entramos em uma era de escassez energética. Tanto sabem que desde o Acordo de Paris em 2015 as principais corporações petroleiras já gastaram mais de 200 milhões de dólares em marketing de ‘controle de danos’ para confundir a população e evitar que tomemos as devidas providências contra elas.

Precisamos, urgentemente, adotar uma agricultura baseada nas ciências biológicas, baseadas nos princípios da natureza. Mas para isso, como disse acima, não basta adotarmos uma ‘agricultura orgânica’, ou métodos de produção da agroecologia, da permacultura, da agricultura natural ou da agrofloresta. É preciso adotarmos um paradigma de tomada de decisão no qual gerenciamos ao mesmo tempo a terra, as comunidades e a economia. É preciso que os índices econômicos não se baseiem no mito do crescimento infinito, mas sejam baseados na qualidade de vida das pessoas e em uma produção regenerativa, energeticamente eficiente, que sequestra carbono e restaura os solos que usa para alimentar a população.

Kuhikugu, é a maior cidade pré- colombiana já descoberta na região do Xingu na Amazônia.

Em alguns momentos da História da evolução humana, no entanto, nós conseguimos viver em harmonia com o planeta. Alguns povos que habitaram a Amazônia, por exemplo, construíram uma civilização com cerca de 7 milhões de pessoas que ao produzir seu alimento melhoravam o solo que utilizam. Esse solo é chamado Terra Preta de Índio e em vários lugares da Amazônia chega a ter mais de 2 metros de profundidade. Os aborígenes australianos manipulavam os ecossistemas e usavam sistemas florestais, de piscicultura, gramíneas perenes e tubérculos para produção grãos, pães, proteínas e tubérculos há mais de 50.000 anos.

Ilustração do Sistema Ahupua’a.

Os Havaianos criaram um sistema de divisão de terras baseado em micro-bacias e em um manejo ecológico que aprimorava muito a eficiência energética de sua caça e coleta. Esse sistema era chamado Ahupua’a. Os Aztecas criaram as chinampas, um sistema de produção integrado com árvores onde se criavam ilhas de produção suspensas em áreas alagadiças nas quais a interação humana restaurava os nutrientes no ato da produção.

Essas poucas civilizações, que podemos chamar de ‘regenerativas’ porque eram energeticamente eficientes, viviam em harmonia com o ecossistema a qual pertenciam e geravam mais recursos do que utilizavam, tinham algumas coisas em comum. Entre elas a noção de que não dominavam a natureza, mas faziam parte dela, e a ideia de que a terra em que viviam e os recursos que utilizavam eram recebidos das gerações anteriores e emprestados pelas gerações futuras. Outro conceito comum de vários povos indígenas é a noção de que as decisões que tomamos hoje precisam garantir os recursos naturais para 7 gerações futuras. Esse princípio foi incorporado pelo co-originador da Permacultura, David Holmgren.

Infelizmente todas essas civilizações ‘regenerativas’ também tinham outra coisa em comum. Todas elas eram ecologicamente, espiritualmente e emocionalmente mais evoluídas que a civilização ocidental, mas não eram belicamente mais ‘evoluídas’ e, portanto, foram dizimadas durante os processos de expansão da civilização ocidental. Embora sejamos educados para acreditar que o modelo de civilização ocidental é o ápice da evolução humana, a verdade é que, muito provavelmente, esse modelo seja só o ápice bélico, exploratório e conquistador de um dos tantos ciclos civilizatórios que já tivemos. Quando voltarmos a gerenciar a terra holisticamente, junto com a economia e a cultura, quando tivermos o cuidado de deixar para nossas 7 gerações futuras um mundo abundante, com água e ar limpos, com alimentos verdadeiramente nutritivos e produzidos em ecossistemas biodiversos, poderemos chamar toda nossa agricultura, ou o manejo dos solos e águas do planeta para produzir alimentos, fibra e combustíveis, de AGRICULTURA REGENERATIVA.

Referências:

Walter Steebock – Apostila Economia em Sistemas Florestais (2018).

Allan Savory na palestra de abertura da Conferência de Inverno No-till on the Plains em 30 de Janeiro de 2018.

Bruce Pascoe (2014). Dark Emu: Black seeds agriculture or accident?

Nota:
Durante os meses de Maio, Junho e Julho estarei no Brasil com uma agenda de cursos de desenho ecológico, agrofloresta e pecuária regenerativa.

Imersão Agroflorestal na Fazenda Bella – entre os dia 1 d 15 de Junho estarei ministrando essa vivência com o Osmany Segall e o Sérgio Olaya.

A imersão é composta por dois cursos teóricos, duas vivências e duas visitas guiadas (ver link acima) equipando os participantes com o conhecimento e a prática necessários para desenhar, implementar e manejar sistemas agroflorestais. Durante a vivência os participantes terão a chance de desenhar consórcios, plantar, colher e ver a comercialização dos produtos.

Para mais detalhes sobre todos os cursos, datas e links para inscrição visite o link dos Cursos de Impacto Positivo 2019.




Um apelo aos Veganos

Todos nós, não só os veganos, deveríamos estar na batalha todos os dias fazendo tudo que podemos para acabar com a produção de animais em sistemas industrializados de confinamento. É bárbaro, cruel, nocivo e totalmente devastador para nosso meio ambiente.

Infelizmente, a raiva a esse tipo de pecuária levou a maioria dos veganos a condenar cegamente todos os produtores e todas as criações animais. Esse é o ponto onde os veganos começam a fazer mais mal do que bem. O único argumento válido que veganos podem, e devem, usar no que toca a pecuária é: “Todo manejo reducionista e produção de animais em confinamento degrada o meio ambiente, o que leva a desertificação e mudanças climáticas.” Isso é verdade.

Entretanto os veganos nunca deveriam alegar que: “Todo tipo de pecuária degrada o meio ambiente.” Isso não é verdade.

Tem sido irrefutavelmente e cientificamente provado em milhares de artigos em jornais especializados e casos empíricos por todo o planeta que a pecuária manejada por meio do processo de planejamento holístico de pastagens podem (e estão) regenerando as pradarias para a vida selvagem, trazendo os rios de volta a vida e restaurando a biodiversidade.

Veganos, pelo amor que vocês tenham ao planeta e a vida que nele habita, por favor, aprendam a diferença vital que o gerenciamento faz. O gerenciamento reducionista leva a agropecuária degradante, cruel e nociva. Isso, para todas as plantas e animais.

Mas o gerenciamento holístico prioriza a saúde do meio ambiente e seus sistemas de apoio à vida, o que leva a uma prática agropecuária saudável, regenerativa e ambientalmente benéfica. Isso, para todas as plantas e animais.

O futuro e bem estar de todas as criaturas no planeta depende de vocês aprenderem essa diferença.

Nota: Texto publicado originalmente em inglês por Sarah Savory em sua página no Facebook e traduzido por Eurico Vianna.

Cursos de Impacto Positivo em 2019

“O papel da agricultura é produzir alimentos e fibra enquanto o solo é constantemente melhorado”*. Durante os meses de Maio e Julho estarei ministrando alguns cursos com parceiros e apoiadores super engajados nas causas socioambientais. Confira o roteiro e o conteúdo dos cursos para participar e fazer parte do time que constrói Santuários de Sanidade Mental e Ecológica pelo país afora.

* P.A. Yeomans (1958). The Challenge of Landscape.

Curso de Agricultura Regenerativa com a Escola de Permacultura – entre os dias 20 a 29 de maio, na Serra da Mantiqueira, sul de Minas Gerais, Brasil. Esse curso aborda a Tomada de Decisão Holística e Escala de Permanência da Linha Chave para promover a produtividade e a qualidade de vida para a agricultura familiar.

Esse curso aprofunda e retifica conceitos chaves para os que já estudam a permacultura como ciência de desenho ecológico. Também é uma excelente oportunidade para aqueles que querem projetar com segurança uma transição para o campo.

Imersão Agroflorestal na Fazenda Bella – entre os dia 1 d 15 de Junho estarei ministrando essa vivência com o Osmany Segall e o Sérgio Olaya.

A imersão é composta por dois cursos teóricos, duas vivências e duas visitas guiadas (ver link acima) equipando os participantes com o conhecimento e a prática necessários para desenhar, implementar e manejar sistemas agroflorestais. Durante a vivência os participantes terão a chance de desenhar consórcios, plantar, colher e ver a comercialização dos produtos.

Introdução ao Desenho Ecológico para Propriedades Rurais com Eurico Vianna – entre os dias 20 e 23 de Junho em Soracaba, SP.

Esse curso apresenta os 4 processos ecossistêmicos e a Escala de Permanência da Linha Chave como uma introdução ao desenho regenerativo de propriedades rurais. O conteúdo e formato foi desenvolvido para as as pessoas que querem reconectar com a natureza, empreender com responsabilidade socioambiental ou simplesmente conhecer mais sobre a Escala de Permanência da Linha Chave (EPLC).

Curso de Gerenciamento Holístico em Sorocaba entre os dias 25 e 30 de Junho em Sorocaba, SP. A Fazenda São Benedito está fazendo a transição para agropecuária regenerativa e o curso traz a oportunidade de acompanhar o inicio do planejamento de um sistema baseado no Gerenciamento Holístico. Esse curso é divido em 3 módulos: O curso é divido em 3 módulos:
Tomada de Decisão Holística,
– Gerenciamento Holístico Financeiro e
– Manejo Holístico de Pastagens.ministrado
E será ministrado por Graeme Hand, educador e consultor australiano com mais de 20 anos de experiência internacional nessa abordagem.

Consultoria Aberta com Graeme Hand na Agropecuária Kehrle. Essa consultoria é ideal para as pessoas que já estão envolvidas na pecuária regenerativa ou que já decidiram fazer a transição. A Agropecuária Kehrle é uma propriedade inovadora, que já usa o GH há 5 anos e que prima pela produção do gado criado a pasto, garantindo a saúde aos animais e os cuidados com o meio ambiente. Nessa consultoria, portanto, a troca de conhecimentos com o Graeme será de altíssimo nível e os participantes poderão ver como a abordagem do GH se adequa ao contexto específico de cada família e sua propriedade.

Curso de Gerenciamento Holístico no Santuária Ecológico Fazenda EcoAraguaia entre os dias 7 e 12 de Julho. Esse curso vai acontecer as beiras do Rio Araguaia usando a pecuária na EcoAraguaia como estudo de caso de transição para o Gerenciamento Holístico. A EcoAraguaia é líder na implementação do Sistema Integração Lavoura Pecuária (ILP) e co-fundadora da Associação Brasileira de Produtores de Carne Carbono Neutro (ABCCN).
O curso é divido em 3 módulos:
Tomada de Decisão Holística,
– Gerenciamento Holístico Financeiro e
– Manejo Holístico de Pastagens.ministrado
E será ministrado por Graeme Hand, educador e consultor australiano com mais de 20 anos de experiência internacional nessa abordagem.


Estudo revela que melhor planejamento da agricultura poderia previnir perda de 80% da biodiversidade

  • Resultados de uma nova pesquisa mostram que aproximadamente 90% da biodiversidade que os cientistas preveem que será perdida com a expansão da agricultura poderia ser salva se usássemos planejamentos de ocupação de terra mais eficazes para áreas com menor número de espécies.
  • A pesquisa concluiu que 10 países compartilham grande parte desse potencial por eles e que poderiam, por eles mesmos, reduzir a perda da biodiversidade em até 33%.
  • Entretanto, existem ressalvas. Os pesquisadores alertam que a maioria desses países está entre os “20 piores” ranqueados em termos de impacto ambiental e tem problemas políticos e de governabilidade que impediriam o uso eficaz do planejamento de ocupação rural em nível nacional. Os pesquisadores também alertam que a otimização do uso de áreas rurais visando a proteção dos recursos naturais em alguns dos países mais biodiversos podem acontecer “as custas das próprias oportunidades de produção e desenvolvimento econômico.”
  • Os pesquisadores revelam que para que os países mais biodiversos do mundo possam atingir seu pontencial máximo de conservação enquanto fornecem alimentos para suas comunidades humanas as políticas globais de uso de terras precisam integrar melhor os desafios de governabilidade, políticas públicas e economia presentes nesses países.

Artigo escrito originalmente em inglês por Morgan Erickson-Davis, dia 16 de Março de 2018. Tradução livre feita por Eurico Vianna, PhD. dia 20 de março de 2019.

Um planejamento melhor poderia salvar muita vida selvagem é o que revela um estudo publicado recentemente na Global Change Biology. A pesquisa revelou que aproximadamente 90% da biodiversidade que os cientistas preveem que será perdida com a expansão da agricultura poderia ser salva se usássemos um planejamentos de ocupação de terra mais eficaz dirigido para áreas com menor número de espécies.

Para esse estudo os pesquisadores das instituições alemãs como o Centro para Pesquisa Ambiental de Helmholtz (UFZ) e Centro de Pesquisa para Biodiversidade Integrativa (iDiv) pesquisaram dados sobre a distruibuição e habitat para quase 20.000 espécies de vertebrados fazendo projeções de intensificação da agricultura e de cenários com otimização da utilização das áreas disponíveis.

Os pesquisadores revelaram que se a expansão da agricultura fosse otimizada por áreas por meio de uma coordenação global que as direcionasse para as áreas com menos biodiversidade, até 88% das perdas de biodiversidade projetadas poderiam ser evitadas. Se coordenadas apenas em nível nacional, o estudo revela que minimização da perda seria de 61%.If coordinated at the national level, their study indicates that number would be 61 percent.

A pesquisa revelou ainda que 10 países compartilham grande parte desse potencial por eles e que poderiam, por eles mesmos, reduzir a perda da biodiversidade em até 33%.

Área ao lado da floresta tropical no Parque Nacional Gunung Leuser na Indonésia desmatada para plantio de óleo de palma (azeite de dendê).

“Alguns poucos países tropicais incluindo a Índia, o Brasil ou a Indonésia teriam de longe o maior poder de alavanca para tornar a produção de alimentos mais sustentável”, declarou o co-autor do estudo e pesquisador do iDiv e da Universidade de Leipzig, Carsten Meyer.

A pesquisa revela que esses resultados implicam “ganhos de eficiência enormes” podem ser alcançados por meio da cooperação internacional, mas que existem algumas ressalvas.

Os pesquisadores declaram que a maioria desses países estão ranqueados entre os “20 piores países” em termos de impactos ambientais e que eles tem problemas políticos e de governabilidade que impedem o planejamento para uso eficaz de suas terras em nível nacional.

“Infelizmente esses países também são frequentemente caracterizados por conflitos internos relacionados ao uso de suas terras assim como por instituições relativamente fracas na gestão das terras, ambas essas características inibem a otimização do uso das terras”, disse Meyer.

De acordo com o autor principal, Lukas Egli, pesquisador da Universidade de Göttingen e do UFZ, existe ainda outro fator complicador. Ele disse que a otimização do uso das terras de forma a proteger os recursos naturais dos países mais biodiversos, podem acontecer “as custas das próprias oportunidades de produção e desenvolvimento econômico [desses países]”.

“A não ser que esses interesses nacionais conflitantes possam ser acomodados de alguma forma dentro de políticas de sustentabilidade internacionais, uma cooperação global parece improvável e pode gerar novas dependências socio-econômicas”, disse Egli.

Os pesquisadores revelam que para que os países mais biodiversos do mundo possam atingir seu pontencial máximo de conservação enquanto fornecem alimentos para suas comunidades humanas as políticas globais de uso de terras precisam integrar melhor os desafios de governabilidade, políticas públicas e economia presentes nesses países. Os pesquisadores declaram que os resultados do estudo poderiam ser usados para “guiar doadores internacionais e as instituições emponderadoras no uso estratégico de investimentos.

“Esforços focados são necessários para melhorarmos a capacidade de integração do planejamento do uso de terras com a sustentabilidade”, disse Meyer.

Referência:
Egli, L., Meyer, C., Scherber, C., Kreft, H., & Tscharntke, T. (2018). Winners and losers of national and global efforts to reconcile agricultural intensification and biodiversity conservation. Global change biology.

Gerenciamento Holístico: Parte 3 – Sistemas e Comportamentos e a Base de Recursos Futuros

Allan Savory, produtor rural, doutor em ecologia e criador do Gerenciamento Holístico originário do Zimbabue nos alerta para a necessidade especificarmos (listando) na construção de nosso Contexto Holístico para tomada de decisão coisas como “equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal” ou mesmo “ter um plano de aposentadoria”. Segundo ele essas coisas só serão produzidas ou só acontecerão se forem incluídas na nossa Declaração de Qualidade de Vida”. Nessa parte da série dos artigos sobre Gerenciamento Holístico eu abordo o passo-à-passo da construção dos Sistemas e Comportamentos e da Base de Recursos Futuros, últimos passos para a criação de um Contexto Holístico para tomada de decisão.

Nota: Esse material foi preparado primeiramente para guiar o trabalho que fazemos na Fazenda Bella. Posteriormente, depois de participar de cursos de Gerenciamento Holístico na Austrália e de reutilizar o mesmo material para outros empreendimentos e consultorias, surgiu a ideia de aprimorá-lo para compartilhar com outras pessoas no Brasil. Grande parte desse material, entretanto, é formado por compilações e traduções de outras fontes (originalmente publicadas em inglês). Uma parte menor foi de fato desenvolvida por mim. Apresento todas as fontes usadas na lista de referências ao final do texto.

Eurico Vianna, PhD. Lennox Head, Austrália, Janeiro de 2018.

No artigo anterior, Gerenciamento Holístico: Parte 2 – O Contexto Holístico, eu introduzi o conceito e exemplifiquei como podemos definir nossa Declaração de Propósito e Declaração de Qualidade de Vida, que garante que não sacrifiquenos nossa qualidade de vida para alcançar nossos objetivos. Esse artigo damos seguimento a construção do Contexto Holístico, que na verdade é formado por vários conceitos, práticas e atitudes que passam também pelo exercício da tomada de decisão com as perguntas teste e com a avaliação constante das decisões tomadas.

Formas de Produção ou ‘Sistemas e Comportamentos’

As Formas de Produção são definidas por Allan Savory como tudo aquilo que precisamos produzir para criar a qualidade de vida que descrevemos. Entretanto Allan Savory nos aconselha a focar no quê e não no como. “Você quer listar somente o que precisa ser produzido, não como vai ser produzido. O como algo é produzido é uma decisão que precisa ser testada” (Holistic Management, p. 77).

Mais uma vez uma adaptação feita pelo educador da permacultura canadense e instrutor do módulo de Tomada de Decisão Holística da Plataforma Regrarians, Javan Bernakovitch nos ajuda a pensar e desenvolver melhor esse conceito para que o uso seja mais eficiente. Javan usa ‘Sistemas e Comportamentos’ ou invés da definição clássica ‘Sistemas de Produção’. Eu prefiro usar ‘Comportamentos e Sistemas’ porque o termo define e indica bem o fato de que, por muitas vezes, o que precisa ser mudado são comportamentos. São falhas conscientes ou inconscientes em como abordamos as várias coisas que produzimos. O componente ‘sistemas’ também engloba bem o elemento ‘produção’ abordado no termo clássico original ‘formas de produção’.

Allan Savory explica que para definirmos nossas Formas de Produção (ou Comportamentos e Sistemas) “não basta simplesmente seguir a Declaração de Qualidade de Vida criando um produto para cada frase ou item”. É necessário nos perguntarmos “O quê nós não temos agora ou o quê não estamos fazendo agora, que nos impede de alcançar a qualidade de vida que listamos?”. Depois de analisarmos nossas próprias respostas nós editamos a resposta criando uma frase em termos positivos, descobrindo assim o que precisamos produzir, como precisamos nos comportar e quais são os sistemas que precisamos colocar em prática. Uma Forma de Produção (ou Comportamento e Sistema) pode ser a resposta para várias necessidades e vice versa. Por exemplo, se uma das qualidades de vida expressadas foi “ter prazer no que fazemos no dia-a-dia”, essa necessidade poderia ser resolvida tendo (ou melhor produzindo) “um equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal” ou “tempo suficiente para planejamento estratégico”, ou tantas outras formas (Holistic Management, p.75)

Outra observação importante feita por Allan Savory é de que algumas pessoas questionam a necessidade de especificar (listar) coisas como “equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal” ou mesmo “ter um plano de aposentadoria”, “mas essas coisas só serão produzidas se forem incluídas na Declaração de Qualidade de Vida” (Holistic Management, p.75).

Embora um Comportamento e Sistema possa prover para várias necessidades, na experiência de Dan Palmer da VEG, elas tendem a funcionar melhor quando respondem a cada necessidade. Veja o exemplo dos Comportamentos e Sistemas (Formas de Produção) da VEG, que declara ser uma empresa “profissional, organizada e calma”:

  • Nós nos apresentamos bem,
  • Nós nos preparamos bem para cada trabalho,
  • Nós nos asseguramos de que nossos clientes terão expectativas claras a respeito dos serviços que serão prestados,
  • Nós nos asseguramos de que todos os papéis e responsabilidades dentro da VEG são claramente definidos e todas as tarefas são distribuídas para o devido setor,
  • Nós não pegamos serviços demais,
  • Nós temos acordos claros quando estabelecemos parcerias com outras pessoas ou empresas,
  • Nós usamos sistemas de gerenciamento de tempo, pessoas e materiais que são claros e fáceis de usar.

A ideia, segundo Dan, é de que se cada uma dessas coisas (Comportamentos e Sistemas) forem alcançadas, a empresa deles será “profissional, organizada e calma”. É nessa etapa da articulação do Contexto Holístico que as transformações começam a acontecer. Ter nossas necessidades ou aspirações listadas, como fizemos nas etapas de Declaração de Propósito e de Qualidade de Vida, é um exercício que muitos já fizeram, mas sem os Comportamentos e Sistemas para complementar o contexto, elas quase sempre caem em esquecimento ou são vistas como clichês. Especificando os Comportamentos e Sistemas, no entanto, nós temos a certeza do que precisa se tornar realidade em nosso dia-a-dia para que possamos, de fato, realizar nossa Declaração de Propósito de maneira a conseguir alcançar todas as qualidades de vida listadas.

A Fazenda Oito Acres traz Comportamentos e Sistemas mais simples, por exemplo.

  • Nós produzimos gado (vendendo carne e animais vivos),
  • Nós produzimos um apiário (vendendo colmeias, mel e cera de abelha),
  • Nós produzimos sabonetes e óleos essenciais naturais,
  • Nós produzimos galinhas (animais vivos e ovos)?,
  • Nós produzimos hortaliças?

Notem como o processo é fluido. Os dois últimos itens das Formas de Produção da Fazenda Oito Acres estão marcados com uma interrogação. Isso demonstra que eles vão testar e decidir se esses Comportamentos e Sistemas são, de fato, viáveis dentro do contexto deles.

Dan Palmer dá o exemplo da Declaração de Qualidade de Vida de sua família e os Comportamentos e Sistemas necessários para mantê-las da seguinte maneira:

Nós somos fisicamente e mentalmente fortes.

Como Dan mesmo alerta, mas como garantir que essas qualidades sejam uma realidade diante das adversidades da vida? Eles então criaram seus Comportamentos e Sistemas:

  • Nós respiramos ar puro,
  • Nós bebemos água pura e viva,
  • Nosso alimento é nutritivo e saudável,
  • Nós dormimos bem,
  • Nós vivemos e trabalhamos em ambientes livres de toxina, claros, secos e aconchegantes,
  • Nós somos fisicamente ativos,
  • Nós somos conectados com pessoas da área da saúde que nos ajudam quando necessário.

Futura Base de Recursos (Future Resource Base)

Nessa última etapa desse exercício de formulação do seu Contexto Holístico você descreve como é a sua Futura Base de Recursos, nesse curso também chamada de Indicadores Futuros (Regrarians, 2017). O que você vê em termos de pessoas, terra (sua propriedade) e comunidade precisa ser capaz de prover as Qualidades de Vida e os Comportamentos e Sistemas declarados anteriormente.  De novo algumas perguntas se tornam chave para completarmos essa etapa.

    • Como será a paisagem do seu todo dentro de 10 anos? Dentro de 50 anos? E que tal, e porque não, dentro de 200 anos? Lembre-se que praticamente qualquer ‘todo’ sob gerenciamento depende de algum ecossistema em algum lugar para mantê-lo.
  • Quais são os serviços necessários que serão prestados pela comunidade para manter suas Formas de Produção? Quais caraterísticas você gostaria que sua comunidade local e regional tenham em um futuro longínquo? Entretanto, ao descrever as pessoas em sua Futura Base de Recursos, você deve focar em como você e o seu ‘todo’ (negócio ou organização) são, porque isso está dentro da sua esfera de controle. Embora o comportamento dos outros esteja fora de nosso controle, a maneira como somos vistos por essas pessoas tem grande influencia na maneira como essas pessoas agem com a gente.

Na opinião de Dan Palmer é melhor definir a Futura Base de Recursos de acordo com o que seus Comportamentos e Sistemas precisam no presente e no futuro. Resumindo, quais são os recursos (que você provavelmente incluiu na sua Base de Recursos quando você definiu o ‘todo sob gerenciamento’) dos quais você depende para conseguir fazer as coisas que mantém sua Declaração de Qualidade de Vida verdadeira? Além disso, como estes recursos precisam ser no futuro para continuar mantendo a Qualidade de Vida que você articulou? A Futura Base de Recursos da VEG foi definida assim:

  • Boa vontade dos clientes,
  • Competência dos funcionários,
  • Galpão organizado,
  • Relacionamentos de trabalho saudáveis,
  • Relacionamento com fornecedores,
  • Nós fornecemos resiliência,
  • Sistemas completos, elegantes e eficientes,
  • Marca forte, coerente e reconhecível,
  • Website bonito, funcional e atualizado,
  • Veículos e ferramentas mantidos em bom estado,
  • Bons relacionamentos e reputação com organizações parceiras e colegas.

Novamente a Fazenda Oito Acres articula seu contexto de forma sucinta e direta. Para eles a Futura Base de Recursos é apresentada também como “Coisas que nós podemos usar” e a lista segue assim:

  • Pastagens perenes,
  • Açudes e poços artesianos,
  • Biodiversidade (em árvores e animais),
  • Temos nossos vizinhos nos vendo como pessoas trabalhadores e produtivas,
  • Temos nossos clientes valorizando nossos produtos como produtos bons e de qualidade.

Ter nossa Futura Base de Recursos listada e descrita é muito importante pois ela se torna um parâmetro de avaliação para sabermos se nossas decisões estão nos guiando na direção que escolhemos. Se um ou vários desses recursos começam a se degenerar com o passar do tempo, nós sabemos que estamos com problemas pois parte da fundação que apoia nossa existência está erodindo.

Para que a nossa Declaração de Propósito e Qualidade de Vida sejam mantidos como queremos é necessário que nossa Futura Base de Recursos seja mantida, ou melhor ainda, sempre aprimorada.

As Declarações de Propósito e Qualidade de Vida focam no tempo presente, quando muito em futuro próximo. Elas funcionam com a seguinte pergunta: o que eu quero que seja verdade sobre o ‘todo sob gerenciamento’ agora e o que eu preciso fazer para realizar isso? A Futura Base de Recursos requer que mudemos o nosso foco do momento presente para o futuro a médio e longo prazo e para os indicadores de que estamos no caminho certo.

Se você seguiu os passos e articulou sua Declaração de Propósito, seus Comportamentos e Sistemas e sua Futura Base de Recursos você completou seu Contexto Holístico temporário. Javan Bernakovitch resume bem o que é e qual sua função explicando que o Contexto Holístico é uma forma de saber o que você quer, o que fazer para conseguir o que você quer e como saber se essas duas partes estão alinhadas. Ele explica dizendo que: “se eu quero X, eu preciso fazer Y (para que X aconteça) e vou saber se X e Y estão alinhados quando Z acontecer” (Bernakevitch, J. na Platoforma Regrarians, 2017-18). Nesse sentido X e Y formam respectivamente nossa Declaração de Propósito (ou Missão) e a Declaração de Qualidade de Vida, Y nossos Comportamentos e Sistemas e Z nossos Indicadores Futuros.

O infográfico abaixo mostra todas as partes que formam um Contexto Holístico para tomada de decisão e gestão do Todo Sob Gerenciamento (Bernakevitch, J. 2017).

Nós chamamos esse Contexto Holístico de temporário porque provavelmente você irá alterá-lo e refiná-lo assim que começar a usá-lo para tomar decisões. Abaixo eu compartilho alguns Contextos Holísticos que foram desenvolvidos durante o curso de Agricultura Regenerativa ministrado por mim na Escola de Permacultura no ano passado (2018).

Esse primeiro exemplo foi desenvolvido pela Thais e pelo Guilherme, casal engajado que toca o Porakaa, um centro que, entre vários outros serviços, presta consultoria em comportamento animal, recuperação de áreas degradas e planejamento para produção agroecológica.

O Contexto Holístico abaixo foi desenvolvido pelo designer e produtor rural Wilson Torres, do Sítio Rincão e do Sagrado Verde. Antes de articular a Base de Recursos Futuros nesse formato em fluxograma, o Wilson versou sobre como ele se via com sua companheira no sítio em um futuro mais distante. O uso de uma linguagem bem pessoal, que realmente traduz quem você é e quais são seus valores mais profundos é muito importante na elaboração de um Contexto Holístico.

Por último eu gostaria de compartilhar o Contexto Holístico desenvolvido pelo José Alejandro, a quem carinhosamente chamamos de “Chepe”. Chepe é filho de produtores rurais convencionais mexicanos e estava no Brasil se aprimorando na permacultura, agrofloresta e agricultura regenerativa para transformar a produção convencional de tomates da família em uma policultura agroecológica financeiramente viável. Influenciado pelos movimentos indígenas e anarquistas que influenciaram o pensamento progressista no México, Chepe realmente tomou posse dos conceitos para elaborar seu Contexto Holístico.

Começando pelo inventário do todo, Chepe incluiu no Capital Vivo de seu contexto os seres humanos. Mas sua cosmovisão foi além e influenciou um Contexto Holístico belo, funcional e profundo. A imagem abaixo foi gerada à partir das notas de aula do Chepe enquanto desenvolvia seu Contexto. No centro temos a Declaração de Propósito -“Existimos para construir um futuro melhor!”(em preto). Em volta dela a Declaração de Qualidade de Vida centrada em 4 conceitos fundamentais para ele – “Somos Rebeldes, Somos Organizados, Somos Humanos e Somos uma Comunidade” (em azul). Em cada uma dessas 4 declarações Chepe desenvolveu ‘sub-declarações’ que se alinham com cada uma das áreas. Em verde Chepe desenvolveu os Comportamentos e Sistemas que garantirão a materialização e autenticidade das qualidades de vida determinadas. Embora essa versão ainda tenha alguns erros conceituais, ela mostra bem como devemos tomar posse dos conceitos e usar a linguagem que melhor traduza nossa alma e valores.

 


Na próxima parte abordarei as Perguntas Teste que no começo ou até que todo o procedimento seja automatizado mentalmente, serão usadas toda vez que precisarmos tomar decisões dentro do nosso Todo Sob Gerenciamento

Esses artigos sobre o Gerenciamento Holístico visam, além de divulgar essa abordagem regenerativa no Brasil, encontrar parceiros para uma turnê de cursos englobando a Tomada de Decisão Holística, a gestão holística financeira e o manejo holístico de pastagens. Caso você tenha interesse em hospedar um curso ou consultoria em sua propriedade, entre em contato conosco pelo email info_at_euricovianna.com.br .

A turnê está sendo produzida por mim (Eurico Vianna) e pelo Filipe Suleiman. Os cursos serão ministrados pelo produtor rural e educador em Gerenciamento Holístico com mais de 25 anos de experiência, Graeme Hand (com tradução minha).

Referências:

Nota: Compartilho desde esse primeiro artigo a bibliografia comentada que norteia toda a série.

Very Edible Gardens (VEG) – a VEG é uma empresa de consultoria e educação permacultural australiana que se tornou referência na área. Dan Palmer e Adam Grubb escrevem frequentemente sobre como melhorar o uso da Permacultura para projetar um futuro de escassez energética onde todos possam viver em abundância.

  • Bernakevitch, J.  (2017 – 2018) Módulo de Formulação de um Contexto Holístico para Tomada Decisão Holistica no REX® Online Farm Planning Program produzido pela plataforma Regrarians.

A Plataforma Regrarians foi criada por Darren J. Doherty integrando o Gerenciamento Holístico e outras modalidades de desenho ecológico à Escala de Permanência da Linha Chave; metodologia de planejamento de propriedades rurais criada pelo australiano P. A. Yeomans. A praticidade, profundidade e eficiência na restauração de áreas degradadas tem feito da Plataforma Regrarians uma das abordagens de planejamento de propriedades rurais que mais cresce no mundo hoje.

O Instituto de Gerenciamento Holístico do Canadá tem uma gama enorme de recursos para o ensino/aprendizagem dessa plataforma. O Instituto tem ajudado muitos produtores rurais no Canadá e fomentado muito o estudo a aplicação do Gerenciamento Holístico por meio de cursos e simpósios.

Liz e seu marido Pete criaram e tocam juntos uma fazenda de 258 acres com empreendimentos que variam do gado para corte e leite, galinhas caipiras para produção de ovos até produtos apiários. O site Eigth Acres foi criado para comercializarem seus produtos e compartilhar as ferramentas que tem usado com sucesso para gerenciar seus empreendimentos.

Alberto Miguel é o único consultor em Gerenciamento Holístico oficialmente credenciado no Brasil. Seu blog é uma fonte riquíssima de conteúdo no assunto.

  • Savory, A. e Butterfield, J. (1999). Holistic Management: a new framework for decision making. Island Press, CA-EUA.

O Manual do Gerenciamento Holístico escrito por Allan Savory e sua esposa Jody Butterfild é o livro que lança essa plataforma de tomada de decisão. Comumente em cursos, dada a quantidade enorme de informações compartilhada, esse livro vem acompanhado do livro ‘Manual Prático’ e de um fichário com instruções para exercícios e o aprendizado do Gerenciamento Holístico de Pastagens.

A Plataforma Regrarians foi criada por Darren Doherty, designer regenerativo que começou sua carreira na Permacultura como aluno do co-criador, Bill Mollison. Darren passou a usar o método de planejamento Linha Chave (Keyline), desenvolvido pelo Australiano P. A. Yeomans, com algumas alterações. O Planejamento de Linha Chave da forma como é ensinado por Darren e sua equipe dentro da plataforma Regrarians está se tornando rapidamente o método mais utilizado por designers para o planejamento de fazendas no mundo todo.

  • 8 Formas de Capital, escrito por Roland, E. e Landua, G. e traduzido por Colaborama. Acessado em 15/01/2018 em https://pt.prepareforchange.net/2016/04/14/as-8-formas-de-capital-uma-nova-forma-de-olhar-para-a-economia/

O conceito foi desenvolvido por Ethan Roland e Gregory Landua para facilitar o entendimento das várias relações econômicas nas quais nos envolvemos e fazemos parte. As 8 Formas de Capital enumeram “todos os diferentes recursos valiosos que um indivíduo ou entidade podem reunir ou trocar” e tem sido usados largamente em cursos de Permacultura para trazer a realização de que se nos falta um tipo de capital, nós provavelmente temos outros com os quais podemos contar para o desenvolvimento de nossos projetos.

 

Alimentos Transgênicos: O que você precisa saber e o que você pode fazer

O Dr. Zack Bush tem feito comparações entre a saúde do meio ambiente e a saúde humana. Ele argumenta que assim como um sistema de produção de alimentos saudável precisa de bactérias, fungos para as plantas possam ser saudáveis e nutritivas, nossa flora intestinal também precisa das bactérias e fungos para promover a saúde do corpo como um todo. Embasado em pesquisas científicas já publicadas em jornais especializados o Dr. Zack Bush vem liderando um movimento pela adoção da agricultura regenerativa nos Estados Unidos. Segundo ele o uso do glifosato tem relação direta com doenças como o câncer, mal de Parkinson, Alzheimer, autismo e intestino poroso. No artigo abaixo ele explica a correlação e compartilha o que pode ser feito para reverter esse quadro sombrio.

Nota do tradutor: O artigo que segue foi publicado originalmente em inglês na newsletter ZackBushMD.com e posteriormente no site do Instituto Rodale, portanto é uma publicação voltada para o público leigo, não científico. A versão em português é uma tradução livre feita por Eurico Vianna.

Todas as partes em negrito constam no artigo original. Eu acrescentei notas de rodapé para contextualizar ou explicar termos mais científicos. Também acrescentei comentários onde entendi que valia à pena contextualizar as diferenças no uso do glifosato no Brasil em comparação com outros países. 

Ao final do texto podem ser encontrados 3 artigos publicados em jornais especializados abordando os efeitos nocivos do glifosato para saúde humana. Os artigos foram publicados pelo Dr. Zack Bush e sua equipe de pesquisadores 


No decorrer dos anos eu tive muitas experiências com pacientes que me levaram a questionar a forma com a qual a medicina ocidental aborda doenças e tratamentos. Na maioria dos casos o objetivo se tornou gerenciar as doenças ao invés de criar as condições ideias para a saúde.

Meus questionamentos me levaram a descobrir estatísticas desconfortavelmente estarrecedoras. À partir dos anos 90 algo alarmante começou a acontecer nos Estados Unidos.

Doenças – no que pareciam órgãos completamente diferentes se tornaram epidêmicas quase simultaneamente.

  • A demência aumentou nas mulheres.
  • O Mal de Parkinson aumentou nos homens.
  • Doenças autoimunes atingiram níveis nunca vistos.
  • Hoje uma em cada duas pessoas serão diagnosticadas com câncer antes de morrer.
  • Uma em cada 36 crianças são diagnosticadas com Autismo comparado com uma em cada 5.000 nos anos 1970

Por que tantas doenças, em partes tão distintas do corpo, estão aumentando em ritmo tão acelerado? Qual a relação entre elas?

A inflamação crônica é o fator que conecta tudo.

E a inflamação crônica é a raiz de todas as doenças.

Por definição inflamação é, na verdade, uma resposta biológica normal a uma lesão. É a reação do corpo a um dano causado ao tecido ou célula por um patógeno nocivo ou outro estímulo qualquer.

Nosso intestino tem uma membrana muito fina que protege suas células de compostos e bactérias que causam inflamação.

Se essa membrana se torna permeável nosso sistema imunológico inteiro sente os efeitos e nós entramos em um processo inflamatório.

Nós sabemos que nossa dieta certamente tem um papel na saúde intestinal, mas infelizmente nós não podemos simplesmente abandonar os doces, começar a comer verduras e legumes e esperar que nossa saúde dê uma reviravolta completa. Isso pode ajudar, mas como eu descobri, isso é só uma peça do quebra-cabeças.

Eu tenho me concentrado em saúde holística e alimentos ricos em nutrientes para curar doenças por anos na Clínica M. Mas inicialmente as estatísticas não foram tão boas quanto eu esperava.

Cerca de 30% dos meus pacientes tiveram uma virada de cura completa e miraculosa depois de adotar mudanças alimentares. Outros 30% dos meus pacientes tiveram alguma melhora. Mas surpreendentemente 40% deles não teve melhora alguma ou pioraram depois de implementar planos com foco na saúde.

Então eu perguntei: “Se a causa das doenças é a inflamação, o que está levando nosso intestino a ser tão afetado e os nossos corpos a ficar tão inflamados? Se o problema não é reduzir o açúcar e comer mais legumes e verduras, então qual é?!”.

Para responder essa pergunta nós precisamos primeiro entender parte da história da origem de nossos alimentos e das áreas de produção rural em nossos países.

Depois da Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos acabaram com um excesso de petróleo para os quais eles não tinham uso mais. Eles descobriram que petróleo podia ser usado como fertilizante químico e passaram a comercializá-lo como tal.

Pela primeira vez na história produtores rurais ignoraram boas práticas agriculturais desenvolvidas pela sabedoria ancestral. Eles pararam de descansar o solo e pararam de praticar a rotação de plantios. Eles esqueceram das duras lições das Tempestades de Areia dos anos 1930.

Produtores rurais se convenceram que adubar o plantio com fertilizantes químicos economizava tempo, aumentava a produtividade e produzia plantas mais saudáveis e verdes.

As plantas ficaram mais verdes, mas não ficaram mais saudáveis. Elas estavam agora fracas e deficientes de nutrientes fundamentais. De fato, um tomate produzido hoje não tem quase nenhum licopeno[1] se comparado com um produzido em 1950.

Plantas fracas são mais suscetíveis a doenças e pragas então a solução passou a ser usar mais químicos, dessa vez na forma de pesticidas (que em essência são antibióticos) para o solo e ignorar que bem abaixo da superfície a biologia entrava em colapso.

Era, e ainda é, uma versão ambiental da maneira exata com a qual tratamos doenças em humanos hoje em dia.

O pesticida comercial mais amplamente usado é herbicida à base de glifosato chamado Roundup. Hoje o uso do Roundup é tão excessivo que, de maneira geral, se tornou impossível evitar seus efeitos. De fato, 99.99% do Roundup usado nunca atinge uma erva daninha, ao invés disso, mais que tudo, ele encontrado no escoamento e acaba contaminando a água que bebemos e o ar que respiramos. No sul dos Estados Unidos 75% do ar e da chuva estão contaminados com glifosato.

Nota do tradutor: A exposição da população brasileira aos agrotóxicos é gravíssima. Segundo Alan Tygel, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o brasileiro médio consome 5.2 litros de veneno por ano em sua comida. O agronegócio no Brasil faz uso de 504 agrotóxicos, dos quais 30% são proibidos na União Européia. Desde 2008 o Brasil é pais que mais usa agrotóxicos no mundo. O uso do glifosato no Brasil varia entre 5 e 9 kg por hectare, enquanto na União Europeia é limitado a 2kg por hectare.

Enquanto na União Europeia a quantidade máxima do herbicida glifosato que pode ser encontrada na água é de 0,1 miligramas por litro, o Brasil permite 5 mil vezes mais.

O livro Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Européia, escrito por Larissa Bombardi e publicado em 2017, revela que 8 brasileiros são contaminados por dia, segundo dados oficiais conservadores. Uma pesquisa da Fiocruz, no entanto, estima que para cada caso notificado, 50 casos não são notificados. Isso implica que entre 2007 e 2014, mais de um milhão de brasileiros foram intoxicados por agrotóxicos.

Mas a situação é ainda mais grave. Nos Estados Unidos começam a surgir pesquisas comprovando a correlação do aumento de doenças com o uso de glifosato nas lavouras. Entre as doenças causadas pelo glifosato estão o cancer, Mal de Parkinson, Alzheimer, autismo, doença celíaca, intestino poroso, inflamações crônicas, etc. Enquanto isso no Brasil, desde 2015 o governo deixou de publicar os casos de intoxicação por agrotóxicos, o que dificulta estudar os casos de intoxicação direta ou indireta por esses agentes químicos.

Mesmo antes de dar uma mordida no alimento você está sendo agredido com um antibiótico toda vez que inspira.

Então como, mais especificamente, esse agente químico prolífico afeta nossa saúde? Agentes químicos à base de glifosato aumentam a permeabilidade da membrana intestinal. Isso significa que os efeitos colaterais do Roundup são lesões diretas à própria estrutura de proteínas que mantém nosso intestino inteiro como órgão. E todas as macro-membranas no seu corpo são mantidas estruturalmente pelas mesmas tight junctions (estruturas formadas por proteínas que mantém a integridade física e funcional das membranas celulares) que o intestino tem.

Nosso ambiente nos transformou em peneiras furadas e os mesmo vasos sanguíneos em nosso corpo que supostamente deveriam carregar as respostas imunológicas ou buscar nutrientes também estão vazando e afetando a Barreira Hematoencefálica[2] (BHE) levando a uma abundância de desordens neurológicas como Mal de Parkinson, Alzheimer e Autismo.

Quando respiramos, bebemos, comemos ou tomamos chuva, nós estamos sendo sujeitos a antibióticos que estão matando as bactérias saudáveis que precisamos para prosperar. A capacidade natural que temos de curar a nós mesmos está sendo arrancada porque nosso bioma foi obliterado pelo glifosato.

Nós criamos uma guerra tanto no nosso meio ambiente externo como no interno. Então como concertamos essa realidade sombria? Por onde começamos?

Uma notícia boa é que a Monsanto (a multinacional que distribui o Roundup) deixou vazar uma estatística encorajadora. Se 16% da comida consumida nos Estados Unidos fosse orgânica a indústria de fertilizantes químicos perderia sua estabilidade financeira.

Apenas 16%. A verdade é que se parássemos de usar o Roundup amanhã, ainda levaria 50 anos para que os níveis tóxicos baixassem. Mas existem bactérias e fungos no solo que conseguem digerir o glifosato. Nosso planeta, assim como nossos corpos, tem uma capacidade natural que curar a si mesmo. Se nós permitirmos.

Nós precisamos começar a fazer as coisas de um modo diferente.

Seguindo as taxas atuais de declínio da saúde, no ano de 2035, uma em cada 3 crianças serão diagnosticadas com autismo. Apenas essa estatística já é suficiente para enviar o país para um colapso financeiro. Uma mudança precisa acontecer e pode acontecer.

Nós os consumidores somos a solução.

Então quais são as medidas que eu recomendo que tomemos para ajudar a mudar as coisas para nossa própria saúde e para o futuro da sociedade?

Mudanças de Macro Ecossistemas

Respire em tantos ambientes diferentes quanto seja possível. Isso significa sair de casa. Deixar seu gramado imaculado. Subir uma montanha. Sentar ao lado de uma cachoeira. Ler debaixo de uma árvore musguenta. Vá ao um pântano. Entre em tantos ecossistemas quanto seja possível para você e simplesmente respire eles por algumas horas. Mudar seu ambiente é uma das maneiras mais simples de repovoar seu micro-bioma (a rejuvenescer a sua saúde mental).

Coma comidas fermentadas

Antes do advento da refrigeração nós usávamos a fermentação como método de preservação de alimentos. Como nós perdemos esse necessidade, nós também perdemos seus benefícios. Alimentos fermentados contém bactérias que reforçam o sistema imunológico e você só precisa comer algumas garfadas de chucrute caseiro para obter a dose diária necessária.

Compre alimentos orgânicos

Essa medida é para melhorar sua saúde, é claro, mas é também para melhorar nosso futuro. Lembre-se: se apenas 16% da população consumir alimentos orgânicos a Monsanto faliria. Alimentos orgânicos geralmente são mais caros, mas se todos nós encontrássemos maneiras de nos sacrificar agora, o preço dos alimentos naturais baixaria dramaticamente assim que os pesticidas químicos parassem de ser usados.

Compartilhe essa mensagem

Faça com que as pessoas comecem a pensar e conversar sobre esses assuntos e os vários equívocos que o cercam. Assista a última entrevista feita com Rich Roll (em inglês) e compartilhe com amigos, família e produtores rurais na sua área.

Nota do tradutor: No Brasil, para os que não dominam o idioma inglês, vale compartilhar essa tradução, o artigo assim como o artigo O agro esconde, o agro mente, o agro mata, assim como o livro Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Européia (2017), escrito por Larissa Bombardi.

A esperança humana é contagiosa e, se apenas alguns de nós nos tornarmos mais conscientes de nós mesmos, de nosso ambiente e de nossas comunidades, isso causa uma reação em cadeia.

A mudança pode acontecer rápido. E precisa ser assim. Faça o que você pode, onde você pode e com o que você tiver.

O Dr. Zach Bush, é um dos poucos médicos estadunidenses especializado em 3 áreas: medicina interna, endocrinologia e metabolismo e internação e cuidados paliativos. Aprenda mais sobre o trabalho inovativo do Dr. Zack Bush nos sites:  ZachBushMD.com, IntrinsicHealthSeries.com, e FarmersFootprint.us.


Publicações científicas sobre os efeitos nocivos do glifosato para saúde humana (em inglês):

 – Gildea J, Roberts D, Bush ZM (as Senior/corresponding author). Protective Effects of Lignite Extract Supplement on Intestinal Barrier Function in Glyphosate-mediated Tight Junction Injury. [Self-Funded Original Research] (Under Review – BioMed Central – Public Health).

– Gildea J, Roberts D, Bush ZM (as Senior/corresponding author). Gliadin and glyphosate independently, and in combination, induce tight junction injury, and epithelial membrane leak in small bowel and colon epithelial membrane. [Self-Funded Original Research] (Under Review J Gastroenterology).

– Gildea J, Roberts D, Bush ZM (as Senior/corresponding author). Protection against Gluten-mediated Tight Junction Injury with a Novel Lignite Extract Supplement. [Self-Funded Original Research] J Nutr Food Sci 2016, 6:5

O currículo do Dr. Zack Bush, assim como uma lista mais completa de seu trabalho e pesquisa podem ser encontradas em inglês nesse link.


Notas de rodapé:

[1]Licopeno uma substância carotenoide que dá a cor avermelhada ao tomate, melancia, goiaba, entre outros alimentos. É um antioxidante que, quando absorvido pelo organismo, ajuda a impedir e reparar os danos às células causados pelos radicais livres.

[2]A Barreira hematoencefálica (BHE) é uma estrutura de permeabilidade altamente seletiva que protege o Sistema Nervoso Central (SNC) de substâncias potencialmente neurotóxicas presentes no sangue e sendo essencial para a função metabólica normal do cérebro. É composta de células endoteliais estreitamente unidas, astrócitos, pericitos e diversas proteinas.

“Se a poluição é o preço do desenvolvimento, estamos dispostos a pagá-lo”. Uma Genealogia da Política Ambiental Brasileira por Walter Steenbock

Se a poluição é o preço do desenvolvimento, estamos dispostos a pagá-lo.

Esta foi a postura do governo brasileiro na primeira conferência mundial sobre meio ambiente, ocorrida em Estocolmo, em 1972. Há quase meio século, portanto, no frenesi de seu milagre econômico, o Brasil ficou marcado não só como grande poluidor, mas como interessado em pagar qualquer preço pelo desenvolvimento (e disso a imensa dívida externa contraída neste período não deixa dúvidas).

Naquela época, não havia Relatório Brundtland e ninguém ainda havia pensado no tripé econômico, social e ambiental de um tal conceito de desenvolvimento sustentável. Não havia Agenda 21, nem Protocolo de Kyoto, nem muito menos Acordo de Paris. O mundo estava ensaiando a elaboração de acordos internacionais sobre meio ambiente. Mesmo assim, a postura radical brasileira foi suficiente para a proposição de sanções internacionais importantes, cobrando do governo federal a implementação de uma política ambiental.

E foi assim que, nove anos depois, em 1981, criamos a nossa Lei no 6.938/81 – a Política Nacional de Meio Ambiente. Paradoxalmente, ainda sob regime militar criamos uma das legislações ambientais consideradas, até hoje, das mais progressistas e mais capazes de associar conservação da natureza e desenvolvimento. E, literalmente (e infelizmente), apenas para inglês ver.

Os ingleses e o mundo inteiro viram e nos livramos das sanções, muito embora a falta de intenção de implementar a tal política, manifestada pela quase inércia de sua regulamentação até o fim do regime militar. Porém, querendo ou não, tínhamos então uma lei federal sobre o tema, que ensejava sua implementação.

Em 1988, a maior parte dos princípios e diretrizes da Política Nacional de Meio Ambiente encontraram reflexo em dispositivos da nova Constituição Federal. Todavia, faltavam instituições que viessem a implementar tais dispositivos. Então, logo em 1989, cria-se o IBAMA e nos primeiros anos da década de 90 foram criados a maior parte dos órgãos estaduais de meio ambiente.

Mas para a implementação da Lei faltava, ainda, dois componentes fundamentais: gente e regulamentos. Ou seja, o quadro de servidores do IBAMA e dos órgãos estaduais de meio ambiente era imensamente reduzido para a missão a que se propunham e, como se não bastasse, não era suficiente que a Constituição declarasse, por exemplo, que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, que seria necessário a elaboração de Estudos de Impacto Ambiental para o licenciamento de empreendimentos com significativo impacto ambiental ou que haveria sanções a crimes ambientais. Para a atuação dos órgãos ambientais, era necessária a regulamentação destes dispositivos.

Com muito esforço e articulação, foi basicamente nos últimos anos da década de 90 que ocorreu a construção de regulamentações importantes. Foi somente entre 1997 e 2000 que finalmente criamos instrumentos legais para detalhar procedimentos e regulamentações em relação à gestão de recursos hídricos, ao licenciamento ambiental, à educação ambiental, aos mecanismos de sanções a crimes ambientais e à criação de Unidades de Conservação, entre outros temas abordados pela Lei 6.938/81 e pela Constituição Federal. Há esta época, nossa Política, elaborada para inglês ver, já atingia a maioridade.

Ainda faltava (e ainda falta) gente suficiente para colocar em prática, de forma eficiente, os tais dispositivos. Entretanto, ao menos em nível federal, os primeiros anos do novo milênio viram a quantidade de servidores do IBAMA praticamente triplicar, em sucessivos concursos públicos (os primeiros da instituição). Em processos de seleção cuja relação candidato/vaga era de centenas de candidatos para cada vaga, o IBAMA veio a receber uma grande turma de novos servidores, a maioria jovens, de diferentes formações e muitos com pós-graduação, que se embrenharam nos quatro cantos do país.

O licenciamento ambiental federal deixou de ser cartorial; grandes operações de fiscalização foram executadas, com foco especial no combate ao desmatamento; a educação ambiental superficial passou a ser educação para a gestão ambiental pública. Nada novo. Apenas estava se começando a colocar massivamente em prática o que estava escrito, há mais de 20 anos, na Lei. E os avanços foram incontáveis.

Em relação à gestão de Unidades de Conservação (UCs) federais, os avanços se fizeram mais notáveis a partir de 2007, com a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com a missão de “proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental”, o ICMBio responde pela implementação, gestão, proteção, fiscalização e monitoramento de, atualmente, 335 UCs instituídas pela União sob sua responsabilidade – que correspondem a cerca de 10% do território continental e 26% da zona econômica exclusiva marinha. As UCs federais abrigam doze categorias de manejo – desde as Áreas de Proteção Ambiental, em que prevalecem as medidas de ordenamento territorial, às Reservas Biológicas, desenhadas para preservar patrimônio biológico. Concursos públicos e muita luta pela sua estruturação trouxeram aportes importantes ao ICMBio, que hoje é considerado, mundialmente, como órgão de excelência na gestão de Unidades de Conservação.

Fazer a lei funcionar, entretanto, gera reação a quem não a segue. Não foram poucos os grandes produtores rurais que passaram a se mobilizar para a flexibilização “destas novas leis do IBAMA”; não foram poucos e nem pouco poderosos os grandes empresários que passaram a se mobilizar para a “flexibilização do licenciamento ambiental”; e não foram poucos os políticos que recepcionaram estas demandas, ou mesmo que foram autuados em crimes ambientais. É o caso, por exemplo, do próprio presidente eleito, que fora multado por estar pescando ilegalmente em uma Estação Ecológica.

O autuado virou presidente, quase meio século depois da criação da nossa Política Nacional de Meio Ambiente; e justamente quando, somente há poucos anos, a mesma passa ser mais efetivamente implementada. Como promessas de campanha, a redução de direitos aos quilombolas, nenhum centímetro a mais de terra para os indígenas, garantias de políticas de expansão da fronteira agrícola na Amazônia e acabar com a “indústria de multas” do IBAMA e do ICMBio. Já após eleito, mas antes ainda da posse, a proposta de agregar o Ministério do Meio Ambiente na pasta da Agricultura (seja oficialmente ou condicionando o funcionamento da agenda ambiental a esta pasta), a desistência do Brasil em sediar a Conferência do Clima da ONU em 2019, as declarações de rompimento com o Acordo de Paris e as declarações irritadas de seu fiel escudeiro sobre o quanto a Noruega precisa aprender conosco a cuidar do ambiente são apenas amostras do que está por vir.

Para quem estudou história, sabe que ela é uma roda gigante. É óbvio que virão sanções internacionais às novas versões da postura de que “se a poluição é o preço do desenvolvimento, estamos dispostos a pagá-lo”, sanções estas adaptadas a uma organização mundial muito mais complexa e condicionada por acordos que nem se sonhava existir a meio século atrás. Economicamente, portanto, o desastre será grande e novamente seremos pressionados à maior responsabilização ambiental. E o faremos, em médio prazo, para inglês ver ou não.

Porém, quando o fizermos, talvez não faça mais sentido, já que o desastre maior será ambiental e social e, em muitos aspectos, irreversível. Levamos quase 50 anos para estruturar o funcionamento de uma política ambiental. Neste período, apesar de todos os esforços, vimos o desastre de Mariana, vimos a expulsão de indígenas de suas terras, vimos o imenso desmatamento da Amazônia… agora, estamos prestes a tornar regra o desastre, e não o seu controle. E, muito provavelmente, não teremos mais tempo e nem capacidade social ou institucional para reconstruir o que será destruído.

Walter Steenbock é doutor em ciências pela Universidade Federal de Santa Catarina e leciona disciplinas relacionadas com a Legislação Ambiental, Avaliação de Impactos Ambientais e Política Ambiental. Walter também é pesquisador e autor com interesse especial pela agroecologia, agricultura familiar e uso de sistemas agroflorestais para recuperação de áreas degradadas. Desde 2002, Walter tem atuado como analista ambiental do IBAMA e posteriormente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O agro esconde, o agro mente, o agro mata!

A questão do uso dos agrotóxicos no Brasil não é polêmica, é econômica e gira na casa dos bilhões  de Reais. A relativização e o questionamento dos estudos científicos que apontam o impacto negativo do agronegócio no meio ambiente e na saúde, fazem parte de uma estratégia de marketing chamada ‘controle de danos’.

O “controle de danos” visa mitigar danos causados à credibilidade, reputação ou imagem pública de uma empresa causados por uma ação ou declaração duvidosa ou má fé no exercício de suas funções. E é exatamente essa estratégia que agronegócio usa no Brasil e no mundo. Novas pesquisas interdisciplinares tem revelado o impacto negativo do modelo de produção agricultural e pecuarista do agronegócio tanto para o meio ambiente, como para a saúde pública. Consequentemente o agronegócio tem produzido vídeos, artigos e memes, que tem circulado a internet e as mídias sociais, relativizando seu impacto ambiental negativo e a gravidade da intoxicação direta e indireta causada pelo uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos nas lavouras e pecuária.

Umas das propriedades de P.A. Yeomans, projetadas com a Escala de Permanência da Linha Chave. O manejo da água nessas propriedades garante resiliência contra secas e queimadas e água para produção de alimentos durante todo ano.

Pesquisadores da agroecologia como Pablo Tittonell, Stephen R. GliessmannMiguel Altieri e abordagens do desenho regenerativo como a permacultura, a Escala de Permanência da Linha Chave e o Gerenciamento Holístico tem mostrado que é possível produzir mais alimentos sem o uso de herbicidas, pesticidas e fertilizantes químicos. Essas áreas de pesquisa, desenho e movimentos sociais vão além, eles mostram que o modelo de produção da agricultura familiar produz alimentos mais nutritivos, geram mais empregos, trazem soberania alimentar e qualidade de vida para os envolvidos e conseguem fazer tudo isso regenerando os ecossistemas nos quais se baseiam.

Para termos uma ideia, o agronegócio produz apenas 30% do alimento para população mundial usando de 70 a 80% das terras aráveis, 70% da água e 80% dos combustíveis fósseis. A agricultura familiar, por outro lado, produz de 50 a 75% do alimento da população mundial usando apenas de 25 a 30% das terras aráveis, 30% da água e 20% dos combustíveis fósseis usados em toda a agricultura (Altieri, 2015; Tittonell, 2014). Em muitos casos a agricultura familiar chega a ser 20 vezes mais energeticamente eficiente do que o agronegócio. Além de de produzir Alguns pequenos produtores rurais grãos, tubérculos, frutas, castanhas, etc. o pequeno produtor rural ainda consegue fornecer proteína animal suficiente para alimentar 34 pessoas por ano por hectare (Altieri, 2015). Para uma comparação mais detalhada entre o agronegócio e a agricultura familiar veja o artigo Os Pequenos Produtores Rurais Contra o Agronegócio.

Antes (1963) e depois (2003) de uma propriedade manejada dentro dos preceitos do Gerenciamento Holístico no México.

Todos esses dados e pesquisas mostram que o modelo de produção do agronegócio está definivamente ultrapassado do ponto de vista social e ambiental. Resta a questão econômica. Segundo estimativas da CNA (Conferação deAgricultura e Pecuária no Brasil) a agricultura e o agronegócio contribuíram com 23.5% dos R$6,6 trilhões do PIB (Produto Interno Bruto) do país em 2017. Todo esse lucro não leva em conta as chamadas externalidades, ou seja, os custos da devastação ambiental, do êxodo rural e dos problemas de saúde causados pelo uso dos agrotóxicos. A distribuição dessa renda no Brasil e o que vai para o estrangeiro também é outro fato que sempre fica fora das estatísticas apresentadas; outra tática de marketing de comunicação dessas corporações.

Tendo em vista que todo esse conhecimento trás uma péssima reputação para o agronegócio, as estratégias de “controle de danos” pela indústria, pelos setores simpatizantes do governo e pelos acadêmicos ‘colonizados’ são as de sempre. Primeiro, ignorar os dados e pesquisas contrários ao agronegócio enquanto for possível. Depois ridicularizar e descrever as pesquisas e os meios de produção alternativos de forma imprecisa, conduzir pesquisas e comparações falsas para, finalmente, desacreditar as alternativas (Mulligan, M. e  Hill, S. em Ecological pioneers: A social history of Australian ecological thought and action. 2001).

Meme do MBL com informações e comparações fora de contexto e fontes imprecisas. Exemplo clássico de marketing a favor das grandes corporações.

Grande parte do material de marketing e propaganda do agronegócio que tem vindo à tona usa meias verdades, linguagem científica e até mesmo cita publicações que não foram revisadas por especialistas ou que tiveram times inteiros de pesquisadores comprados como forma de “controle de dano”. Também é muito comum a técnica de “enquadramento” de editorial da mídia corporativa. Um exemplo clássico é um dos vídeos que tem circulado a internet onde uma apresentadora com ares de jornalista imparcial faz comparações da área usada para a agricultura industrial no Brasil e em outros países. As comparações, assim como a linguagem do vídeo, leva a audiência a pensar que em relação a outros países o Brasil deveria estar usando ainda mais área para desenvolver o agronegócio. De maneira sutil o enquadramento muda, tira de questão os malefícios desse modo de produção e faz a audiência pensar que o Brasil está atrasado em relação a outros países industrializados. Na verdade, o que está em questão é que toda a abordagem da agricultura e pecuária industrial está ultrapassada em qualquer lugar. Em todos os países onde é utilizada ela degrada o meio ambiente e a saúde das pessoas.

Um meme usando fatos verdadeiros, porém fora de contexto, sobre a água para mostrar como as campanhas de “controle de danos” funcionam.

A mesma prática foi usada em um meme do MBL, movimento bancado pelos think-tanks da ultra-direita e por partidos neoliberais como o MDB e o PSDB. No meme 5 “fatos” sobre os alimentos orgânicos são apresentados. Nomes de organizações internacionais são usadas para validar os “fatos”, mas nenhuma delas é utilizada de forma que as informações possam ser verificadas. É uma estratégia de contra-inteligência do “controle de danos” que consiste em inundar os meios de comunicação com meias-verdades pintando como polêmico ou controverso um assunto que a ciência séria já comprovou, mas que os resultados não são favoráveis para as corporações.

O documentário O Mundo Segundo a Monsanto, da cineasta francesa Marie-Monique Robin já denunciava as práticas de “controle de danos”, marketing e coação dessa gigante do agronegócio desde 2008. Mais recentemente outros documentos e mensagens eletrônicas da empresa vieram à público revelando a empresa já sabia que seu principal produto químico, o glifosato, é altamente cancerígeno. Essas práticas, no entanto, são largamente praticadas entre as corporações multinacionais do agronegócio.

A cerca da gravidade dos problemas trazidos trazidos pelo agronegócio, a ONU já emitiu um relatório dizendo que precisamos entregar a produção de alimentos para os pequenos produtores antes que seja tarde demais.

Os resultados do relatório em muitos aspectos parecem repetir os resultados do relatório emitido pelas Nações Unidas em 2010 (link para relatório original em inglês). O relatório anterior basicamente informava que a melhor maneira para ‘alimentarmos a população mundial’ é produção orgânica de pequena escala e não a monocultura e o uso OGM.

De acordo com o novo relatório das Nações Unidas precisamos de mudanças drásticas em nossa alimentação, agricultura e comércio. E essas mudanças devem ser em direção aos pequenos produtores rurais e a um sistema de abastecimento alimentar local.

Precisamos, portanto, usar de muito pensamento crítico ao assistir vídeos ou ler artigos que defendam o agronegócio, os alimentos geneticamente modificados e o uso de herbicidas, pesticidas e fertilizantes químicos. De um modo geral, ao analizarmos notícias, artigos e vídeos que defendam o agronegócio, devemos pensar e buscar fontes confiáveis para sabermos se é ecologicamente seguro, se é socialmente justo (e aqui se inclui as questões de saúde) e, por fim, se o lucro gerado é bem distribuido e fortalece a economia das regiões onde se dá a produção.

Abaixo eu contextualizo algumas áreas severamente impactadas pelo agronegócio e suas práticas e compartilho ainda mais fontes de pesquisas que comprovam o quão nocivo esses produtos podem ser para a saúde dos humanos e do planeta.

Impacto na saúde

Nós últimos anos várias pesquisas de mestrado, doutorado, livros e artigos científicos foram publicadas e revisadas por especialistas, revelando a ligação de alimentos geneticamente modificados, herbicidas, pesticidas e fertilizantes químicos com doenças como câncer, Alzheimer, Parkinson, asma e diabetes. No Brasil, os documentários O Veneno Está na Mesa (2011) e O Veneno Está na Mesa 2 (2014) de Sílvio Tendler, o livro Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Européia (2017), de Larissa Bombardi e movimentos como a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida são boas referências para reflexão e comparação com os materiais publicados pelo agronegócio e mídia corporativa porque citam fontes sérias e trabalhos que foram revisados por especialistas ou avaliados por bancas. São essas referências que revelam por meio de pesquisas sérias que o Brasil está entre os maiores usuários de agrotóxicos no mundo.

A exposição da população brasileira a esses venenos é gravíssima. Segundo Alan Tygel, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o brasileiro médio consome 5.2 litros de veneno por ano em sua comida. O agronegócio no Brasil faz uso de 504 agrotóxicos, dos quais 30% são proibidos na União Européia. Desde 2008 o Brasil é pais que mais usa agrotóxicos no mundo. O uso do glifosato, agrotóxico comprovadamente cancerígeno, no Brasil varia entre 5 e 9 kg por hectare, enquanto na União Europeia é limitado a 2kg por hectare. Outro problema grave é que o uso desses agentes químicos acaba contaminando os lençóis freáticos e por conseguinte a população por meio da água potável. Enquanto na União Europeia a quantidade máxima do herbicida glifosato que pode ser encontrada na água é de 0,1 miligramas por litro, o Brasil permite 5 mil vezes mais.

O trabalho da Larissa Bombardi revela que 8 brasileiros são contaminados por dia, segundo dados oficiais conservadores. Uma pesquisa da Fiocruz, no entanto, estima que para cada caso notificado, 50 casos não são notificados. Isso implica que entre 2007 e 2014, mais de um milhão de brasileiros foram intoxicados por agrotóxicos. Desde 2015 o governo deixou de publicar os casos de intoxicação por agrotóxicos, o que dificulta estudar os casos de intoxicação direta ou indireta por esses agentes químicos.

Sobre a questão do impacto dos alimentos transgênicos em nossa saúde, o livro Roleta Genética, de Jeffrey Smith publicado em 2009, ainda é uma das melhores referências. Nele, Smith revela documentos com informações pouco – ou não divulgadas – sobre testes de segurança de alimentos transgênicos que mostram claramente que não podemos confiar nessas grandes corporações para produzir nosso alimento.

Perda da Biodiversidade

A questão da perda da biodiversidade pelo uso de sementes transgênicas e pelo cartel criado pelas grandes multinacionais do agronegócio traz riscos enormes à segurança alimentar para a população de todo o planeta. John Tomanio produziu um infográfico para a National Geographic mostrando que entre 1903 e 1983 a industrialização da agricultura nos Estados Unidos causou uma perda de 93% das variedades de sementes. A tendência em todos os lugares onde a agricultura é industrializada é a mesma; de perda de biodiversidade e consequentemente da segurança alimentar. O aumento da temperatura média do planeta e os eventos climáticos extremos como enchentes, enxurradas, secas e ciclones agravam ainda mais essa questão da segurança alimentar uma vez que as monoculturas industrializadas são muito pouco resistentes a essas variações.

A perda da biodiversidade pelo modelo de produção do agronegócio, entretanto, vai além da questão do monopólio das sementes. O uso de pesticidas na agricultura e nas lavouras geneticamente modificadas tem causado a morte em massa de abelhas e outros polinizadores. O avanço do desmatamento tanto da Amazônia e do Cerrado brasileiros, dois dos biomas mais biodiversos do planeta, também é causado em grande parte pelo agronegócio. O desmatamento, por sua vez, traz a extinção de várias espécies que perdem seu habitat natural.

Esgotamento de Recursos

Como mencionei acima, o agronegócio usa de 70 a 80% das terras aráveis, 70% da água e 80% dos combustíveis fósseis usados na agricultura para produzir apenas 30% do alimento (Altieri, 2015).

A produção e distribuição de alimentos industrializados (o agronegócio) é totalmente dependente do petróleo. São os combustíveis fósseis que abastecem os tratores que aram, plantam e colhem os cultivos. Os adubos químicos, pesticidas e herbicidas são todos derivados de petróleo. E também são os combustíveis fósseis que mantém os padrões de mobilidade global (o trânsito internacional de produtos e pessoas). Agravando ainda mais a situação, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), a erosão causada pelo agronegócio chega a perder até 20 toneladas de solo por ano para produzir 500 quilos de alimento por pessoa. E segundo dados da ONU, até 2025 em torno de 50% da população mundial será impactada pela escassez de água.

Esse é outro grande problema do modelo industrial de agricultura e pecuária, ele esgota os próprios recursos que precisa no decorrer de sua produção se tornando cada mais caro e inviável.

Mais Agricultura Regenerativa para virar a mesa

Árvores pioneiras são agentes de cura da natureza. Sempre que um distúrbio forte o suficiente acontece desequilibrando as coisas para um estado de degradação, elas aparecem. Elas crescem muito rápido e usualmente em céu aberto. Elas começam a produzir sementes cedo e regularmente. As sementes são espalhadas pelo vento e outras árvores germinam em áreas degradadas. Os pássaros pousam nas árvores, comem suas sementes e plantam mais pioneiras em lugares ainda mais distantes. As árvores sombreiam a área, quebram as pedras no solo com suas raízes e trocam açucares por minerais com a micorriza no solo. Elas transportam esses minerais tronco acima por meio da seiva e quando suas folhas caem todos esses nutrientes enriquecem a camada superior do solo. Elas criam sombra, habitats, coletam e preservam água e fertilizam o solo para que outras plantas e animais possam viver melhor depois delas. Essa cura milagrosa acontece com pouco ou nenhum cuidado.

Muito embora algumas pessoas ainda defendam que o processo evolutivo se dá por meio da sobrevivência da espécie mais forte, já há bastante tempo se fortalece a corrente de pensamento que defende que é a cooperação que promove a vida. É a cooperação que ocorre entre e intra flora, fauna e fungos que combate a entropia e re-arranja o caos em sistemas complexos de vida. Todos os seres vivos nesse planeta instintivamente sabem qual é seu papel nesse jogo. Mesmo as forças que chamamos antagônicas como o Yin e o Yang, o bem e o mal, a vida e a morte não estão exatamente competindo. Essas forças também estão cooperando porque uma não poderia existir sem a outra e são, portanto, complementares na formação do ‘todo’.

Nós, seres humanos, entretanto nos tornamos um animal completa e literalmente diferente. Como mostra um artigo recente no The Guardian, nós humanos representamos apenas 0,01% da vida no planeta, mas já destruímos 83% de todos os mamíferos selvagens (isso sem mencionar outras espécies). Muitos outros artigos jornalísticos e científicos podem ser encontrados apresentando evidências esmagadoras de que chegamos à beira de um colapso planetário. O aquecimento global causado pelos humanos recentemente quebrou todos os recordes históricos de ondas de calor e eventos climáticos extremos. Nós também somos a principal causa de perda da biodiversidade. Nossa ação nos trouxe à sexta maior extinção em massa em 3.8 bilhões de anos da história da vida no planeta, um período denominado Antropoceno. E grande parte, uma parte imensa na verdade, desse dano é causado pela agricultura industrial.

Mas porque aparentemente nós somos os únicos a nos distanciar de papeis que nutrem a vida enquanto nos aprimoramos no desenvolvimento de sistemas degradantes. Não deveríamos todos ser como aquelas árvores pioneiras? Não deveríamos todos deixar um mundo melhor com solos mais ricos, água em abundância e ar puro para as futuras gerações depois que nossas vidas efêmeras são ‘cicladas’? Eu acredito que uma das principais razões pela qual nós não agimos diante das informações aterrorizantes que já temos disponível é a desconexão. A desconexão de nós mesmos, das pessoas à nossa volta e do nosso ambiente natural que torna possível que o 1% que já detém mais de 50% dos recursos do planeta dominem o resto de nós.

Entretanto, se um dos maiores problemas é a agricultura industrial, os produtores rurais que vivem o paradigma da agricultura regenerativa podem se tornar os heróis do futuro, como diz o produtor rural e autor Charles Massy. Massy pesquisou 150 fazendas lucrativas e regenerativas para escrever o livro The Call of the Reed Warbler: a new agriculture, a new Earth. O livro que deriva em parte do trabalho de doutoramento de Massy também detalha a situação terrível em que a agricultura industrial colocou o mundo. E embora apresente evidências esmagadoras do quanto o aquecimento global e a degradação do solo ameaçam a nossa existência, por meio dos produtores rurais entrevistados e das fazendas visitadas Massy apresenta muitas modalidades regenerativas que certamente farão parte do conjunto de soluções.

Agora, para que essas modalidades e abordagens funcionem e para que esse movimento regenerativo decole, nós precisamos trabalhar com eco-sistemas e não com ego-sistemas, diz Darren Doherty, um dos líderes mundiais nessa área em seu livro The Regrarians Handbook. O que é preocupante é que a frase de Darren se baseia em um tipo de experiência que muitos no movimento regenerativo já sofreram. Muito embora a maioria das abordagens regenerativas tenham sido concebidas à partir de um espaço de amor e entendimento profundo dos princípios e processos da natureza e muito embora a maioria das pessoas envolvidas na área sejam bem intencionadas, existe muita dissonância entre a ética, princípios e diretivas declarados nessas abordagens e o que alguns líderes e praticantes aplicam em suas vidas pessoais e profissionais.

Essa dissonância causa muitos danos, especialmente para os que procuram um sentimento de pertença à uma comunidade que representa uma vida e uma profissão mais gratificante e significativa nesse mundo. A maioria das pessoas se envolve com a agricultura regenerativa exatamente por que a ética e princípios declarados reverberam com elas e com a busca pela construção de um melhor e mais justo. Mas rapidamente nos deparamos com um educador ou praticante da permacultura com muito pouco “cuidado com as pessoas”, ou com especialistas da agricultura regenerativa que praticam ‘reserva de mercado’, sabotagem e outros comportamentos mafiosos ao invés de criar abundância por meio da cooperação e de uma atitude ‘open-source’.

De novo a desconexão é uma das causas principais. Egos inflados e leões-de-chácara nessas áreas normalmente tem seu senso de conexão interior e com a natureza quebrado. Geralmente também essas pessoas são movidas por insegurança. É tragicômico ouvir professores e praticantes falando do quão abundante o mundo pode ser, do quão generosa a natureza é enquanto agem como se o reconhecimento das pessoas por aquelas que fazem esse trabalho fosse uma moeda escassa demais para se compartilhar. Eu acredito que é essa dissonância entre o ensino da abundância ecológica e dos princípios regenerativos enquanto se pratica um tipo de economia social e emocional baseada na escassez que leva algumas pessoas a boicotar as oportunidades e carreiras das outras.

Será que eles pensam que os seus concorrentes são as pessoas montando fazendas regenerativas, dando aulas e ajudando outras pessoas por meio de consultorias em suas regiões? Nós não precisamos de leões-de-chácara dentro das abordagens regenerativas. Nós não precisamos de comportamento fundamentalista que leva alguns a competir pelas modalidades que mais se identificam. Nós não estamos competindo com nossos colegas. Nós estamos competindo com a ignorância, com um modelo de civilização que gera escassez planejada. Nós estamos competindo com a desconexão da natureza e das formas com as quais podemos produzir nosso alimento de maneira socialmente justa e ecologicamente segura.

Citando Lynn White, Massy explica em seu livro que “nossas idéias são parte do ecossistema que habitamos”. Daí a necessidade de construirmos eco-sistemas (e não ego-sistemas) nos quais a cultura regenerativa possa florecer. E para fazer isso precisamos de tantos produtores, designers e educadores regenerativos quanto for possível. E precisamos produzí-los rapidamente. É assim que vamos virar a mesa e partir de um sistema consumista e degradante para um regenerativo, abundante e cooperativo. Mas para isso precisamos de líderes e praticantes capazes de cumprir seu papel na sucessão do movimento regenerativo. Precisamos de líderes e praticantes que preparem o terreno de forma graciosa e de bom grado criando as condições ideais para que uma geração ainda melhor possa nos suceder.

A razão pela qual a agricultura industrial e as grandes corporações investem pesado em marketing, desinformação e pesquisas falsas é porque eles sabem o quão poderoso a intenção, as ideias, pequenas ações e um grupo de pessoas pode ser. Mas para o movimento regenerativo virar a mesa do sistema nós precisamos de uma abordagem integrativa para a educação e treinamento. Nós precisamos preparar e nutrir as próximas gerações para elas possam se tornar agentes de mudança, para que possam crescer seguros, íntegros de espírito e capazes de reconhecer seu lugar na natureza.

Em resumo, quaisquer que sejam as causas da dissonância entre a ética e princípios regenerativos e o que é praticado em nossas vidas pessoais e profissionais, uma coisa é certa: o movimento da agricultura regenerativa não florescerá nas mãos de leões-de-chácara operando ego-sistemas. Nós precisamos de produtores rurais, designers e educadores regenerativos que possam cumprir seu papel de pioneiros na sucessão ecológica do movimento para criar as futuras gerações que serão agentes de mudança em melhores condições do que tivemos.

Nota 1: Artigo inspirado nos livros de Charles Massy e Darren Doherty’s books, em comunicações pessoais com Darren Doherty, e no documentário “Quem se importa?”.

Nota 2:
Durante os meses de Maio, Junho e Julho estarei no Brasil com uma agenda de cursos de desenho ecológico, agrofloresta e pecuária regenerativa.

Imersão Agroflorestal na Fazenda Bella – entre os dia 1 d 15 de Junho estarei ministrando essa vivência com o Osmany Segall e o Sérgio Olaya.

A imersão é composta por dois cursos teóricos, duas vivências e duas visitas guiadas (ver link acima) equipando os participantes com o conhecimento e a prática necessários para desenhar, implementar e manejar sistemas agroflorestais. Durante a vivência os participantes terão a chance de desenhar consórcios, plantar, colher e ver a comercialização dos produtos.

Para mais detalhes sobre todos os cursos, datas e links para inscrição visite o link dos Cursos de Impacto Positivo 2019.